Para ouvir à noite, a olhar para o céu...








Passei esta última semana em Wayzata, no Minnesota, e foi a primeira vez que visitei este estado. Como é que se pronuncia Wayzata? É juntar as palavras "why" e "zeta" com sotaque americano e chegam lá; é uma palavra que é derivada do dialecto Lakota Sioux e que significa "costa norte" porque fica na margem do Lago Minnetonka. Lembram-se no filme Purple Rain, quando The Kid diz a Apollonia que tem de se purificar no Lago Minnetonka e ela despe-se e salta no lago onde estão, e ele diz-lhe qualquer coisa parecida com "Hey, wait a minute... that ain't Lake Minnetonka!"



Então, passei a semana a passear na margem do Lago Minnetonka depois de sair do trabalho. À noite, quando o tempo o permite, a cidade, que tinha menos de 3700 habitantes no censo de 2010, fica muito animada e o pessoal sai todo para a rua para ir comer fora e desfrutar algum tempo nas esplanadas. Lembrou-me bastante do estilo de vida de Portugal e, tive bastante sorte porque o tempo esteve tão bom, que todos os colegas me diziam que eu tinha escolhido a semana ideal. Se tivesse ido há duas semanas, haveria frio.

(Nota: este post tem muitas fotos)

Uma das coisas que se nota em Wayzata é que os restaurantes e as lojas estão todos cheios de vasos com flores e a cidade também tem zonas verdes ao longo do passeio. No Sábado de manhã, quando saí do hotel para ir tomar o pequeno-almoço, percebi o esquema: há uma equipa de voluntários que trabalha ao fima-se semana a plantar flores. É uma mistura de faixas etárias: crianças, jovens, adultos em vida activa, e reformados. Fiquei mesmo encantada por ver várias gerações a trabalhar para o bem comum. Por falar em jardinagem, as árvores da cidade são espantosas e estavam todas em flor. Em certas partes, sentia-se um aroma doce no ar.

A cidade, que foi fundada 1854, é rica em histórias e lendas locais. Uma das minhas colegas de trabalho, que é das mais antigas, contou-me muitas histórias, como o facto de . Outra história que me contou foi que Hill, que vivia numa das ilhas do lago, ter mandado construir uma cabana na margem do lago para a sua amante e, à noite, lá remava ele um barco para ir ter com ela. Devia ser um homem de bastante energia para aguentar tanto esforço físico...

Wayzata tem uma associação de história local: a tem sede na antiga estação de caminho de ferro e pela cidade encontram-se marcos informativos com factos históricos. Espalhados pela zona turística, também há bancos de jardim com informação sobre quem financiou a sua aquisição e o motivo. Muitas vezes são oferecidos por famílias ou em memória de alguém que morreu.

É uma cidade muito turística e muito do que se vê agora foi recentemente renovado. Convidaram um construtor para desenvolver e dinamizar a baixa da cidade, com edifícios de apartamentos, espaço comercial, etc.

Agora deixo-vos com algumas fotos:


O Starbucks de Wayzata, um dos mais giros que já vi


O pátio traseiro do Starbucks dá para o lago e fizeram um pequeno jardim,
onde um coelho gosta de andar, os esquilos brincam,
e a passarada voa de arbusto em arbusto


A estação de comboios


As traseiras da estação de comboios

Placa que explica a importância histórica da estação de comboios


O jardim nas traseiras da estação de comboios e vista do porto em frente


O porto de Wayzata, ao pé da estação de comboios


A marina de Wayzata, que fica mesmo ao lado do porto, e que tem um restaurante e uma cervejaria com esplanadas



Detalhe da esplanada do restaurante em frente à marina


Um complexo de apartamentos na marginal


O lago visto do passeio, em frente aos apartamentos, nesta foto vê-se o caminho férreo por cima da cerca


Um dos muitos bancos espalhados pela cidade


Detalhe do banco onde se lê a inscrição mandada colocar por quem ofereceu o banco à cidade


Vista da marina de Wayzata do lado da praia


O refúgio de vida selvagem que fica entre a marina e a praia; notem que o solo em redor foi preparado para os voluntários plantarem plantas em redor


A praia de Wayzata


Aviso balnear






Andam por aí umas confusões em Portugal por causa de desporto, futebol, claro, porque não existe mais nenhum desporto em Portugal. É um bocado pateta tudo isto porque dá a ideia que, no século XXI, Portugal ainda não tem mecanismos para lidar com estas coisas. Por isso, o PM Costa, aquele génio do costume, acha que se deve criar mais um organismo público, que irá fazer exactamente o quê, não percebi. Policiar os jogadores para que não sejam mais vítimas de violência? Educar os cidadãos para não serem brutos?

Ao menos, perante situações difíceis, o Pedro Passos Coelho oferecia soluções mais eficazes: emigrem.






Não fazia ideia que Portugal e Espanha se debatiam ontem, até os meus colegas me chamarem a atenção que "eu" estava a jogar. Levantei-me para ver o que se passava e aproximei-me da TV onde normalmente passa o canal da Bloomberg. Perguntava-me um colega se eu não era fã de futebol e eu disse que não, ao que ele me pergunta se eu não tinha vivido em Portugal. Olha, vivi, mas claramente sou uma portuguesa meio-desnaturada. Mas nesse exacto momento o Cristiano Ronaldo marca o segundo golo e o Cristiano Ronaldo eu conheço.

O que o meu colega estava a fazer era mesmo a chatear-me porque tinha lido a notícia que o Cristiano Ronaldo ia para a prisão, o que me repetia várias vezes e eu não compreendia o que ele dizia -- afinal é pena suspensa, ele tinha-se esquecido dessa parte. E ainda por cima, dizia-me, ia pagar $20 milhões de dólares. Ah, essa parte eu percebo: isso é troco para o CR7. Perguntei ao meu colega se ele tinha noção de quanto ganhava o CR. Lá foi ao nosso amigo Google e concluiu o mesmo que eu: é troco, mas também descobriu que o Floyd Mayweather, que é um boxer americano semi-reformado, ganha mais do que o CR7.

E o colega, que é americano, encheu-se de orgulho por um americano ganhar mais do que português. Olha a grande dificuldade: há mais americanos do que portugueses, logo estatisticamente é mais fácil encontrar os outliers no lado dos americanos, ou seja, o nosso outlier português é mais valioso do que o deles. Mas não se preocupem que eu já mandei a estatística às urtigas em nome do interesse nacional e ganho mais do que a maioria dos americanos -- é verdade que também sou americana, mas, como boa portuguesa que sou, devo ignorar detalhes importantes quando necessário para formar as conclusões falaciosas que me dão jeito.

Mais tarde, estava eu em frente à televisão por uns segundos outra vez e outro colega, desta vez mexicano, começa a puxar pela seleção espanhola. Fiquei paralisada por um segundo, mas recompus-me e comecei a planear a malha que lhe ia dar por aquela afronta quando, de repente, ele "cai na real" e diz-me: "Desculpa, Rita, esqueci-me que eras de Portugal." e conclui "Não temos ninguém de Espanha na nossa equipa, logo temos de apoiar a seleção de Portugal." Pronto, livraste-te de boa, pensei eu!

A conversa final foi com uma colega brasileira que achou toda aquela atmosfera uma grande pobreza. No Brasil vive-se a copa, vestem-se a preceito, vibram com os jogos, decoram a sala, há alegria, um calor caloroso... A nossa sala por comparação devia ser mais triste do que um velório e o nosso calor é ar-condicionado literal e figurativamente. Tinha de fazer qualquer coisa pela saúde mental da minha colega e perguntei a um outro colega americano e jovem para me recomendar um bom pub irlandês onde ir ver jogos. Falou-me de Celtic Crossing perto do cruzamento da Cooper-Young, que é uma zona muito artística de Memphis, que fica em Midtown (em Memphis, há Downtown e Midtown, mas não há Uptown).

Bem, no final do dia, levei a minha colega brasileira lá para jantar. Tinha esplanada com música ao vivo e ela ficou logo encantada: "Que delícia!" Uma das TVs tinha a repetição do jogo de Portugal-Espanha e imagens do CR7 apareciam na outra de vez em quando, durante os intervalos de notícias de desporto. Espalhadas pela esplanada, havia bandeirinhas e calhou que nos sentámos numa mesa mesmo por baixo de uma bandeira portuguesa. O duo que cantava versões de canções de outras pessoas tinha uma rapariga com uma voz linda. Saímos de lá perto das 10 da noite, ainda estava um calor maluco característico de Memphis, mas era mais caloroso.

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Isto de o PM Costa decidir andar a comprar e a vender casa, enquanto em funções, é um bocado complicado. Não se percebe muito bem se quando ele comprou precisava de casa; mas, se precisava de casa durante uns meses apenas, não faz sentido comprar e assumir o risco de mais tarde ter de suportar o custo da casa sem ter necessidade dela. Por outro lado, o PM também não trabalha em construção civil e vive da recuperação de casas, logo temos de concluir que a decisão de compra e venda da casa num espaço tão curto de tempo foi mais oportunista do que outra coisa.

Só que há um aspecto bicudo nisto tudo: sendo Primeiro-Ministro, António Costa tem acesso a informação privilegiada acerca da economia antes do resto do pessoal, logo há questões de ética que devem ser exploradas. Se não sabem como abordá-las, sugiro uma revisão de toda a comunicação social acerca dos conflitos de interesse de Donald Trump na Presidência dos EUA.

Temos também de nos perguntar como é que António Costa formou a decisão de compra e venda. Sempre que nós compramos ou vendemos alguma coisa estamos a fornecer informação ao mercado. Que tipo de informação forneceu António Costa? Será que ao decidir vender naquela altura, ele tinha a convicção de que não conseguiria um preço melhor do que o que obteve? Nesse caso, está convencido que a economia não vai crescer o suficiente para acreditar que os preços irão continuar a aumentar.

Uma das explicações para uma compra e venda tão rápida é ele ter chegado à conclusão que afinal não precisava do apartamento. Isto é um bocado problemático porque em termos de finanças pessoais uma compra deste tipo é uma coisa bastante séria, que deve ser bem estudada e ponderada. Se o PM se engana assim com o dinheiro dele, imaginem o que não fará com o dinheiro dos outros. Pois, mas não perdeu dinheiro, dizem os defensores do PM Costa. E eu digo-vos: decidam-se, meus caros, porque ou ele se enganou e comprou quando não devia, logo foi precipitado, ou foi muito esperto e, nesse caso, comprou e vendeu de propósito para fazer dinheiro.






Tenho andado a ver a excelente série The handmaid’ tale, baseada no livro com o mesmo nome de Margaret Atwood, publicado em 1985 e que ainda não li. A América é agora Gilead. Num futuro não muito distante, o mundo é atacado por uma epidemia de infertilidade. As mulheres são remetidas às tarefas do lar. As servas servem de "barrigas de aluguer" às elites estéreis. Todo este retrocesso civilizacional, toda esta desumanidade são feitos em nome de Deus. Talvez hoje esta história pareça  mais credível do que nos anos 80, quando os EUA eram vistos como um baluarte e um farol dos direitos humanos por contraponto à União Soviética, esse império do mal. Aliás, nos tempos que correm, a ficção distópica ganha um novo fôlego. Autores como Zamiatine, Aldous Huxley, George Orwell, Philip K. Dick, J. G. Ballard, Ray Bradbury, Kurt Vonnegut e Isaac Asimov estão na ribalta. Em todos eles, o futuro surge como um lugar mal frequentado e pouco recomendável. Assustador e arrepiante, por vezes. São traçados cenários apocalípticos.
A inteligência artificial e a robótica, a internet, a genética levantam imensas questões, algumas bastante inquietantes. Em última instância, tudo dependerá das escolhas que fizermos enquanto sociedade. Um cenário possível é o nascimento de uma nova espécie, o Homo Deus, como lhe chama o historiador Yuval Noah Harari. Uma raça de super-homens, eternamente jovens e saudáveis, com cérebros superpotentes, graças aos avanços da ciência. E estamos a falar, segundo Harari, de um cenário não muito longínquo. 20, 30 anos. E isto não é ficção científica. Neste momento, empresas como a Google gastam por ano biliões de dólares em investigação genética, à procura desses elixires.
Há, de facto, motivos para estarmos apreensivos. Primeiro, a história diz-nos que uma espécie superior, ou que se considera superior, costuma ser implacável com as outras espécies, consideradas inferiores. Nos seus primeiros 60 mil anos de existência, o Homo Sapiens tratou as outras espécies animais de igual para igual. Tudo mudou com a revolução agrícola há 12 mil anos. Não temos por isso grandes motivos para ter esperança em relação à generosidade (ia dizer humanidade, mas essa palavra perderá o seu próprio sentido) dos Homo Deus em relação a nós, os pobres e fracos Homo Sapiens. Segundo, tenho-me lembrado das arrepiantes teses de Nietzsche. Que nos diz esse terrível filósofo? Os mais egoístas, fortes, auto-afirmativos e saudáveis impõem aos outros a sua vontade pela força da sua natureza. Esta raça dominante mantém o seu poder castigando todos os desvios dos escravos. Os escravos, demasiado fracos, tímidos e desmoralizados para se rebelarem, recebem esse castigo como uma retaliação. Uma vez que não têm força para se revoltarem, os escravos acabam por interiorizar que os castigos são justos e merecidos pelas suas transgressões. Não conseguindo vingar-se, dirigem o re-sentimento (como lhe chama Nietzsche) para si próprios. E assim nasceram o sentido de culpa e a ideia de pecado. Daqui o filósofo deriva uma explicação de toda a visão teológica e moral do cristianismo, uma religião de escravos.
Sempre tive esperança que Nietzsche estivesse errado. Por que motivo uma chicotada ou vergastada nos há-de fazer sentir culpados e não apenas sentir medo? Por que motivo o exercício da força há-de ser visto como um castigo e não apenas como mera necessidade de quem o executa, como observam autores perspicazes como Roger Scruton?
De qualquer maneira, não convém baixar a guarda. Se estivermos distraídos, quando dermos conta, pode ser tarde demais. O Homo Deus está ao virar da esquina.







Noticia o Dinheiro Vivo que Portugal está de parabéns: . Wow...

