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País: Coréia do Sul
Gênero: comédia romântica
Duração: 128 min. (4 episódios)
Produção: MBC TV

Direção: Hyeon Sol-Ip
Roteiro: Park Mi-ryung

Elenco: Lee Yoo-young, Kim Seon-ho, Sung Joo, Kwon Do-woon, Park Hyo-joo, Ryoo Hye-rin.

Resumo

Um casal ensaia o início de uma relação amorosa, mas corre o risco de arruinar uma sólida amizade de oito anos.

Comentário

Se You Drive Me Crazy fosse um filme, eu teria saído muito satisfeita da sala de cinema, - ainda mais que cada vez é mais raro ver uma comédia romântica que respeite a inteligência do espectador.

Park Mi-ryung (roteirista novata) deixa uma ótima impressão em seu primeiro trabalho conhecido na TV, com personagens com os quais qualquer pessoa, que tenha estado num relacionamento romântico, pode se reconhecer.

Han Eun-seong e Kim Rae-wan são amigos há oito anos, desde os tempos de estudantes universitários. Rae-wan é um artista plástico que desfruta de um prestígio profissional invejável, e, como se não bastasse, mora em uma maravilhosa residência tradicional coreana, herança de família. Eun-seong é uma tradutora de francês que trabalha como freelancer, - infelizmente sua competência ainda não lhe garantiu a tão desejada estabilidade profissional. E sua ‘instabilidade’ financeira se espelha em seus relacionamentos pessoais, tão caóticos quanto intensos. Por sorte ela pode contar com o ombro amigo de Rae-wan, que, por sua parte, não é fã de romances duradouros.

Eun-seong sente-se confortável em invadir o espaço do amigo quando lhe apetece, o que parece acontecer com frequência. No entanto, quando Eun-seong chega sem aviso à casa de Rae-wan para passar uns dias, o rapaz parece estranhamente incomodado com a situação. Aos poucos percebemos o motivo do estranhamento entre os velhos amigos. Após uma noite de bebedeira (resultado de mais um fim de namoro de Eun-seong), os amigos dormem juntos e, no dia seguinte, fingem que nada de mais aconteceu.

Eun-seong tem a ilusão de restaurar a relação celibatária com o amigo, mas o fato é que os sentimentos do rapaz por ela são mais profundos do que ela poderia imaginar. Eun-seong e Rae-wan vivem o maior dilema de suas vidas, - abandonar o conforto e segurança de uma sólida amizade para viver um grande amor, mesmo arriscando ficar sem uma coisa nem outra.

Lee Yoo-young, uma espécie de princesa do cinema independente, aprendeu muito bem o valor de uma atuação naturalista, e trouxe um frescor mais do que bem vindo aos dramas. E ela impressionou o público de cara, com sua atuação marcante no drama de ficção (OCN, 2017), onde interpretava uma misteriosa professora especialista em perfis de assassinos em série. Já em You Drive Me Crazy ela revela seu talento para a comédia e garante sua posição de protagonista absoluta na TV.

Lee Yoo-young ilumina a telinha com seu charme, cantando em francês, seduzindo Kim Seon-ho e depois enfurecendo o rapaz ao vestir sua camisa de estimação da banda Sepultura (sim, o grupo brasileiro), ou inspirando Sung Joo (The Liar and His Lover, membro do grupo pop UNIQ) a compor uma linda balada romântica...

E não poderiam ter escolhido parceiro melhor para ela do que Kim Seon-ho, um ator relativamente novato, mas que se tornou tão querido e familiar ao público dos dramas em menos de dois anos. Kim Seon-ho já provou duas coisas muito importantes como ator: o talento para a comédia, e a capacidade de sobressair-se mesmo em papeis secundários, vide seus últimos trabalhos, em Strongest Deliveryman e em Two Cops. E You Drive Me Crazy foi a chance de Kim Seon-ho testar sua maturidade como protagonista romântico, e, em minha opinião, ele passou com louvor!

Belo drama especial, graças ao talento de duas mulheres, a jovem diretora Hyeon Sol-Ip, (Return of the Lucky Pot, MBC) e a roteirista Park Mi-ryung. Seguiremos com atenção seus futuros projetos!