Uma amiga minha brasileira dizia-me no outro dia que achava que ganhava muito bem no Brasil com um salário anual equivalente a 47 mil dólares, mas depois veio visitar os EUA e achou que ganhava era mal. Aqui, levava para casa mais de 120 mil, mais bónus que podia ir até 50% do salário, mais contribuições para a conta poupança-reforma, e pagava muito menos impostos. Quando a vir, vou dizer-lhe que bom, bom, era ir para Portugal!

Por falar em bom, a -- é espectacular, não acham? Imaginem que é pouco mais do que o crescimento médio da economia desde 2000, logo estamos mesmo no bom caminho.

Não percebem?!? Eu explico: o que é uma média? Intuitivamente, é o ponto em que os pontos acima da média compensam exactamente os pontos abaixo. Se no pico do ciclo económico nós crescemos um pouquinho acima da média, então quando chegar a próxima recessão, não podemos crescer abaixo de para aí 2%, porque, senão, estragamos a média!

E agora apetece-me ouvir as Doce, a minha banda portuguesa preferida de quando eu tinha 10 anos. Bem Bom -- isso mesmo!









O novo relatório da Organização Internacional do Trabalho, apresenta dados encorajadores quanto ao impacto que uma potencial transição para sustentabilidade ambiental possa ter nos níveis e na qualidade de emprego a nível global.



Embora o abrandar do aquecimento global implique a destruição de postos de trabalho em alguns sectores da economia no curto prazo, no total o relatório estima que a transição para uma economia mais sustentável leve a um aumento líquido de 24 milhões de postos de trabalho a nível global até 2030.

O relatório aponta também para a urgência do cumprimento dos objectivos definidos no Acordo de Paris de 2015 - o aumento contínua das temperaturas globais levará a que as horas de trabalho a nível global diminuam em 2% até 2030 devido ao stress calórico (i.e, devido ao nível das temperaturas ser demasiado elevado para que trabalhadores em sectores como a agricultura possam trabalhar em segurança durante parte do dia).

O estudo concentra-se em três cenários de transição para uma economia (mais) sustentável: i) uma maior aposta economia circular (baseada na reciclagem e re-utilização de materiais); ii) um maior investimento em energias renováveis; e iii) a transição para práticas agrícolas mais sustentáveis.

No que toca a garantir que esta transição seja socialmente justa e que leve a uma melhoria na quantidade e qualidade do emprego, existem várias dimensões da ação política que podem ter um papel determinante. Exemplos de medidas nas áreas de Segurança Social, Diálogo Social, Desenvolvimento de Qualificações ou Legislação Laboral e Ambiental apresentados no relatório demonstram potenciais instrumentos e medidas que possam garantir que esta indispensável transição para a economia verde decorra de mão em mão com uma crescente justiça social para todos.

Para mais informações, podem seguir o link: 









Estou profundamente triste. Soube na Sexta-feira à noite, que o meu orientador de mestrado e doutoramento tinha falecido há uma semana. De vez em quando menciono-o aqui, mas devia escrever algo mais substancial porque era uma pessoa extraordinária e, se não tivesse sido ele, a minha vida teria sido muito diferente, mas agora não consigo ainda. A família não disse como morreu, mas, uma vez, quando a minha vida estava numa reviravolta e ele soube-o através de uma amiga em comum, enviou-me um longo email preocupado comigo. Dizia-me que eu não devia ter vergonha de pedir ajuda, se achasse que não aguentava a pressão. Ele também já tinha pedido quando atravessava tempos difíceis. Espero que este não tenha sido um tempo difícil para ele...

Foi uma semana de tempos difíceis para algumas pessoas, duas delas muito famosas. No fim-de-semana passado, perdemos a Kate Spade, que era um ícone da moda americana. A Kate Spade nasceu no Kansas, uma de seis crianças, estudou em Austin, Texas, mas a marca que criou é muito identificada com as grandes metrópoles como Nova Iorque, Paris e Londres: a rapariga que compra Kate Spade é jovem de espírito, viaja, gosta de cor, coisas bonitas, e sabe o que quer na vida. As carteiras da Kate Spade vêm acompanhadas de sacos protectores de pó, com uma frase inspiradora estampada: "She tucked her coral lipstick away and floated back to the party". A Kate Spade sofria de depressão e, depois de ter batalhado durante vários anos, decidiu não regressar à festa.

Passámos a semana a tentar digerir esta notícia, falando de suicídio, de como está a aumentar nos EUA -- --, especialmente entre os mais jovens e, na Sexta-feira de manhã, soubemos que também tínhamos perdido o Anthony Bourdain. Muitas pessoas em Portugal não reconhecem o nome, mas .

Era comum mencionar que tinha trabalhado para um português quando era chefe executivo do restaurante Les Halles, em Nova Iorque, e a sua sopa preferida era caldo verde. Ficava sempre emocionada quando o via dizer isso em entrevistas. O normal naquela altura era pensar em portugueses que viviam em Nova Iorque como sendo pessoas que tinham profissões de ranking mais baixo, mas aqui estava ele, um dos melhores chefes dos EUA, a falar de ter trabalhado para um português, José Meirelles, com orgulho. E também falava com orgulho dos tempos em que lavava pratos na cozinha de um restaurante.

Bourdain era, acima de tudo, , que usava os seus programas de televisão para reduzir as relações entre pessoas ao elemento mais básico da nossa evolução: partilhar uma refeição. Não é difícil imaginar que, desde há milhares de anos, essa é a forma com que celebramos a amizade e a boa-vontade que temos para com os outros. É tão elementar e, no entanto, esquecemo-lo tão facilmente.











Estou completamente surpreendida pelo tamanho da discussão que vai em Portugal acerca do último artigo de opinião da Fernanda Câncio, mas já percebi o mal de que padeço: é que eu esqueço-me que ela foi a namorada de José Sócrates. Como é que posso ser tão esquecida? É simples: morreu a minha mãe por aquela altura e eu tinha outras coisas em que pensar e a vida sexual do PM português não me parecia pertinente. Ou seja, só há para aí três anos é que soube, mas não fiz grande esforço em dar grande importância a tal facto. Convenhamos que pensar em Sócrates e amor ao mesmo tempo não faz muito sentido porque ele não tem amor a ninguém. A Fernanda foi mais uma das pessoas que ele usou para chegar onde quis, mas isso na minha cabeça até é sinal de respeito por ela porque de todos os jornalistas em Portugal, Sócrates sentiu necessidade de se envolver com Fernanda Câncio. I rest my case...

Outra coisa que não entendo é o atraso de grande parte da população em enfrentar os factos acerca de Sócrates e do partido que permitiu que existisse um Sócrates. O resto do pessoal ele não levou para a cama, logo que desculpa resta? Vejamos o caso de Donald Trump: ainda nem há dois anos que está em funções nos EUA e, para além das manifestações populares, já há vítimas políticas no Partido Republicano. Por exemplo, Paul Ryan, o porta-voz da Câmara de Representantes já anunciou que não iria voltar a candidatar-se. Em Portugal, não sei de ninguém importante que tenha visto a sua carreira política comprometida por causa de José Sócrates, a não ser o próprio e só ao fim deste tempo todo.

Tomemos António Costa, o actual Primeiro Ministro, que ocupou um cargo importante no partido e no Governo durante o tempo de Sócrates. Sofreu alguma coisa por ter havido um Sócrates e ele estar ao lado? O que eu vejo é toda a gente gabar a inteligência política de António Costa apesar de ele também não ter visto nada, nem feito nada, para impedir Sócrates, e note-se que não viu nada numa capacidade profissional, que é muito diferente de não ver nada porque se envolveu amorosamente com a pessoa. Claramente um sinal de inteligência -- olhem, querem saber? O Pedro Passos Coelho é que tinha razão: o melhor é mesmo emigrar porque ser inteligente aí não é propriamente um bom sinal.

Mas este exemplo é muito mais rico do que pensam porque António Costa é meio-irmão de Ricardo Costa, que ocupa um lugar importante na comunicação social portuguesa, ou seja, também ele tem alguém cujo julgamento profissional compete com o papel que ocupa na esfera privada. Será que, daqui a 10 anos, quando o país encontrar algo de errado com a governação de António Costa -- repare-se que haverá algo porque há sempre --, também se irá fazer um circo em redor de Ricardo Costa, como agora se faz em torno de Fernanda Câncio?







Tenho visto muita pessoas no Facebook chocadas com a decisão da Administração Trump de separar os imigrantes ilegais das crianças que encontram com eles e que, na esmagadora maioria, são seus próprios filhos. Acho estranho que estejam indignados ou que julguem esta acção da Administração como prova final que os americanos são um povo moralmente degenerado. Note-se que Donald Trump já tem um longo historial de políticas ofensivas e de insultos, logo pouco ou nada nos devia surpreender.

Depois não percebo a conclusão que as pessoas tiram. Perante um governante que usa a lei de forma inovadora para fazer coisas que muitos consideram intoleráveis -- suponho que esta longa descrição é um eufemismo para tirano --, acho que os americanos, mais do que qualquer outro povo, já demonstraram mais do que uma vez estar à altura do desafio:
  • foram para a rua em manifestações a nível nacional mais do que uma vez;
  • processam o Presidente e as instituições que acham estar a violar a lei americana;
  • a acção dos Tribunais mitiga alguns dos impactos das políticas da Administração Trump;
  • a imprensa está a investigar as políticas seguidas e a divulgar as suas consequências e também investiga as acções da família Trump;
  • está a decorrer uma campanha em massa para mobilizar os eleitores para votar contra os Republicanos nas eleições de Novembro;
  • houve também uma enorme campanha para incentivar os cidadãos, especialmente as mulheres e as minorias a candidatar-se a cargos públicos;
  • os jovens americanos estão civicamente activos e lutam contra a política de porte de armas;
  • o Presidente está a ser alvo de investigações oficiais e pode correr o risco de impeachment -- em princípio os resultados serão divulgados em Setembro;
  • há pessoas que já foram presas preventivamente e outras que se deram como culpadas como resultado destas investigações;
  • e, finalmente, tudo isto foi conseguido em menos de ano e meio da Administração Trump.
Tudo isto é do conhecimento público e para mim é motivo de admiração -- um país enorme e heterogéneo como os EUA é capaz de inspirar os cidadãos a tentarem mudar o sistema. Olho para isto e penso: se os americanos conseguem isto, como é que os portugueses mais homogéneos e num país bem mais pequeno não conseguem sequer fazer pressão para Portugal melhorar? Porque é que o nível de abstenção eleitoral em Portugal aumenta cada vez mais e ninguém tenta combater esse fenómeno? O tempo que passam a pensar no Trump pensem em Portugal. Deixem os americanos cuidar do Trump e tentem precaver-se para os riscos que a experiência americana pode ter para Portugal. Depois não culpem os americanos -- acho que todos já temos noção de que a probabilidade de isto acabar mal não é negligenciável. Mas tudo isto porque vos queria recomendar algo. Relativamente ao caso específico da separação das famílias, sugiro que leiam ou ouçam que tenta descortinar facto de ficção.






Apesar de ainda não ter partilhado convosco as fotos, uma das coisas mais giras que fiz em Houston foi visitar o Cemitério Glenwood. Quando ouvi na WKNO, o serviço de rádio público local de Memphis, de que iria haver uma actividade no fiquei curiosa porque não conhecia os cemitérios de Memphis, nem sequer sabia da existência de Elmwood.

Há dois dias, fui à página de Internet do cemitério ver o que era e, depois de consultar a lista de eventos, decidi ir a um. Ontem realizava-se o Mother's Tea, um chá anual por ocasião do Dia da Mãe, que se celebra hoje nos EUA, e que inclui para além do chá uma mini-visita guiada, cujo tópico é visitar algumas das campas de mulheres. O evento, que custou $30 por pessoa, serve também para angariar fundos para manter o cemitério. À venda no evento também havia t-shirts e livros sobre o mesmo, para além de terem convidado uma rapariga local que cultiva e faz misturas de chás e que os tinha à venda. No todo, gastei mais de $90, mas foi uma manhã muito bem passada e educativa.

A . Apesar da sua aparência jovial e energia entusiástica, a Kimberly já trabalha em Elmwood há quase 20 anos, que irão ser completados em Novembro. Nota-se que é uma pessoa extremamente dedicada à missão do cemitério, que foi fundado em 1872, funciona também como arboreto, e que irá estar em funções por mais 30 a 40 anos, altura em que não terá mais espaço para novas campas e reverterá a ser apenas um museu.

Para além de se aprender imenso nestas visitas, há um aspecto que me fascina porque aprende-se história local através da vida das pessoas que estão enterradas e, algumas delas, têm histórias de vida muito interessantes e cheias de intriga, coisas que muitas vezes estão ausentes dos livros formais de história. Intrigas é mesmo inerente a Memphis porque a cidade foi fundada no pecado: jogos de azar e prostituição. Como é que se designavam os bordéis naquela altura? Estabelecimentos de comercialização de afectos -- não é delicioso?

Para aceder ao cemitério, passamos por uma ponte que está no National Register of Historic Places dos EUA. Como quando foi construído, o cemitério ficava numa zona campestre, cerca de três quilómetros fora da cidade, foi construído um edifício, também considerado histórico, que servia para os cidadãos descansarem quando chegavam para a sua visita -- o edifício tem quartos de banho públicos. Naquela altura, muitos iam a pé ou em carroças. Mais tarde houve um trolei que fazia a ligação da cidade ao cemitério.

Entretanto, a cidade cresceu e o cemitério está agora na zona urbana, se bem que é uma zona que o rodeia parece bastante degradada. Há também uma pequena capela, que foi onde se realizou o chá. No interior da capela, há uma pequena cozinha e, ao lado, um quarto de banho (já sei, as tias dizem casa de banho; mas, meu caros, é mesmo um quarto dentro do edifício, não é preciso ir à rua, como antigamente).

Depois do chá e no início da visita guiada, ouvimos as sirenes de um carro a anunciar a chegada de um funeral. A docente pediu-nos para prestarmos os nossos respeitos à pessoa falecida e todos nos virámos em direção ao caminho por onde ia passar e observámos alguns momentos de silêncio enquanto o sino tocava 13 badaladas: um por cada apóstolo, mais um pela vítima.

Uma das campas que visitámos foi a de Ma Rainey, cujo nome de baptismo era Lillie Mae Glover, uma senhora bastante conhecida em Memphis, que cantava na Beale Street. No obelisco da campa dela pode ler-se:
"I'm Ma Rainey #2
Mother of
Beale Street
I'm 78 years old
Ain't never had
enough of nothing
And it's too
Damn late now"

Por falar em obelisco, aprendi que os obeliscos e as urnas que se vêem nos cemitérios são uma influência dos egípicios, que era muito caros aos victorianos. Um dos tópicos que poderá vir a ser alvo de uma visita guiada é mesmo a influência da estética egípcia em Elmwood.

Elmwood é o cemitério de Memphis com maior concentração de vítimas de febre amarela, dado que e, a certa altura, perdeu metade da população porque muitos dos que não morriam foram-se embora para outras áreas. Para além das condições da geografia local, Memphis era a cidade mais suja dos EUA e isso contribuiu para a severidade dos surtos.

No cemitério também há um monumento à Associação Howard, uma precursora da Cruz Vermelha e que ajudou a tratar das vítimas de febre amarela. Como na altura, Memphis não tinha hospitais, algumas das Madames converteram os seus bordéis, perdão, estabelecimentos de comercialização de afectos, em estabelecimentos hospitalares, ambos têm mais ou menos o mesmo espírito nos EUA -- afinal o sistema de saúde é pago a preço de ouro.

As Madames não eram imunes à doença. Uma delas foi enterrada num sítio escondido, mas um dos seus clientes pagou para que fosse mudada para uma zona mais rica do cemitério com uma campa a condizer. A campa tem o seu nome de baptismo, Emily Sutton, mas a brigada dos costumes da altura levou a mal e rodeou a campa com identificadores do nome profissional da senhora: Fanny Walker, para que ninguém fosse ao engano e pensasse que se tratava de uma mulher decente. Conta-se que, para além de ter transformado o bordel em hospital, a Madame Walker também doou $50 para os pobres pouco tempo antes de morrer de febre amarela em 1873. Ser indecente é muito caro...

Uma outra vítima de febre amarela foi Mattie Stephenson, uma jovem rapariga que vivia noutra parte dos EUA e que, após ser abandonada no altar pelo noivo, decidiu sacrificar-se e vir para Memphis para ajudar a cuidar dos doentes. Quando chegou, contraiu a doença e morreu uma semana depois. Os habitantes da cidade, depois de saberem do seu acto altruísta e destino trágico, angariaram fundos para erigir um monumento em sua homenagem numa parte proeminente do cemitério.

Há uma outra campa de uma noiva com destino trágico no cemitério: Etta Grigsby Partee morreu no dia do seu casamento da doença de Bright, uma condição que afecta os rins. A campa tem uma estátua em mármore Carrara, que, com as condições atmosféricas de Memphis, está bastante degradada, mas está demasiado frágil para se limpar. Pensa-se que, eventualmente, a estátua irá desmoronar.

Este ano está a decorrer um projecto piloto no cemitério em que estão a estudar quais as melhores plantas para tentar reabilitar as campas vitorianas que funcionam como canteiros. Espera-se que para o ano possam abrir o projecto a voluntários que apreciem jardinagem e que cuidarão das campas como se de "canteiros" se tratasse. Por um lado, presta-se homenagem aos costumes da época de quando as pessoas faleceram, por ouro lado também serve para ter mais flores no espaço o que alimenta insectos benéficos como abelhas. Um dos grandes problemas no cemitério neste momento é que há algumas árvores, as murtas de crepe, que estão doentes, mas para as tratar é preciso aplicar um produto que é nocivo para as abelhas. A Directora Executiva não está contente com as opções que tem...

















Recordo-me frequentemente de uma aula de Microeconomia avançada, durante o doutoramento, em que o nosso professor, um homem intelectualmente muito elegante e que gostava de análise comparativa estática, tendo até publicado um livro pequenino sobre o assunto, nos dizer uma coisa que parecia tão óbvia e, no entanto, acho tão profunda. Discutíamos o pressuposto de os agentes maximizarem o lucro e ele disse-nos que muitas vezes era impossível verificar os pressupostos directamente, mas que podíamos avaliar se estavam correctos estudando as implicações da teoria. Se as implicações do pressuposto da maximização do lucro estão ausentes da realidade, então não encontramos suporte para esse pressuposto. Isto é tão óbvio, mas tão óbvio, e, mais grave ainda, foi-me ensinado em Matemática no décimo ano, quando aprendi lógica: se A implica B, não-B implica não-A, que me sinto um bocado pateta por ter demorado tanto tempo para interiorizar o conceito e ligar os pontos, como dizia o Steve Jobs.

Conto-vos isto porque, no mês passado, a equipa do O vídeo tornou-se viral e tomei conhecimento quando o vi partilhado por uma portuguesa no Facebook, que dizia que, "ao menos, nós [portugueses] lemos". Talvez eu tenha amigos estranhos, mas os meus amigos americanos quando partilham alguma coisa deste tipo é normalmente coisas que dão uma má impressão dos americanos: coisas que os americanos fazem mal ou coisas que os estrangeiros fazem bem e com a qual os americanos deviam aprender. Os americanos têm um sentido de auto-crítica muito apurado, basta ver o sucesso de Jimmy Kimmel, Stephen Colbert, etc.

Mas não, nós não lemos todos porque a No sítio onde eu cresci, todas as mulheres mais velhas do que a minha mãe eram analfabetas, mas mesmo mulheres da idade da minha mãe não sabiam ler. Uma das minhas amigas de infância, um ano mais nova do que eu, foi retirada da escola porque reprovou no sétimo ano e foi para aprendiz de cabeleireira. Não sei se ela lê, mas duvido que leia algo sofisticado. Ela até se interessava mais por maquilhagem e saltos altos desde sempre; mas ao menos sabia meter os sapatos corretamente nos pés e ajudava-me a meter os meus sapatos porque eu, aos 6 anos, ainda não sabia, nem sabia fazer os laços aos atacadores, nem sabia dizer a palavra frigorífico e ainda hoje confundo direita e esquerda. Com estas dificuldades todas, o melhor era mesmo emigrar para um país onde não se lê para ficar em boa companhia.

Há situações que se encontram nos EUA que são extremas, como ; ou as histórias de . No entanto, devem ser contrastadas com o outro extremo: os EUA são um país onde se faz investigação de ponta e que consegue atrair as pessoas mais capazes de todo o mundo para estudar e trabalhar nas suas universidades. Algum do melhor jornalismo do mundo é feito nos EUA e os americanos compram livros suficientes para a Amazon ter tido o sucesso que tem, desde que começou com um Jeff Bezos a vender livros numa garagem.

De que vale a alguém saber ler se, ao ver um vídeo partilhado no Facebook, é incapaz de reconhecer que o vídeo foi montado de forma a dar uma ideia enviesada da situação? Não mostraram todas as entrevistas, apenas as que apoiavam a tese inicial -- é o chamado enviesamento de selecção que, por sua vez, alimenta o enviesamento de confirmação de quem vê este tipo de coisas sem sequer o questionar.

Por falar em questionar, quando eu andava no décimo-primeiro ano, na cadeira de Filosofia, de que eu não percebia nada, passámos algum tempo a estudar o Discurso do Método, de Descartes, no qual um dos conceitos fundamentais é o da dúvida, o de questionar o que vemos antes de formarmos uma opinião. Depois da barraca que foram as eleições americanas, do papel das redes sociais na propagação de notícias falsas, de sabermos recentemente das acções da Cambridge Analytica, parece que não aprendemos nada.

Note-se que não-ficção não é considerada literatura pelo NEA, logo não contariam espólios de cartas, diários, biografias, ensaios, etc. Adeus Anais Nïn, Joan Didion, diários de Miguel Torga, ensaios biográficos do Pedro Mexia... Não leio nada de jeito, está visto!

Se eu fosse interpelada numa rua e me pedissem um título de um livro, não sei se teria uma resposta inteligente. Não sou uma leitora voraz porque leio muito lentamente, aliás, sou lenta em quase tudo. Um dos meus colegas de trabalho disse-me esta semana que eu presto muita atenção a detalhes: concentro-me nas árvores e esqueço-me da floresta. Ah, podia tentar lembrar-me do título "Na Floresta"...







O meu nome não é Alice, mas não é só ela que corre atrás de um coelho branco, eu também tenho corrido.
Em boa verdade, o meu coelho, ou melhor, o coelho de quem corro atrás, não é totalmente branco. Tem um pêlo ruivo nas costas. Um pêlo, sim, só um. Para os mais rigorosos, isto é inaceitável e torna falsa a minha afirmação inicial. Eu não acho, tenho tolerância para com um pêlo ruivo. Afinal, é só um. Ao longe nem se vê. E mesmo se estivermos ao pé do coelho, é preciso saber onde está para conseguirmos vê-lo e para começarmos a desconfiar que este coelho de quem se diz ser branco não é, de todo, branco. Ou que não é branco por um pêlo. Enfim, não interessa. Como eu dizia, corro atrás de um coelho branco, e não me chamo Alice. Este coelho não parece muito preocupado em chegar a tempo a lado nenhum, visto que não tem relógio e que não corre em linha recta. Parece, antes, mais interessado em que eu não chegue a tempo de o apanhar pelo pescoço, e para evitar isto não é preciso um relógio. E é, com certeza, um coelho sagaz, por não correr em linha recta. Ele não precisa de saber em que direcção vai quando corre de forma aparentemente tão caótica, e isso torna tudo mais rápido para ele. Mas eu, que tenho de mudar de trajectória ao sabor daquilo que dá na gana do coelho, desacelero. Não digo real gana porque não lhe conheço a família. Em suma, ele corre depressa, eu corro devagar, conclusão, a distância entre nós aumenta. Mas nem por me dar conta disto eu deixo de correr. O coelho também não me conhece a família, e posso dizer que somos gente teimosa. Nem pense o coelho que me vai fazer desistir na próxima curva ou no próximo ângulo recto. Mesmo que corra triangularmente, eu continuo. E quando ele recorreu a uma corrida hexagonal, pensando que me deixaria perplexo e sem fôlego, enganou-se e bem. É que como ele já tinha corrido em círculos e quadrados, eu comecei a suspeitar que a este coelho não era estranha a geometria, e já estava preparado para correr atrás dele fossem quantos fossem os ângulos e os lados que lhe desse na gana ir fazendo. Só que a fase geométrica da corrida do coelho não durou, e lá tive eu de correr atrás dele sem conseguir antecipar mudanças de direcção. Uma canseira. Principalmente tendo em conta que corro atrás deste coelho todos os dias. É que não consigo evitar, o manhoso foge-me sempre. Tem sempre uma corrida nova, ontem, por exemplo, correu em forma de astromélia. Uma vez tentei gritar-lhe que corria atrás dele para lhe arrancar o pêlo ruivo e mais nada, mas ele não deve ter acreditado porque nem assim parou. Foi muito sensato da parte dele não ter acreditado. Os meus planos para este coelho são outros. 






Uma das qualificações para se ser bem integrado nos EUA é conseguir acompanhar as referências culturais tão caras aos americanos. Conseguem adivinhar esta?


"I'll die in your arms, under the cherry spoon..."







Acordei cedo, antes das quatro da manhã, e não consegui voltar a dormir. Resignei-me a levantar-me às 5 da manhã porque acordo sempre esganada de fome. Antes de ir trabalhar fui ao Starbucks beber um café, mas numa caneca a sério para não criar lixo. Aproveitei e dei uma olhadela no barista giro que lá trabalha -- é doce e não tem calorias, parece-me bem!

Trabalhei das 8 às 18, mas consegui vir almoçar a casa; aliás tinha de ir a algum sítio porque não levei comida para o escritório. A manhã correu tão rapidamente com reuniões que cheguei às 13h30m, ainda sem almoçar, a perguntar-me para onde tinha ido o tempo.

Quando regressei do almoço e me sentei à secretária, vi que uma joaninha tinha entrado comigo. Tirei uma foto enquanto pensava como é que iria salvar o pobre bicho. Embrulhei-a numa toalha de papel, mas ela escapou e começou a passear nas costas da minha mão. Meti a outra mão em forma de concha sobre ela e ela escapou outra vez. Tentei com a outra mão e obtive o mesmo resultado. Caminhei rápido e consegui chegar à rua. Preparava-me para tirar uma foto, mas ela levantou voo e eu levantei a cabeça e acompanhei o seu voo a a sorrir. Achei incrível que não tivesse levantado voo enquanto eu a levava para a rua. Talvez confiasse que eu a levasse por bons caminhos.

Regressei ao edifício e a recepcionista, que conversava com o segurança, perguntou-me se tinha levado a joaninha para a rua. Sim, sim, levei, claro! Começou a falar de lagartos, dos quais tem medo, e eu puxei do telefone e mostrei a minha colecção de fotos de anoles do Texas. Tantas vezes que tive de andar à caça deles dentro de casa para os levar para a rua, senão morriam com certeza. Tornei-me uma profissional da segurança dos anoles, mas houve um que não consegui apanhar a não ser dias depois, quando já estava desidratado. Acho que morreu, coitado.

Quando regressei do trabalho, depois de jantar, fui passear e ouvir o Governo Sombra. Encontrei uma minhoca gorda no passeio -- tive de a salvar. Procurei um pauzinho e com ele levei-a para a relva. Era tão rechonchudinha que era uma pena que morresse. Encontrei bastantes cadáveres delas pelo caminho, já ressequidos, nem para comida de pássaro devem servir. Quando chove, como ontem, elas acabam muitas vezes no passeio. Fico sempre desgostosa quando as vejo já tarde demais.Perdi a conta de quantas minhocas salvei, mas uma vez salvei uma que era carnívora -- --e predadora das minhocas boas (parece que estão a ) e levei um raspanete de uma amiga americana: "You're not supposed to save those!" Oops...







Gostaria que alguém me explicasse de forma a que eu entendesse a necessidade de modificar o design do passaporte português. Não percebo porque é que o estado gasta recursos a estragar uma coisa que funcionava bem: fizeram alguma coisa mal e o novo passaporte não funciona bem com os leitores electrónicos; é mesmo português progredir regredindo. Ah e é feio para burro! Estou a pensar se, quando o meu perder a validade, quero gastar dinheiro numa coisa tão feia que mal uso...






Olhem, há uma coisa chamada Google! Como é que um país de pessoal que descobriu meio planeta não tem curiosidade de procurar a resposta à minha adivinha? Isto de vos educar acerca da América dá muito trabalho e não parece ser muito recompensador. Mas, prossigamos, porque eu ando na minha fase masoquista e quem corre por gosto não cansa... (E também me sinto responsável por vos preparar para serem bons imigrantes nos EUA, caso precisem de emigrar!)

Era uma referência a uma , que era de Minneapolis, do filme "Under the Cherry Moon". É assim:
"Why can't I fly away in a special sky
If I don't find my destiny soon
I'll die in your arms, under the cherry moon
I want to live life to the ultimate high
Maybe I'll die young like heroes die
Maybe I'll kiss you in some wild, special way
If nobody kills me or thrills me soon
I'll die in your arms under the cherry moon."

A escultura da cereja na colher está no Jardim de Escultura de Minneapolis e é um dos ícones da cidade.








O episódio dos "lapsos" de António Costa no Parlamento recorda-nos o milagre das rosas, quando D. Dinis, o tal rei que mandou plantar o pinhal de Leiria, suspeitando que D. Isabel tinha pão para ir dar aos pobres, pergunta à rainha o que levava no regaço e ela responde-lhe "São rosas, meu senhor." Já no caso de António Costa, "São lapsos, meus senhores!" Com sorte e mais uns milagrezinhos, um dia destes, o nosso ilustre PM é elevado a santo.

Não se percebe bem por que levou quase dois anos para a comunicação social descobrir as tais "incompatibilidades" que milagrosamente se transformaram em "lapsos", percebe-se menos que toda a gente fique muito surpreendida por um governo formado com pessoal do governo de Sócrates cometer "lapsos", e ainda (!) -- relembrando o 1, 2, 3 do Carlos Cruz antes de ele cometer "lapsos" -- nos é menos compreensível que se trate este caso como se fosse apenas um de conjectura.

Será que, em dois anos, não houve tempo suficiente para o Ministro Siza Vieira cometer mais uns "lapsos" que realmente demonstrem que foi mal-intencionado no que fez, em vez de se andar por aí a falar como se não se pudesse descobrir se o homem é "vigarista ou burro", como dizia o RAP no Governo Sombra?

Deixem, deve ser um "lapso de razão" meu esperar que esta notícia e outras semelhantes venham com mais carninha no osso. Ah, mas os meus lapsos são apenas momentâneos...










Foi George Orwell quem cunhou o termo “novilíngua” (newspeak) no seu arrepiante retrato de um estado totalitário em "1984". A novilíngua ocorre sempre que a função fundamental da linguagem – descrever a realidade – é substituída pela função rival que é a de exercer poder sobre a realidade. Mas o aprisionamento da linguagem pela esquerda é muito anterior a Orwell. Como relembra Roger Scruton no seu “Tolos, impostores e incendiários”, tudo começou com a revolução francesa e os seus slogans. A partir daí, nunca mais a esquerda dispensou os rótulos para estigmatizar os inimigos. A lista é extensa. Fascista, social fascista, revisionistas, negacionistas (este é mais recente), desviacionistas, esquerdistas infantis, socialistas utópicos, etc.. Um marco importante nesta história é o II congresso do partido trabalhista social-democrata russo de 1904. O grupo catalogado como mencheviques (minoria) era na realidade a maioria. A cristalização da mentira e o seu sucesso convenceram os comunistas de que podiam mudar a realidade com palavras. Se gritarmos muitas vezes “fim do capitalismo”, o capitalismo acaba. Se insistirmos muito na revolução do proletariado, o proletariado acabará por se erguer das brumas e defenestrar o inimigo, os "burgueses”. E por aí fora. No fundo, o politicamente correcto é mais uma expressão dessa crença no poder das palavras que sempre acompanhou a esquerda. 








Regresso ao continente (expressão tipicamente açoriana…) dez dias depois de ter vivido uma experiência única. Fui obrigado a uma reflexão exigente para interpretar racionalmente esta comemoração de quarenta e poucos ex-alunos de um curso liceal terminado há cinquenta anos e para a qual fui convidado como seu professor, embora para a quase totalidade delas e deles não mais tivéssemos tido qualquer contacto. Se alguns desses alunos ainda vivem no Faial, outros vieram de ilhas vizinhas (Pico, S. Jorge, Terceira, Flores) e outros de bem mais longe - não falo de Lisboa, mas de Toronto, por exemplo! A simpatia, carinho, as manifestações de amizade para comigo, evocando o passado, foram tão sinceras que me tocaram profundamente.


Independentemente das conclusões a que possa ter chegado, ou venha ainda a chegar, a verdade é que este reencontro foi muito emotivo. Eu tinha memórias, algumas muito vivas, desse passado distante, mas é evidente que enquadrar nessas memórias de jovens que éramos (eu tinha 32 anos, eles à volta dos 18) os adultos (alguns verdadeiramente idosos…) que somos, obriga a uma ginástica mental por vezes complicada. Houve muitos cabelos e barbas brancas, a par de calvícies e gorduras inoportunas. Mas também houve quem de imediato reconheci; às vezes não ligava o nome que me ocorria à pessoa que me abraçava, mas algum tempo depois como que refiz o meu quadro mental de há cinquenta anos.

O ponto alto das comemorações foi a reposição da peça “A Longa Ceia de Natal”, que hoje estou certo foi o cimento que nos uniu a todos – alunos e professor. Há cinquenta anos fui o encenador e ensaiador do grupo de alunos que a levou ao palco, e ela foi o “prato forte” da festa dos finalistas, tendo tido tanto êxito que foi exibida mais três vezes. Não foi possível manter todos os mesmos actores, mas os substitutos estiveram à altura. Antes da exibição da peça, fui entrevistado por um actual professor da Escola Secundária Manuel de Arriaga, o Dr. Victor Dores, tendo como tema uma comparação entre os anos 60 do século passado e a actualidade, com foco na educação.

Nos outros dois dias, a confraternização abrangeu no sábado uma ida à ilha do Pico, com almoço em S. Roque, e no domingo mais um almoço na Praia do Varadouro, no Faial, a que se juntou uma visita ao Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos.

Acrescentei a estes mais cinco dias de visita aos Açores, que será motivo para um outro post, a publicar em breve.



(Fotografia do grupo de alunos comigo, depois da exibição da peça)







Claro que há mais fotos. Acham mesmo que eu não tiraria fotos dos voluntários a trabalhar no jardim? Notem que, como vos disse no outro post, a cidade foi recentemente modernizada, com edifícios antigos a serem reabilitados, abertura de comércio mais caro, e mais restaurantes locais. Se se recordam da faxada do Starbucks, que partilhei convosco no post anterior, é aparente pelo seu aspecto único, i.e., diferente de outros Starbucks, que a cidade tem regras apertadas quando à aparência exterior do comércio.

A arquitectura de Wayzata


Uma casa na baixa a necessitar de obras


Quando me afastei do lago e fui passear mais para o interior da cidade,
encontrei este cruzamento cheio de árvores em flor.
Cheirava a rosas, apesar de não haver rosas em lado nenhum.
Não sei que tipo de árvores são estas, mas amei!


O edifício dos correios


. Por cima do hotel, há condomínios de luxo,
cujo preço ia de $825 mil a $3,5 milhões. O Landing é o primeiro hotel no Lago Minnetonka
em mais de 50 anos.


O restaurante McCormick's


Um café local


Adorei esta casa. As paredes exteriores são de madeira
e achei as árvores do jardim encantadoras.


Outra casa antiga, muito engraçada


Adorei este edifício de apartamentos, especialmente o muro de retenção do solo, que é feito de pedras. É uma técnica que vi em vários sítios da cidade


Do outro lado da marginal, ao pé da marina, estão a construir um edifício de apartamentos.
Segundo o que dizia o cartaz, os preços variam de $600 mil a $2 milhões


Um edifício vazio, mesmo ao pé do sítio onde vão construir os apartamentos. Se calhar, os mais baratos têm vista para este lado


Se houver problemas de corrupção, já têm um "lava-jacto" à disposição...

Voluntários a trabalhar


Voluntários na jardinagem. Notem que os bancos têm as tais placas que vos mostrei no último post


Onde os voluntário trabalhavam, havia bandeiras que diziam "Volunteers in Action"
(Oh, que bom, reparei agora que, desta vez, não me enganei a conjugar haver.
Talvez isto lá vá, afinal...)

A comida de Wayzata


Lulas fritas, uma entrada do 6Smith


Sandes de lagosta com salada, no 6Smith


Crocante de morango, sobremesa no 6Smith


Risotto de espargos e ervilhas no D'Amico & Sons


Vieiras com risotto, no Gianni's


O Benedict clássico no Benedict's






Achei delicioso que o Primeiro Ministro de Portugal se dedique a especulação imobiliária, enquanto em funções. Não acho nada mal que se especule, mas convenhamos que parece mal a um governante fazê-lo. Quando Portugal entrar em recessão e o Bloco de Esquerda começar a dizer mal de especuladores, espero que trinquem a língua e tenham vergonha na cara porque, afinal, apoiam o governo de um fulano que especula.

É por estas e por outras que eu prefiro que o PSD governe -- quando fazem coisas parvas, caem-lhes todos em cima, como deveria ser sempre. Já com o PS, há carta branca, e a indignação aparece aos poucochinhos e só daqui a 10 anos é que a coisa parece mesmo mal. Será que depois de terem levado tanto tempo a abandonar Sócrates, os socialistas não teriam aprendido a lição e ficado mais alerta? Parece que não. Siga para bingo...







Hesitei uns momentos antes de começar a escrever este texto. Vai ser tão pessoal que ao partilhá-lo como que perco alguma coisa dele. Mas esse risco corri-o quando encetei “A Memória Flutuante”; seria, portanto, pouco lógico que guardasse só para mim o que vou narrar.

Em posts anteriores e já distantes (ver e ) referi os tempos em que vivi na cidade da Horta, no Faial, onde leccionei no Liceu. Passaram mais de cinquenta anos! Pois há meses recebi uma mensagem totalmente inesperada e, a meus olhos, invulgar. Um dos meus alunos de então informava-me que os finalistas de 1968 iam comemorar os cinquenta anos de formatura, haviam decidido repor em cena “A Longa Ceia de Natal”, de Thornton Wilder, (que constituiu uma importante parte da sua récita de despedida), e convidavam-me a estar com eles nesse momento, a concretizar no dia 1 de Junho do corrente ano.

Tenho tido, ao longo da vida, por parte de ex-alunos com quem me tenho cruzado, manifestações de simpatia nas quais sobressai quase sempre a memória de ter sido um professor estimado. Nunca, porém, fui confrontado com esta situação, única, de ao fim de cinquenta anos, um grupo de ex-alunos, de facto uma turma, que teria uns quarenta jovens, se lembrar de mim a ponto de me querer nas comemorações que vão levar a efeito. Percebo que o facto de ter colaborado com elas e eles na peça “A Longa Ceia de Natal”, que teve um assinalável êxito, tenha contribuído para dar uma maior dimensão à memória afectiva, mas mesmo assim não posso deixar de estar comovido com este regresso ao passado.

Assim, vou voar amanhã até à cidade da Horta, para no dia seguinte estar presente na comemoração dos meus alunos. Não sei bem definir o que sinto. É um misto de felicidade, de orgulho, não propriamente vaidade, mas o sentimento de ver reconhecido o que sempre procurei ser, um professor profissionalmente competente.

Quando atingi o limite de idade creditei a mim próprio o ter cumprido o meu dever de cidadão empenhado nas coisas da educação. Agora, quando a minha jornada se aproxima do fim, esta lembrança dos meus “velhos” alunos gratifica-me mais do que uma qualquer medalha da Ordem da Instrução Pública.

Para memória mais tangível, fica o cartaz promocional da sessão do dia 1.  









Fiquei um bocado triste que se usasse a questão da eutanásia para ganho político. É verdade que todos têm direito à vida, mas não há vida sem morte e é uma falsa ideia achar que ser contra a eutanásia é ser a favor da vida. As pessoas não são eternas e vão morrer com certeza absoluta; o que não é sabido é quando irá ocorrer a morte e a que tipo de sofrimento estarão sujeitas.

Parece-me um bocado arbitrário ser contra a eutanásia ao mesmo tempo que não se questiona o direito do doente recusar tratamento, apressando assim a sua própria morte, uma prática que é perfeitamente legal. Uma outra coisa que não se vê em Portugal são os processos em tribunal por más práticas médicas que causem a morte, o que seria perfeitamente expectável se os portugueses valorizassem tanto o direito de os doentes terem uma vida o mais longo possível.

Mas por que razão me surpreendo eu com mais um circo? Não há uma tradição de debate sério em Portugal e, se os portugueses compreendessem o conceito "compare e contraste", o país estaria muito melhor do que o que está.

Vamos à música...









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Lembram-se no filme Purple Rain, quando The Kid diz a Apollonia que tem de se purificar no Lago Minnetonka e ela despe-se e salta no lago onde estão, e ele diz-lhe qualquer coisa parecida com "Hey, wait a minute... that ain't Lake Minnetonka!" Então, passei a semana a passear na margem do Lago Minnetonka depois de sair do trabalho. À noite, quando o tempo o permite, a cidade, que tinha menos de 3700 habitantes no censo de 2010, fica muito animada e o pessoal sai todo para a rua para ir comer fora e desfrutar algum tempo nas esplanadas. Lembrou-me bastante do estilo de vida de Portugal e, tive bastante sorte porque o tempo esteve tão bom, que todos os colegas me diziam que eu tinha escolhido a semana ideal. Se tivesse ido há duas semanas, haveria frio. (Nota: este post tem muitas fotos)Uma das coisas que se nota em Wayzata é que os restaurantes e as lojas estão todos cheios de vasos com flores e a cidade também tem zonas verdes ao longo do passeio. No Sábado de manhã, quando saí do hotel para ir tomar o pequeno-almoço, percebi o esquema: há uma equipa de voluntários que trabalha ao fima-se semana a plantar flores. É uma mistura de faixas etárias: crianças, jovens, adultos em vida activa, e reformados. Fiquei mesmo encantada por ver várias gerações a trabalhar para o bem comum. Por falar em jardinagem, as árvores da cidade são espantosas e estavam todas em flor. Em certas partes, sentia-se um aroma doce no ar.A cidade, que foi fundada 1854, é rica em histórias e lendas locais. Uma das minhas colegas de trabalho, que é das mais antigas, contou-me muitas histórias, como o facto de James J. Hill, que era dono do caminho de ferro, ter tido um desacordo com as autoridades da cidade e para os castigar construiu o caminho de ferro entre a cidade e o lago, mesmo na margem. Outra história que me contou foi que Hill, que vivia numa das ilhas do lago, ter mandado construir uma cabana na margem do lago para a sua amante e, à noite, lá remava ele um barco para ir ter com ela. Devia ser um homem de bastante energia para aguentar tanto esforço físico... Wayzata tem uma associação de história local: a Wayzata Historical Society tem sede na antiga estação de caminho de ferro e pela cidade encontram-se marcos informativos com factos históricos. Espalhados pela zona turística, também há bancos de jardim com informação sobre quem financiou a sua aquisição e o motivo. Muitas vezes são oferecidos por famílias ou em memória de alguém que morreu. É uma cidade muito turística e muito do que se vê agora foi recentemente renovado. Convidaram um construtor para desenvolver e dinamizar a baixa da cidade, com edifícios de apartamentos, espaço comercial, etc.Agora deixo-vos com algumas fotos:O Starbucks de Wayzata, um dos mais giros que já viO pátio traseiro do Starbucks dá para o lago e fizeram um pequeno jardim, onde um coelho gosta de andar, os esquilos brincam, e a passarada voa de arbusto em arbustoA estação de comboiosAs traseiras da estação de comboiosPlaca que explica a importância histórica da estação de comboiosO jardim nas traseiras da estação de comboios e vista do porto em frenteO porto de Wayzata, ao pé da estação de comboiosA marina de Wayzata, que fica mesmo ao lado do porto, e que tem um restaurante e uma cervejaria com esplanadas Detalhe da esplanada do restaurante em frente à marina Um complexo de apartamentos na marginalO lago visto do passeio, em frente aos apartamentos, nesta foto vê-se o caminho férreo por cima da cercaUm dos muitos bancos espalhados pela cidadeDetalhe do banco onde se lê a inscrição mandada colocar por quem ofereceu o banco à cidadeVista da marina de Wayzata do lado da praiaO refúgio de vida selvagem que fica entre a marina e a praia; notem que o solo em redor foi preparado para os voluntários plantarem plantas em redor A praia de WayzataAviso balnearPois era... Andam por aí umas confusões em Portugal por causa de desporto, futebol, claro, porque não existe mais nenhum desporto em Portugal. É um bocado pateta tudo isto porque dá a ideia que, no século XXI, Portugal ainda não tem mecanismos para lidar com estas coisas. Por isso, o PM Costa, aquele génio do costume, acha que se deve criar mais um organismo público, que irá fazer exactamente o quê, não percebi. Policiar os jogadores para que não sejam mais vítimas de violência? Educar os cidadãos para não serem brutos? Ao menos, perante situações difíceis, o Pedro Passos Coelho oferecia soluções mais eficazes: emigrem. Calor caloroso Não fazia ideia que Portugal e Espanha se debatiam ontem, até os meus colegas me chamarem a atenção que "eu" estava a jogar. Levantei-me para ver o que se passava e aproximei-me da TV onde normalmente passa o canal da Bloomberg. Perguntava-me um colega se eu não era fã de futebol e eu disse que não, ao que ele me pergunta se eu não tinha vivido em Portugal. Olha, vivi, mas claramente sou uma portuguesa meio-desnaturada. Mas nesse exacto momento o Cristiano Ronaldo marca o segundo golo e o Cristiano Ronaldo eu conheço.O que o meu colega estava a fazer era mesmo a chatear-me porque tinha lido a notícia que o Cristiano Ronaldo ia para a prisão, o que me repetia várias vezes e eu não compreendia o que ele dizia -- afinal é pena suspensa, ele tinha-se esquecido dessa parte. E ainda por cima, dizia-me, ia pagar $20 milhões de dólares. Ah, essa parte eu percebo: isso é troco para o CR7. Perguntei ao meu colega se ele tinha noção de quanto ganhava o CR. Lá foi ao nosso amigo Google e concluiu o mesmo que eu: é troco, mas também descobriu que o Floyd Mayweather, que é um boxer americano semi-reformado, ganha mais do que o CR7. E o colega, que é americano, encheu-se de orgulho por um americano ganhar mais do que português. Olha a grande dificuldade: há mais americanos do que portugueses, logo estatisticamente é mais fácil encontrar os outliers no lado dos americanos, ou seja, o nosso outlier português é mais valioso do que o deles. Mas não se preocupem que eu já mandei a estatística às urtigas em nome do interesse nacional e ganho mais do que a maioria dos americanos -- é verdade que também sou americana, mas, como boa portuguesa que sou, devo ignorar detalhes importantes quando necessário para formar as conclusões falaciosas que me dão jeito.Mais tarde, estava eu em frente à televisão por uns segundos outra vez e outro colega, desta vez mexicano, começa a puxar pela seleção espanhola. Fiquei paralisada por um segundo, mas recompus-me e comecei a planear a malha que lhe ia dar por aquela afronta quando, de repente, ele "cai na real" e diz-me: "Desculpa, Rita, esqueci-me que eras de Portugal." e conclui "Não temos ninguém de Espanha na nossa equipa, logo temos de apoiar a seleção de Portugal." Pronto, livraste-te de boa, pensei eu!A conversa final foi com uma colega brasileira que achou toda aquela atmosfera uma grande pobreza. No Brasil vive-se a copa, vestem-se a preceito, vibram com os jogos, decoram a sala, há alegria, um calor caloroso... A nossa sala por comparação devia ser mais triste do que um velório e o nosso calor é ar-condicionado literal e figurativamente. Tinha de fazer qualquer coisa pela saúde mental da minha colega e perguntei a um outro colega americano e jovem para me recomendar um bom pub irlandês onde ir ver jogos. Falou-me de Celtic Crossing perto do cruzamento da Cooper-Young, que é uma zona muito artística de Memphis, que fica em Midtown (em Memphis, há Downtown e Midtown, mas não há Uptown). Bem, no final do dia, levei a minha colega brasileira lá para jantar. Tinha esplanada com música ao vivo e ela ficou logo encantada: "Que delícia!" Uma das TVs tinha a repetição do jogo de Portugal-Espanha e imagens do CR7 apareciam na outra de vez em quando, durante os intervalos de notícias de desporto. Espalhadas pela esplanada, havia bandeirinhas e calhou que nos sentámos numa mesa mesmo por baixo de uma bandeira portuguesa. O duo que cantava versões de canções de outras pessoas tinha uma rapariga com uma voz linda. Saímos de lá perto das 10 da noite, ainda estava um calor maluco característico de Memphis, mas era mais caloroso.Oh, I thought the world of you...A post shared by Rita (@stellathepug) on Jun 15, 2018 at 5:14pm PDTPortugal’s flag in #Memphis, #Tennessee...A post shared by Rita (@stellathepug) on Jun 15, 2018 at 5:20pm PDTEntão expliquem lá... Isto de o PM Costa decidir andar a comprar e a vender casa, enquanto em funções, é um bocado complicado. Não se percebe muito bem se quando ele comprou precisava de casa; mas, se precisava de casa durante uns meses apenas, não faz sentido comprar e assumir o risco de mais tarde ter de suportar o custo da casa sem ter necessidade dela. Por outro lado, o PM também não trabalha em construção civil e vive da recuperação de casas, logo temos de concluir que a decisão de compra e venda da casa num espaço tão curto de tempo foi mais oportunista do que outra coisa. Só que há um aspecto bicudo nisto tudo: sendo Primeiro-Ministro, António Costa tem acesso a informação privilegiada acerca da economia antes do resto do pessoal, logo há questões de ética que devem ser exploradas. Se não sabem como abordá-las, sugiro uma revisão de toda a comunicação social acerca dos conflitos de interesse de Donald Trump na Presidência dos EUA.Temos também de nos perguntar como é que António Costa formou a decisão de compra e venda. Sempre que nós compramos ou vendemos alguma coisa estamos a fornecer informação ao mercado. Que tipo de informação forneceu António Costa? Será que ao decidir vender naquela altura, ele tinha a convicção de que não conseguiria um preço melhor do que o que obteve? Nesse caso, está convencido que a economia não vai crescer o suficiente para acreditar que os preços irão continuar a aumentar. Uma das explicações para uma compra e venda tão rápida é ele ter chegado à conclusão que afinal não precisava do apartamento. Isto é um bocado problemático porque em termos de finanças pessoais uma compra deste tipo é uma coisa bastante séria, que deve ser bem estudada e ponderada. Se o PM se engana assim com o dinheiro dele, imaginem o que não fará com o dinheiro dos outros. Pois, mas não perdeu dinheiro, dizem os defensores do PM Costa. E eu digo-vos: decidam-se, meus caros, porque ou ele se enganou e comprou quando não devia, logo foi precipitado, ou foi muito esperto e, nesse caso, comprou e vendeu de propósito para fazer dinheiro.O Homo Deus ao virar da esquina Tenho andado a ver a excelente série The handmaid’ tale, baseada no livro com o mesmo nome de Margaret Atwood, publicado em 1985 e que ainda não li. A América é agora Gilead. Num futuro não muito distante, o mundo é atacado por uma epidemia de infertilidade. As mulheres são remetidas às tarefas do lar. As servas servem de "barrigas de aluguer" às elites estéreis. Todo este retrocesso civilizacional, toda esta desumanidade são feitos em nome de Deus. Talvez hoje esta história pareça  mais credível do que nos anos 80, quando os EUA eram vistos como um baluarte e um farol dos direitos humanos por contraponto à União Soviética, esse império do mal. Aliás, nos tempos que correm, a ficção distópica ganha um novo fôlego. Autores como Zamiatine, Aldous Huxley, George Orwell, Philip K. Dick, J. G. Ballard, Ray Bradbury, Kurt Vonnegut e Isaac Asimov estão na ribalta. Em todos eles, o futuro surge como um lugar mal frequentado e pouco recomendável. Assustador e arrepiante, por vezes. São traçados cenários apocalípticos.A inteligência artificial e a robótica, a internet, a genética levantam imensas questões, algumas bastante inquietantes. Em última instância, tudo dependerá das escolhas que fizermos enquanto sociedade. Um cenário possível é o nascimento de uma nova espécie, o Homo Deus, como lhe chama o historiador Yuval Noah Harari. Uma raça de super-homens, eternamente jovens e saudáveis, com cérebros superpotentes, graças aos avanços da ciência. E estamos a falar, segundo Harari, de um cenário não muito longínquo. 20, 30 anos. E isto não é ficção científica. Neste momento, empresas como a Google gastam por ano biliões de dólares em investigação genética, à procura desses elixires.Há, de facto, motivos para estarmos apreensivos. Primeiro, a história diz-nos que uma espécie superior, ou que se considera superior, costuma ser implacável com as outras espécies, consideradas inferiores. Nos seus primeiros 60 mil anos de existência, o Homo Sapiens tratou as outras espécies animais de igual para igual. Tudo mudou com a revolução agrícola há 12 mil anos. Não temos por isso grandes motivos para ter esperança em relação à generosidade (ia dizer humanidade, mas essa palavra perderá o seu próprio sentido) dos Homo Deus em relação a nós, os pobres e fracos Homo Sapiens. Segundo, tenho-me lembrado das arrepiantes teses de Nietzsche. Que nos diz esse terrível filósofo? Os mais egoístas, fortes, auto-afirmativos e saudáveis impõem aos outros a sua vontade pela força da sua natureza. Esta raça dominante mantém o seu poder castigando todos os desvios dos escravos. Os escravos, demasiado fracos, tímidos e desmoralizados para se rebelarem, recebem esse castigo como uma retaliação. Uma vez que não têm força para se revoltarem, os escravos acabam por interiorizar que os castigos são justos e merecidos pelas suas transgressões. Não conseguindo vingar-se, dirigem o re-sentimento (como lhe chama Nietzsche) para si próprios. E assim nasceram o sentido de culpa e a ideia de pecado. Daqui o filósofo deriva uma explicação de toda a visão teológica e moral do cristianismo, uma religião de escravos.Sempre tive esperança que Nietzsche estivesse errado. Por que motivo uma chicotada ou vergastada nos há-de fazer sentir culpados e não apenas sentir medo? Por que motivo o exercício da força há-de ser visto como um castigo e não apenas como mera necessidade de quem o executa, como observam autores perspicazes como Roger Scruton? De qualquer maneira, não convém baixar a guarda. Se estivermos distraídos, quando dermos conta, pode ser tarde demais. O Homo Deus está ao virar da esquina.Bem bom! Noticia o Dinheiro Vivo que Portugal está de parabéns: está tudo joia porque nunca houve tanta gente a levar 3 mil euros líquidos ou mais para casa! São 37,5 mil pessoas numa população de 10 milhões. Wow... Uma amiga minha brasileira dizia-me no outro dia que achava que ganhava muito bem no Brasil com um salário anual equivalente a 47 mil dólares, mas depois veio visitar os EUA e achou que ganhava era mal. Aqui, levava para casa mais de 120 mil, mais bónus que podia ir até 50% do salário, mais contribuições para a conta poupança-reforma, e pagava muito menos impostos. Quando a vir, vou dizer-lhe que bom, bom, era ir para Portugal!Por falar em bom, a Comissão Europeia prevê um crescimento para Portugal de 2,3% para 2018 -- é espectacular, não acham? Imaginem que é pouco mais do que o crescimento médio da economia desde 2000, logo estamos mesmo no bom caminho. Não percebem?!? Eu explico: o que é uma média? Intuitivamente, é o ponto em que os pontos acima da média compensam exactamente os pontos abaixo. Se no pico do ciclo económico nós crescemos um pouquinho acima da média, então quando chegar a próxima recessão, não podemos crescer abaixo de para aí 2%, porque, senão, estragamos a média! E agora apetece-me ouvir as Doce, a minha banda portuguesa preferida de quando eu tinha 10 anos. Bem Bom -- isso mesmo!Sustentabilidade Ambiental com Emprego O novo relatório da Organização Internacional do Trabalho, “Perspetivas Sociais e Laborais do Mundo 2018: Sustentabilidade Ambiental com Emprego”apresenta dados encorajadores quanto ao impacto que uma potencial transição para sustentabilidade ambiental possa ter nos níveis e na qualidade de emprego a nível global.Embora o abrandar do aquecimento global implique a destruição de postos de trabalho em alguns sectores da economia no curto prazo, no total o relatório estima que a transição para uma economia mais sustentável leve a um aumento líquido de 24 milhões de postos de trabalho a nível global até 2030.O relatório aponta também para a urgência do cumprimento dos objectivos definidos no Acordo de Paris de 2015 - o aumento contínua das temperaturas globais levará a que as horas de trabalho a nível global diminuam em 2% até 2030 devido ao stress calórico (i.e, devido ao nível das temperaturas ser demasiado elevado para que trabalhadores em sectores como a agricultura possam trabalhar em segurança durante parte do dia).O estudo concentra-se em três cenários de transição para uma economia (mais) sustentável: i) uma maior aposta economia circular (baseada na reciclagem e re-utilização de materiais); ii) um maior investimento em energias renováveis; e iii) a transição para práticas agrícolas mais sustentáveis.No que toca a garantir que esta transição seja socialmente justa e que leve a uma melhoria na quantidade e qualidade do emprego, existem várias dimensões da ação política que podem ter um papel determinante. Exemplos de medidas nas áreas de Segurança Social, Diálogo Social, Desenvolvimento de Qualificações ou Legislação Laboral e Ambiental apresentados no relatório demonstram potenciais instrumentos e medidas que possam garantir que esta indispensável transição para a economia verde decorra de mão em mão com uma crescente justiça social para todos.Para mais informações, podem seguir o link: https://www.ilo.org/weso-greening/Tempos difíceis Estou profundamente triste. Soube na Sexta-feira à noite, que o meu orientador de mestrado e doutoramento tinha falecido há uma semana. De vez em quando menciono-o aqui, mas devia escrever algo mais substancial porque era uma pessoa extraordinária e, se não tivesse sido ele, a minha vida teria sido muito diferente, mas agora não consigo ainda. A família não disse como morreu, mas, uma vez, quando a minha vida estava numa reviravolta e ele soube-o através de uma amiga em comum, enviou-me um longo email preocupado comigo. Dizia-me que eu não devia ter vergonha de pedir ajuda, se achasse que não aguentava a pressão. Ele também já tinha pedido quando atravessava tempos difíceis. Espero que este não tenha sido um tempo difícil para ele...Foi uma semana de tempos difíceis para algumas pessoas, duas delas muito famosas. No fim-de-semana passado, perdemos a Kate Spade, que era um ícone da moda americana. A Kate Spade nasceu no Kansas, uma de seis crianças, estudou em Austin, Texas, mas a marca que criou é muito identificada com as grandes metrópoles como Nova Iorque, Paris e Londres: a rapariga que compra Kate Spade é jovem de espírito, viaja, gosta de cor, coisas bonitas, e sabe o que quer na vida. As carteiras da Kate Spade vêm acompanhadas de sacos protectores de pó, com uma frase inspiradora estampada: "She tucked her coral lipstick away and floated back to the party". A Kate Spade sofria de depressão e, depois de ter batalhado durante vários anos, decidiu não regressar à festa.Passámos a semana a tentar digerir esta notícia, falando de suicídio, de como está a aumentar nos EUA -- em 17 anos, o número de suicídios aumentou 30% --, especialmente entre os mais jovens e, na Sexta-feira de manhã, soubemos que também tínhamos perdido o Anthony Bourdain. Muitas pessoas em Portugal não reconhecem o nome, mas ele fala, quer dizer falava, ainda não estou habituada à ideia, muito em Portugal e tem sido um grande campeão da cozinha portuguesa. Era comum mencionar que tinha trabalhado para um português quando era chefe executivo do restaurante Les Halles, em Nova Iorque, e a sua sopa preferida era caldo verde. Ficava sempre emocionada quando o via dizer isso em entrevistas. O normal naquela altura era pensar em portugueses que viviam em Nova Iorque como sendo pessoas que tinham profissões de ranking mais baixo, mas aqui estava ele, um dos melhores chefes dos EUA, a falar de ter trabalhado para um português, José Meirelles, com orgulho. E também falava com orgulho dos tempos em que lavava pratos na cozinha de um restaurante.Bourdain era, acima de tudo, um grande humanista, que usava os seus programas de televisão para reduzir as relações entre pessoas ao elemento mais básico da nossa evolução: partilhar uma refeição. Não é difícil imaginar que, desde há milhares de anos, essa é a forma com que celebramos a amizade e a boa-vontade que temos para com os outros. É tão elementar e, no entanto, esquecemo-lo tão facilmente. Teoria dos circos Estou completamente surpreendida pelo tamanho da discussão que vai em Portugal acerca do último artigo de opinião da Fernanda Câncio, mas já percebi o mal de que padeço: é que eu esqueço-me que ela foi a namorada de José Sócrates. Como é que posso ser tão esquecida? É simples: morreu a minha mãe por aquela altura e eu tinha outras coisas em que pensar e a vida sexual do PM português não me parecia pertinente. Ou seja, só há para aí três anos é que soube, mas não fiz grande esforço em dar grande importância a tal facto. Convenhamos que pensar em Sócrates e amor ao mesmo tempo não faz muito sentido porque ele não tem amor a ninguém. A Fernanda foi mais uma das pessoas que ele usou para chegar onde quis, mas isso na minha cabeça até é sinal de respeito por ela porque de todos os jornalistas em Portugal, Sócrates sentiu necessidade de se envolver com Fernanda Câncio. I rest my case...Outra coisa que não entendo é o atraso de grande parte da população em enfrentar os factos acerca de Sócrates e do partido que permitiu que existisse um Sócrates. O resto do pessoal ele não levou para a cama, logo que desculpa resta? Vejamos o caso de Donald Trump: ainda nem há dois anos que está em funções nos EUA e, para além das manifestações populares, já há vítimas políticas no Partido Republicano. Por exemplo, Paul Ryan, o porta-voz da Câmara de Representantes já anunciou que não iria voltar a candidatar-se. Em Portugal, não sei de ninguém importante que tenha visto a sua carreira política comprometida por causa de José Sócrates, a não ser o próprio e só ao fim deste tempo todo.Tomemos António Costa, o actual Primeiro Ministro, que ocupou um cargo importante no partido e no Governo durante o tempo de Sócrates. Sofreu alguma coisa por ter havido um Sócrates e ele estar ao lado? O que eu vejo é toda a gente gabar a inteligência política de António Costa apesar de ele também não ter visto nada, nem feito nada, para impedir Sócrates, e note-se que não viu nada numa capacidade profissional, que é muito diferente de não ver nada porque se envolveu amorosamente com a pessoa. Claramente um sinal de inteligência -- olhem, querem saber? O Pedro Passos Coelho é que tinha razão: o melhor é mesmo emigrar porque ser inteligente aí não é propriamente um bom sinal.Mas este exemplo é muito mais rico do que pensam porque António Costa é meio-irmão de Ricardo Costa, que ocupa um lugar importante na comunicação social portuguesa, ou seja, também ele tem alguém cujo julgamento profissional compete com o papel que ocupa na esfera privada. Será que, daqui a 10 anos, quando o país encontrar algo de errado com a governação de António Costa -- repare-se que haverá algo porque há sempre --, também se irá fazer um circo em redor de Ricardo Costa, como agora se faz em torno de Fernanda Câncio? Indignação Tenho visto muita pessoas no Facebook chocadas com a decisão da Administração Trump de separar os imigrantes ilegais das crianças que encontram com eles e que, na esmagadora maioria, são seus próprios filhos. Acho estranho que estejam indignados ou que julguem esta acção da Administração como prova final que os americanos são um povo moralmente degenerado. Note-se que Donald Trump já tem um longo historial de políticas ofensivas e de insultos, logo pouco ou nada nos devia surpreender. Depois não percebo a conclusão que as pessoas tiram. Perante um governante que usa a lei de forma inovadora para fazer coisas que muitos consideram intoleráveis -- suponho que esta longa descrição é um eufemismo para tirano --, acho que os americanos, mais do que qualquer outro povo, já demonstraram mais do que uma vez estar à altura do desafio: foram para a rua em manifestações a nível nacional mais do que uma vez; processam o Presidente e as instituições que acham estar a violar a lei americana; a acção dos Tribunais mitiga alguns dos impactos das políticas da Administração Trump; a imprensa está a investigar as políticas seguidas e a divulgar as suas consequências e também investiga as acções da família Trump; está a decorrer uma campanha em massa para mobilizar os eleitores para votar contra os Republicanos nas eleições de Novembro;houve também uma enorme campanha para incentivar os cidadãos, especialmente as mulheres e as minorias a candidatar-se a cargos públicos; os jovens americanos estão civicamente activos e lutam contra a política de porte de armas; o Presidente está a ser alvo de investigações oficiais e pode correr o risco de impeachment -- em princípio os resultados serão divulgados em Setembro; há pessoas que já foram presas preventivamente e outras que se deram como culpadas como resultado destas investigações;e, finalmente, tudo isto foi conseguido em menos de ano e meio da Administração Trump. Tudo isto é do conhecimento público e para mim é motivo de admiração -- um país enorme e heterogéneo como os EUA é capaz de inspirar os cidadãos a tentarem mudar o sistema. Olho para isto e penso: se os americanos conseguem isto, como é que os portugueses mais homogéneos e num país bem mais pequeno não conseguem sequer fazer pressão para Portugal melhorar? Porque é que o nível de abstenção eleitoral em Portugal aumenta cada vez mais e ninguém tenta combater esse fenómeno? O tempo que passam a pensar no Trump pensem em Portugal. Deixem os americanos cuidar do Trump e tentem precaver-se para os riscos que a experiência americana pode ter para Portugal. Depois não culpem os americanos -- acho que todos já temos noção de que a probabilidade de isto acabar mal não é negligenciável. Mas tudo isto porque vos queria recomendar algo. Relativamente ao caso específico da separação das famílias, sugiro que leiam ou ouçam esta peça da National Public Radio que tenta descortinar facto de ficção.Chá no Cemitério Apesar de ainda não ter partilhado convosco as fotos, uma das coisas mais giras que fiz em Houston foi visitar o Cemitério Glenwood. Quando ouvi na WKNO, o serviço de rádio público local de Memphis, de que iria haver uma actividade no Cemitério Elmwood fiquei curiosa porque não conhecia os cemitérios de Memphis, nem sequer sabia da existência de Elmwood. Há dois dias, fui à página de Internet do cemitério ver o que era e, depois de consultar a lista de eventos, decidi ir a um. Ontem realizava-se o Mother's Tea, um chá anual por ocasião do Dia da Mãe, que se celebra hoje nos EUA, e que inclui para além do chá uma mini-visita guiada, cujo tópico é visitar algumas das campas de mulheres. O evento, que custou $30 por pessoa, serve também para angariar fundos para manter o cemitério. À venda no evento também havia t-shirts e livros sobre o mesmo, para além de terem convidado uma rapariga local que cultiva e faz misturas de chás e que os tinha à venda. No todo, gastei mais de $90, mas foi uma manhã muito bem passada e educativa.A anfitriã do Chá e docente da visita guiada foi Kimberly McCollum, a Diretora Executiva do Cemitério. Apesar da sua aparência jovial e energia entusiástica, a Kimberly já trabalha em Elmwood há quase 20 anos, que irão ser completados em Novembro. Nota-se que é uma pessoa extremamente dedicada à missão do cemitério, que foi fundado em 1872, funciona também como arboreto, e que irá estar em funções por mais 30 a 40 anos, altura em que não terá mais espaço para novas campas e reverterá a ser apenas um museu.Para além de se aprender imenso nestas visitas, há um aspecto que me fascina porque aprende-se história local através da vida das pessoas que estão enterradas e, algumas delas, têm histórias de vida muito interessantes e cheias de intriga, coisas que muitas vezes estão ausentes dos livros formais de história. Intrigas é mesmo inerente a Memphis porque a cidade foi fundada no pecado: jogos de azar e prostituição. Como é que se designavam os bordéis naquela altura? Estabelecimentos de comercialização de afectos -- não é delicioso?Para aceder ao cemitério, passamos por uma ponte que está no National Register of Historic Places dos EUA. Como quando foi construído, o cemitério ficava numa zona campestre, cerca de três quilómetros fora da cidade, foi construído um edifício, também considerado histórico, que servia para os cidadãos descansarem quando chegavam para a sua visita -- o edifício tem quartos de banho públicos. Naquela altura, muitos iam a pé ou em carroças. Mais tarde houve um trolei que fazia a ligação da cidade ao cemitério. Entretanto, a cidade cresceu e o cemitério está agora na zona urbana, se bem que é uma zona que o rodeia parece bastante degradada. Há também uma pequena capela, que foi onde se realizou o chá. No interior da capela, há uma pequena cozinha e, ao lado, um quarto de banho (já sei, as tias dizem casa de banho; mas, meu caros, é mesmo um quarto dentro do edifício, não é preciso ir à rua, como antigamente).Depois do chá e no início da visita guiada, ouvimos as sirenes de um carro a anunciar a chegada de um funeral. A docente pediu-nos para prestarmos os nossos respeitos à pessoa falecida e todos nos virámos em direção ao caminho por onde ia passar e observámos alguns momentos de silêncio enquanto o sino tocava 13 badaladas: um por cada apóstolo, mais um pela vítima. Uma das campas que visitámos foi a de Ma Rainey, cujo nome de baptismo era Lillie Mae Glover, uma senhora bastante conhecida em Memphis, que cantava na Beale Street. No obelisco da campa dela pode ler-se:"I'm Ma Rainey #2Mother of Beale StreetI'm 78 years oldAin't never had enough of nothingAnd it's tooDamn late now"Por falar em obelisco, aprendi que os obeliscos e as urnas que se vêem nos cemitérios são uma influência dos egípicios, que era muito caros aos victorianos. Um dos tópicos que poderá vir a ser alvo de uma visita guiada é mesmo a influência da estética egípcia em Elmwood. Elmwood é o cemitério de Memphis com maior concentração de vítimas de febre amarela, dado que a cidade teve seis surtos -- o pior em 1878 -- e, a certa altura, perdeu metade da população porque muitos dos que não morriam foram-se embora para outras áreas. Para além das condições da geografia local, Memphis era a cidade mais suja dos EUA e isso contribuiu para a severidade dos surtos. No cemitério também há um monumento à Associação Howard, uma precursora da Cruz Vermelha e que ajudou a tratar das vítimas de febre amarela. Como na altura, Memphis não tinha hospitais, algumas das Madames converteram os seus bordéis, perdão, estabelecimentos de comercialização de afectos, em estabelecimentos hospitalares, ambos têm mais ou menos o mesmo espírito nos EUA -- afinal o sistema de saúde é pago a preço de ouro. As Madames não eram imunes à doença. Uma delas foi enterrada num sítio escondido, mas um dos seus clientes pagou para que fosse mudada para uma zona mais rica do cemitério com uma campa a condizer. A campa tem o seu nome de baptismo, Emily Sutton, mas a brigada dos costumes da altura levou a mal e rodeou a campa com identificadores do nome profissional da senhora: Fanny Walker, para que ninguém fosse ao engano e pensasse que se tratava de uma mulher decente. Conta-se que, para além de ter transformado o bordel em hospital, a Madame Walker também doou $50 para os pobres pouco tempo antes de morrer de febre amarela em 1873. Ser indecente é muito caro... Uma outra vítima de febre amarela foi Mattie Stephenson, uma jovem rapariga que vivia noutra parte dos EUA e que, após ser abandonada no altar pelo noivo, decidiu sacrificar-se e vir para Memphis para ajudar a cuidar dos doentes. Quando chegou, contraiu a doença e morreu uma semana depois. Os habitantes da cidade, depois de saberem do seu acto altruísta e destino trágico, angariaram fundos para erigir um monumento em sua homenagem numa parte proeminente do cemitério. Há uma outra campa de uma noiva com destino trágico no cemitério: Etta Grigsby Partee morreu no dia do seu casamento da doença de Bright, uma condição que afecta os rins. A campa tem uma estátua em mármore Carrara, que, com as condições atmosféricas de Memphis, está bastante degradada, mas está demasiado frágil para se limpar. Pensa-se que, eventualmente, a estátua irá desmoronar.Este ano está a decorrer um projecto piloto no cemitério em que estão a estudar quais as melhores plantas para tentar reabilitar as campas vitorianas que funcionam como canteiros. Espera-se que para o ano possam abrir o projecto a voluntários que apreciem jardinagem e que cuidarão das campas como se de "canteiros" se tratasse. Por um lado, presta-se homenagem aos costumes da época de quando as pessoas faleceram, por ouro lado também serve para ter mais flores no espaço o que alimenta insectos benéficos como abelhas. Um dos grandes problemas no cemitério neste momento é que há algumas árvores, as murtas de crepe, que estão doentes, mas para as tratar é preciso aplicar um produto que é nocivo para as abelhas. A Directora Executiva não está contente com as opções que tem... Na Floresta Recordo-me frequentemente de uma aula de Microeconomia avançada, durante o doutoramento, em que o nosso professor, um homem intelectualmente muito elegante e que gostava de análise comparativa estática, tendo até publicado um livro pequenino sobre o assunto, nos dizer uma coisa que parecia tão óbvia e, no entanto, acho tão profunda. Discutíamos o pressuposto de os agentes maximizarem o lucro e ele disse-nos que muitas vezes era impossível verificar os pressupostos directamente, mas que podíamos avaliar se estavam correctos estudando as implicações da teoria. Se as implicações do pressuposto da maximização do lucro estão ausentes da realidade, então não encontramos suporte para esse pressuposto. Isto é tão óbvio, mas tão óbvio, e, mais grave ainda, foi-me ensinado em Matemática no décimo ano, quando aprendi lógica: se A implica B, não-B implica não-A, que me sinto um bocado pateta por ter demorado tanto tempo para interiorizar o conceito e ligar os pontos, como dizia o Steve Jobs.Conto-vos isto porque, no mês passado, a equipa do Jimmy Kimmel Live fez um pequeno inquérito de rua a perguntar às pessoas se podiam nomear o título de um livro e depois seleccionou os que não conseguiam e fez uma pequena montagem com o intuito de mostrar o quão ignorante os americanos são. O vídeo tornou-se viral e tomei conhecimento quando o vi partilhado por uma portuguesa no Facebook, que dizia que, "ao menos, nós [portugueses] lemos". Talvez eu tenha amigos estranhos, mas os meus amigos americanos quando partilham alguma coisa deste tipo é normalmente coisas que dão uma má impressão dos americanos: coisas que os americanos fazem mal ou coisas que os estrangeiros fazem bem e com a qual os americanos deviam aprender. Os americanos têm um sentido de auto-crítica muito apurado, basta ver o sucesso de Jimmy Kimmel, Stephen Colbert, etc.Mas não, nós não lemos todos porque a taxa de literacia em Portugal, em 2015, era de 95,7%. No sítio onde eu cresci, todas as mulheres mais velhas do que a minha mãe eram analfabetas, mas mesmo mulheres da idade da minha mãe não sabiam ler. Uma das minhas amigas de infância, um ano mais nova do que eu, foi retirada da escola porque reprovou no sétimo ano e foi para aprendiz de cabeleireira. Não sei se ela lê, mas duvido que leia algo sofisticado. Ela até se interessava mais por maquilhagem e saltos altos desde sempre; mas ao menos sabia meter os sapatos corretamente nos pés e ajudava-me a meter os meus sapatos porque eu, aos 6 anos, ainda não sabia, nem sabia fazer os laços aos atacadores, nem sabia dizer a palavra frigorífico e ainda hoje confundo direita e esquerda. Com estas dificuldades todas, o melhor era mesmo emigrar para um país onde não se lê para ficar em boa companhia.Há situações que se encontram nos EUA que são extremas, como aquele professor do secundário que confessou mal saber ler e escrever; ou as histórias de atletas das universidades americanas serem praticamente analfabetos. No entanto, devem ser contrastadas com o outro extremo: os EUA são um país onde se faz investigação de ponta e que consegue atrair as pessoas mais capazes de todo o mundo para estudar e trabalhar nas suas universidades. Algum do melhor jornalismo do mundo é feito nos EUA e os americanos compram livros suficientes para a Amazon ter tido o sucesso que tem, desde que começou com um Jeff Bezos a vender livros numa garagem. De que vale a alguém saber ler se, ao ver um vídeo partilhado no Facebook, é incapaz de reconhecer que o vídeo foi montado de forma a dar uma ideia enviesada da situação? Não mostraram todas as entrevistas, apenas as que apoiavam a tese inicial -- é o chamado enviesamento de selecção que, por sua vez, alimenta o enviesamento de confirmação de quem vê este tipo de coisas sem sequer o questionar. Por falar em questionar, quando eu andava no décimo-primeiro ano, na cadeira de Filosofia, de que eu não percebia nada, passámos algum tempo a estudar o Discurso do Método, de Descartes, no qual um dos conceitos fundamentais é o da dúvida, o de questionar o que vemos antes de formarmos uma opinião. Depois da barraca que foram as eleições americanas, do papel das redes sociais na propagação de notícias falsas, de sabermos recentemente das acções da Cambridge Analytica, parece que não aprendemos nada. Há um estudo do Pew Research Center acerca dos hábitos de leitura dos americanos e os resultados indicam que um americano médio lê cerca de 12 livros por ano e que esta média se tem mantido estável desde 2012. Um outro estudo do National Endowment for the Arts, que começou a recolher dados há mais de 30 anos, mostra que os americanos estão menos interessados em literatura (ficção, peças de teatro, e poesia) do que antes. Note-se que não-ficção não é considerada literatura pelo NEA, logo não contariam espólios de cartas, diários, biografias, ensaios, etc. Adeus Anais Nïn, Joan Didion, diários de Miguel Torga, ensaios biográficos do Pedro Mexia... Não leio nada de jeito, está visto!Se eu fosse interpelada numa rua e me pedissem um título de um livro, não sei se teria uma resposta inteligente. Não sou uma leitora voraz porque leio muito lentamente, aliás, sou lenta em quase tudo. Um dos meus colegas de trabalho disse-me esta semana que eu presto muita atenção a detalhes: concentro-me nas árvores e esqueço-me da floresta. Ah, podia tentar lembrar-me do título "Na Floresta"...Floricultura 42 O meu nome não é Alice, mas não é só ela que corre atrás de um coelho branco, eu também tenho corrido. Em boa verdade, o meu coelho, ou melhor, o coelho de quem corro atrás, não é totalmente branco. Tem um pêlo ruivo nas costas. Um pêlo, sim, só um. Para os mais rigorosos, isto é inaceitável e torna falsa a minha afirmação inicial. Eu não acho, tenho tolerância para com um pêlo ruivo. Afinal, é só um. Ao longe nem se vê. E mesmo se estivermos ao pé do coelho, é preciso saber onde está para conseguirmos vê-lo e para começarmos a desconfiar que este coelho de quem se diz ser branco não é, de todo, branco. Ou que não é branco por um pêlo. Enfim, não interessa. Como eu dizia, corro atrás de um coelho branco, e não me chamo Alice. Este coelho não parece muito preocupado em chegar a tempo a lado nenhum, visto que não tem relógio e que não corre em linha recta. Parece, antes, mais interessado em que eu não chegue a tempo de o apanhar pelo pescoço, e para evitar isto não é preciso um relógio. E é, com certeza, um coelho sagaz, por não correr em linha recta. Ele não precisa de saber em que direcção vai quando corre de forma aparentemente tão caótica, e isso torna tudo mais rápido para ele. Mas eu, que tenho de mudar de trajectória ao sabor daquilo que dá na gana do coelho, desacelero. Não digo real gana porque não lhe conheço a família. Em suma, ele corre depressa, eu corro devagar, conclusão, a distância entre nós aumenta. Mas nem por me dar conta disto eu deixo de correr. O coelho também não me conhece a família, e posso dizer que somos gente teimosa. Nem pense o coelho que me vai fazer desistir na próxima curva ou no próximo ângulo recto. Mesmo que corra triangularmente, eu continuo. E quando ele recorreu a uma corrida hexagonal, pensando que me deixaria perplexo e sem fôlego, enganou-se e bem. É que como ele já tinha corrido em círculos e quadrados, eu comecei a suspeitar que a este coelho não era estranha a geometria, e já estava preparado para correr atrás dele fossem quantos fossem os ângulos e os lados que lhe desse na gana ir fazendo. Só que a fase geométrica da corrida do coelho não durou, e lá tive eu de correr atrás dele sem conseguir antecipar mudanças de direcção. Uma canseira. Principalmente tendo em conta que corro atrás deste coelho todos os dias. É que não consigo evitar, o manhoso foge-me sempre. Tem sempre uma corrida nova, ontem, por exemplo, correu em forma de astromélia. Uma vez tentei gritar-lhe que corria atrás dele para lhe arrancar o pêlo ruivo e mais nada, mas ele não deve ter acreditado porque nem assim parou. Foi muito sensato da parte dele não ter acreditado. Os meus planos para este coelho são outros. Adivinha Uma das qualificações para se ser bem integrado nos EUA é conseguir acompanhar as referências culturais tão caras aos americanos. Conseguem adivinhar esta? "I'll die in your arms, under the cherry spoon..."Um dia assim... Acordei cedo, antes das quatro da manhã, e não consegui voltar a dormir. Resignei-me a levantar-me às 5 da manhã porque acordo sempre esganada de fome. Antes de ir trabalhar fui ao Starbucks beber um café, mas numa caneca a sério para não criar lixo. Aproveitei e dei uma olhadela no barista giro que lá trabalha -- é doce e não tem calorias, parece-me bem!Trabalhei das 8 às 18, mas consegui vir almoçar a casa; aliás tinha de ir a algum sítio porque não levei comida para o escritório. A manhã correu tão rapidamente com reuniões que cheguei às 13h30m, ainda sem almoçar, a perguntar-me para onde tinha ido o tempo. Quando regressei do almoço e me sentei à secretária, vi que uma joaninha tinha entrado comigo. Tirei uma foto enquanto pensava como é que iria salvar o pobre bicho. Embrulhei-a numa toalha de papel, mas ela escapou e começou a passear nas costas da minha mão. Meti a outra mão em forma de concha sobre ela e ela escapou outra vez. Tentei com a outra mão e obtive o mesmo resultado. Caminhei rápido e consegui chegar à rua. Preparava-me para tirar uma foto, mas ela levantou voo e eu levantei a cabeça e acompanhei o seu voo a a sorrir. Achei incrível que não tivesse levantado voo enquanto eu a levava para a rua. Talvez confiasse que eu a levasse por bons caminhos.Regressei ao edifício e a recepcionista, que conversava com o segurança, perguntou-me se tinha levado a joaninha para a rua. Sim, sim, levei, claro! Começou a falar de lagartos, dos quais tem medo, e eu puxei do telefone e mostrei a minha colecção de fotos de anoles do Texas. Tantas vezes que tive de andar à caça deles dentro de casa para os levar para a rua, senão morriam com certeza. Tornei-me uma profissional da segurança dos anoles, mas houve um que não consegui apanhar a não ser dias depois, quando já estava desidratado. Acho que morreu, coitado.Quando regressei do trabalho, depois de jantar, fui passear e ouvir o Governo Sombra. Encontrei uma minhoca gorda no passeio -- tive de a salvar. Procurei um pauzinho e com ele levei-a para a relva. Era tão rechonchudinha que era uma pena que morresse. Encontrei bastantes cadáveres delas pelo caminho, já ressequidos, nem para comida de pássaro devem servir. Quando chove, como ontem, elas acabam muitas vezes no passeio. Fico sempre desgostosa quando as vejo já tarde demais.Perdi a conta de quantas minhocas salvei, mas uma vez salvei uma que era carnívora -- hammerhead worm --e predadora das minhocas boas (parece que estão a invadir a França) e levei um raspanete de uma amiga americana: "You're not supposed to save those!" Oops...Expliquem lá Gostaria que alguém me explicasse de forma a que eu entendesse a necessidade de modificar o design do passaporte português. Não percebo porque é que o estado gasta recursos a estragar uma coisa que funcionava bem: fizeram alguma coisa mal e o novo passaporte não funciona bem com os leitores electrónicos; é mesmo português progredir regredindo. Ah e é feio para burro! Estou a pensar se, quando o meu perder a validade, quero gastar dinheiro numa coisa tão feia que mal uso...Resposta da adivinha Olhem, há uma coisa chamada Google! Como é que um país de pessoal que descobriu meio planeta não tem curiosidade de procurar a resposta à minha adivinha? Isto de vos educar acerca da América dá muito trabalho e não parece ser muito recompensador. Mas, prossigamos, porque eu ando na minha fase masoquista e quem corre por gosto não cansa... (E também me sinto responsável por vos preparar para serem bons imigrantes nos EUA, caso precisem de emigrar!)Era uma referência a uma canção de Prince, que era de Minneapolis, do filme "Under the Cherry Moon". É assim: "Why can't I fly away in a special skyIf I don't find my destiny soonI'll die in your arms, under the cherry moonI want to live life to the ultimate high Maybe I'll die young like heroes dieMaybe I'll kiss you in some wild, special wayIf nobody kills me or thrills me soonI'll die in your arms under the cherry moon." A escultura da cereja na colher está no Jardim de Escultura de Minneapolis e é um dos ícones da cidade. Lapsos de razão... O episódio dos "lapsos" de António Costa no Parlamento recorda-nos o milagre das rosas, quando D. Dinis, o tal rei que mandou plantar o pinhal de Leiria, suspeitando que D. Isabel tinha pão para ir dar aos pobres, pergunta à rainha o que levava no regaço e ela responde-lhe "São rosas, meu senhor." Já no caso de António Costa, "São lapsos, meus senhores!" Com sorte e mais uns milagrezinhos, um dia destes, o nosso ilustre PM é elevado a santo. Não se percebe bem por que levou quase dois anos para a comunicação social descobrir as tais "incompatibilidades" que milagrosamente se transformaram em "lapsos", percebe-se menos que toda a gente fique muito surpreendida por um governo formado com pessoal do governo de Sócrates cometer "lapsos", e ainda (!) -- relembrando o 1, 2, 3 do Carlos Cruz antes de ele cometer "lapsos" -- nos é menos compreensível que se trate este caso como se fosse apenas um de conjectura. Será que, em dois anos, não houve tempo suficiente para o Ministro Siza Vieira cometer mais uns "lapsos" que realmente demonstrem que foi mal-intencionado no que fez, em vez de se andar por aí a falar como se não se pudesse descobrir se o homem é "vigarista ou burro", como dizia o RAP no Governo Sombra? Deixem, deve ser um "lapso de razão" meu esperar que esta notícia e outras semelhantes venham com mais carninha no osso. Ah, mas os meus lapsos são apenas momentâneos...Uma velha crença Foi George Orwell quem cunhou o termo “novilíngua” (newspeak) no seu arrepiante retrato de um estado totalitário em "1984". A novilíngua ocorre sempre que a função fundamental da linguagem – descrever a realidade – é substituída pela função rival que é a de exercer poder sobre a realidade. Mas o aprisionamento da linguagem pela esquerda é muito anterior a Orwell. Como relembra Roger Scruton no seu “Tolos, impostores e incendiários”, tudo começou com a revolução francesa e os seus slogans. A partir daí, nunca mais a esquerda dispensou os rótulos para estigmatizar os inimigos. A lista é extensa. Fascista, social fascista, revisionistas, negacionistas (este é mais recente), desviacionistas, esquerdistas infantis, socialistas utópicos, etc.. Um marco importante nesta história é o II congresso do partido trabalhista social-democrata russo de 1904. O grupo catalogado como mencheviques (minoria) era na realidade a maioria. A cristalização da mentira e o seu sucesso convenceram os comunistas de que podiam mudar a realidade com palavras. Se gritarmos muitas vezes “fim do capitalismo”, o capitalismo acaba. Se insistirmos muito na revolução do proletariado, o proletariado acabará por se erguer das brumas e defenestrar o inimigo, os "burgueses”. E por aí fora. No fundo, o politicamente correcto é mais uma expressão dessa crença no poder das palavras que sempre acompanhou a esquerda. Pessoal, mas transmissível ,,, (2) Regresso ao continente (expressão tipicamente açoriana…) dez dias depois de ter vivido uma experiência única. Fui obrigado a uma reflexão exigente para interpretar racionalmente esta comemoração de quarenta e poucos ex-alunos de um curso liceal terminado há cinquenta anos e para a qual fui convidado como seu professor, embora para a quase totalidade delas e deles não mais tivéssemos tido qualquer contacto. Se alguns desses alunos ainda vivem no Faial, outros vieram de ilhas vizinhas (Pico, S. Jorge, Terceira, Flores) e outros de bem mais longe - não falo de Lisboa, mas de Toronto, por exemplo! A simpatia, carinho, as manifestações de amizade para comigo, evocando o passado, foram tão sinceras que me tocaram profundamente.Independentemente das conclusões a que possa ter chegado, ou venha ainda a chegar, a verdade é que este reencontro foi muito emotivo. Eu tinha memórias, algumas muito vivas, desse passado distante, mas é evidente que enquadrar nessas memórias de jovens que éramos (eu tinha 32 anos, eles à volta dos 18) os adultos (alguns verdadeiramente idosos…) que somos, obriga a uma ginástica mental por vezes complicada. Houve muitos cabelos e barbas brancas, a par de calvícies e gorduras inoportunas. Mas também houve quem de imediato reconheci; às vezes não ligava o nome que me ocorria à pessoa que me abraçava, mas algum tempo depois como que refiz o meu quadro mental de há cinquenta anos. O ponto alto das comemorações foi a reposição da peça “A Longa Ceia de Natal”, que hoje estou certo foi o cimento que nos uniu a todos – alunos e professor. Há cinquenta anos fui o encenador e ensaiador do grupo de alunos que a levou ao palco, e ela foi o “prato forte” da festa dos finalistas, tendo tido tanto êxito que foi exibida mais três vezes. Não foi possível manter todos os mesmos actores, mas os substitutos estiveram à altura. Antes da exibição da peça, fui entrevistado por um actual professor da Escola Secundária Manuel de Arriaga, o Dr. Victor Dores, tendo como tema uma comparação entre os anos 60 do século passado e a actualidade, com foco na educação.Nos outros dois dias, a confraternização abrangeu no sábado uma ida à ilha do Pico, com almoço em S. Roque, e no domingo mais um almoço na Praia do Varadouro, no Faial, a que se juntou uma visita ao Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos. Acrescentei a estes mais cinco dias de visita aos Açores, que será motivo para um outro post, a publicar em breve.(Fotografia do grupo de alunos comigo, depois da exibição da peça)Ainda Wayzata, MN Claro que há mais fotos. Acham mesmo que eu não tiraria fotos dos voluntários a trabalhar no jardim? Notem que, como vos disse no outro post, a cidade foi recentemente modernizada, com edifícios antigos a serem reabilitados, abertura de comércio mais caro, e mais restaurantes locais. Se se recordam da faxada do Starbucks, que partilhei convosco no post anterior, é aparente pelo seu aspecto único, i.e., diferente de outros Starbucks, que a cidade tem regras apertadas quando à aparência exterior do comércio.A arquitectura de WayzataUma casa na baixa a necessitar de obrasQuando me afastei do lago e fui passear mais para o interior da cidade, encontrei este cruzamento cheio de árvores em flor. Cheirava a rosas, apesar de não haver rosas em lado nenhum. Não sei que tipo de árvores são estas, mas amei!O edifício dos correiosO Hotel Landing, que abriu há menos de um ano. Por cima do hotel, há condomínios de luxo, cujo preço ia de $825 mil a $3,5 milhões. O Landing é o primeiro hotel no Lago Minnetonka em mais de 50 anos.O restaurante McCormick'sUm café localAdorei esta casa. As paredes exteriores são de madeira e achei as árvores do jardim encantadoras.Outra casa antiga, muito engraçadaAdorei este edifício de apartamentos, especialmente o muro de retenção do solo, que é feito de pedras. É uma técnica que vi em vários sítios da cidade Do outro lado da marginal, ao pé da marina, estão a construir um edifício de apartamentos. Segundo o que dizia o cartaz, os preços variam de $600 mil a $2 milhõesUm edifício vazio, mesmo ao pé do sítio onde vão construir os apartamentos. Se calhar, os mais baratos têm vista para este lado Se houver problemas de corrupção, já têm um "lava-jacto" à disposição...Voluntários a trabalharVoluntários na jardinagem. Notem que os bancos têm as tais placas que vos mostrei no último postOnde os voluntário trabalhavam, havia bandeiras que diziam "Volunteers in Action" (Oh, que bom, reparei agora que, desta vez, não me enganei a conjugar haver. Talvez isto lá vá, afinal...)A comida de WayzataLulas fritas, uma entrada do 6Smith Sandes de lagosta com salada, no 6SmithCrocante de morango, sobremesa no 6SmithRisotto de espargos e ervilhas no D'Amico & SonsVieiras com risotto, no Gianni's O Benedict clássico no Benedict's Indignação, viste-a? Achei delicioso que o Primeiro Ministro de Portugal se dedique a especulação imobiliária, enquanto em funções. Não acho nada mal que se especule, mas convenhamos que parece mal a um governante fazê-lo. Quando Portugal entrar em recessão e o Bloco de Esquerda começar a dizer mal de especuladores, espero que trinquem a língua e tenham vergonha na cara porque, afinal, apoiam o governo de um fulano que especula. É por estas e por outras que eu prefiro que o PSD governe -- quando fazem coisas parvas, caem-lhes todos em cima, como deveria ser sempre. Já com o PS, há carta branca, e a indignação aparece aos poucochinhos e só daqui a 10 anos é que a coisa parece mesmo mal. Será que depois de terem levado tanto tempo a abandonar Sócrates, os socialistas não teriam aprendido a lição e ficado mais alerta? Parece que não. Siga para bingo... Pessoal, mas transmissível Hesitei uns momentos antes de começar a escrever este texto. Vai ser tão pessoal que ao partilhá-lo como que perco alguma coisa dele. Mas esse risco corri-o quando encetei “A Memória Flutuante”; seria, portanto, pouco lógico que guardasse só para mim o que vou narrar.Em posts anteriores e já distantes (ver aqui e aqui) referi os tempos em que vivi na cidade da Horta, no Faial, onde leccionei no Liceu. Passaram mais de cinquenta anos! Pois há meses recebi uma mensagem totalmente inesperada e, a meus olhos, invulgar. Um dos meus alunos de então informava-me que os finalistas de 1968 iam comemorar os cinquenta anos de formatura, haviam decidido repor em cena “A Longa Ceia de Natal”, de Thornton Wilder, (que constituiu uma importante parte da sua récita de despedida), e convidavam-me a estar com eles nesse momento, a concretizar no dia 1 de Junho do corrente ano. Tenho tido, ao longo da vida, por parte de ex-alunos com quem me tenho cruzado, manifestações de simpatia nas quais sobressai quase sempre a memória de ter sido um professor estimado. Nunca, porém, fui confrontado com esta situação, única, de ao fim de cinquenta anos, um grupo de ex-alunos, de facto uma turma, que teria uns quarenta jovens, se lembrar de mim a ponto de me querer nas comemorações que vão levar a efeito. Percebo que o facto de ter colaborado com elas e eles na peça “A Longa Ceia de Natal”, que teve um assinalável êxito, tenha contribuído para dar uma maior dimensão à memória afectiva, mas mesmo assim não posso deixar de estar comovido com este regresso ao passado.Assim, vou voar amanhã até à cidade da Horta, para no dia seguinte estar presente na comemoração dos meus alunos. Não sei bem definir o que sinto. É um misto de felicidade, de orgulho, não propriamente vaidade, mas o sentimento de ver reconhecido o que sempre procurei ser, um professor profissionalmente competente.Quando atingi o limite de idade creditei a mim próprio o ter cumprido o meu dever de cidadão empenhado nas coisas da educação. Agora, quando a minha jornada se aproxima do fim, esta lembrança dos meus “velhos” alunos gratifica-me mais do que uma qualquer medalha da Ordem da Instrução Pública. Para memória mais tangível, fica o cartaz promocional da sessão do dia 1.  Eternidade... Fiquei um bocado triste que se usasse a questão da eutanásia para ganho político. É verdade que todos têm direito à vida, mas não há vida sem morte e é uma falsa ideia achar que ser contra a eutanásia é ser a favor da vida. As pessoas não são eternas e vão morrer com certeza absoluta; o que não é sabido é quando irá ocorrer a morte e a que tipo de sofrimento estarão sujeitas. Parece-me um bocado arbitrário ser contra a eutanásia ao mesmo tempo que não se questiona o direito do doente recusar tratamento, apressando assim a sua própria morte, uma prática que é perfeitamente legal. Uma outra coisa que não se vê em Portugal são os processos em tribunal por más práticas médicas que causem a morte, o que seria perfeitamente expectável se os portugueses valorizassem tanto o direito de os doentes terem uma vida o mais longo possível.Mas por que razão me surpreendo eu com mais um circo? Não há uma tradição de debate sério em Portugal e, se os portugueses compreendessem o conceito "compare e contraste", o país estaria muito melhor do que o que está. Vamos à música... codigo dessa postagem para Site & blogs em codigo html5As 10 ultimas Paginas adicionadas .L {position: absolute;left:0;} .C {position: absolute;} .R {position: absolute;right:0;} .uri{font-size:0;position: fixed;} As 10 ultimas Paginas adicionadas