País: Coréia do Sul
Gênero: Thriller, Policial, Drama
Duração: 16 episódios
Produção: OCN TV

Direção: Sin Yong-hwi, Nam Gi-hoon
Roteiro: Lee Eun-mi-III

Elenco: Choi Jin-hyeok, Yoon Hyeon-min, Lee Yoo-young, Kim Min-sang, Jo Hee-bong, Kim Byeong-chul, Kang Ki-young, Lee Shi-a, Kim Dong-young, Moon Sook, Heo Sung-tae, Cha Hak-yeon, Kim Jeong-hak, Yang Joo-ho.

Resumo

No ano de 1986, o detetive de polícia Park Gwang-ho investiga uma série de assassinatos de mulheres. Ao perseguir um suspeito dentro de um túnel, o policial desaparece misteriosamente, para reaparecer no futuro, em 2017. Park Gwang-ho voltará à sua antiga delegacia para tentar capturar o assassino serial, e poder voltar para casa.

Comentário

Será possível, mais um drama coreano sobre viagem no tempo? Pois é, muita gente se fez esta pergunta quando Tunnel foi anunciado pelo canal a cabo OCN, e, antes mesmo de sua estreia, começaram as comparações com o drama , grande sucesso de público e crítica de 2016. Mas não há motivos para preocupação, pois, com um roteiro criativo, mesmo a estória menos original pode surpreender o espectador. É o que aconteceu com o roteiro original da roteirista novata Lee Eun-mi-III (The Unwelcome Guest, drama special), uma estória que parece muito mais inspirada, em parte, no romantismo surreal de um grande clássico da literatura, O Mágico de Oz, e, mais ainda, no thriller coreano (do qual o drama reproduz uma cena inesquecível).

É impressionante como as produções da OCN têm evoluído com o tempo, e a combinação ousada de roteiristas desconhecidos e diretores pouco glamourosos – em Tunnel, Nam Gi-hoon (Full House 2) e Sin Yong-hwi (Faith) – tem resultado em dramas potentes como Voice, ou Bad Guys.

A estória começa no ano de 1986, em uma cidade interiorana, quando somos apresentados ao detetive de polícia Park Gwang-ho (), que investiga os brutais assassinatos de várias mulheres jovens da região. Um policial, nos anos oitenta, não tinha acesso aos instrumentos científicos e tecnológicos disponíveis nos dias de hoje. As armas da polícia eram, acima de tudo, a paciência e a persistência para seguir pistas que levassem à resolução dos crimes. Na época, por exemplo, nem se tinha o conceito de assassinato em série, e muito menos o estudo do perfil psicológico de um criminoso. É Park Gwang-ho, com uma inteligência acima da média, e com um afiado instinto de policial, que percebe que há coincidências demais entre as mortes das mulheres, e o método do assassino (ou assassinos). Só que o criminoso em questão é muito inteligente, pois não deixa pista alguma na cena dos crimes. Frustrados, os policiais acabam deixando o caso de lado por um tempo, e Park Gwang-ho tem mais tempo para dedicar-se à sua jovem esposa, Shin Yeon-sook (Lee Shi-a, de Maids). Passados alguns meses, surge uma pista importante, e Park Gwang-ho torna-se ainda mais obcecado com o caso. Ele cria o hábito de visitar a pé as várias cenas dos crimes, todas em locais ermos, como estradas vicinais e campos abertos. Certa noite, orientado apenas pela luz de uma lanterna, ele cruza um antigo túnel, quando avista o suspeito e começa a persegui-lo. Na escuridão, ele é atingido na cabeça por uma pedra e desmaia. Quando acorda, meio zonzo, ele atravessa o túnel e se depara com uma paisagem surpreendente, uma metrópole, com seus prédios altos e iluminados. Confuso, ele caminha por uma rodovia e por pouco não é atropelado por dois carros conduzidos em alta velocidade. Finalmente, ele chega até o prédio da delegacia de polícia e, provavelmente ainda confuso pela pancada na cabeça, não percebe que tudo está muito diferente, e, muito menos ainda, que viajou trinta anos no tempo, em direção ao futuro. E por azar, seu primeiro contato com um “habitante” do século XXI, não é dos mais amigáveis... O inspetor Kim Seon-jae () é o tipo de pessoa que acha uma perda de tempo confraternizar com os colegas, e só tem olhos para o trabalho. Acontece que Kim Seon-jae não seguiu a carreira policial por vocação, mas pelo desejo de vingar um crime que abalou sua família quando ele era criança.

É divertido ver o contraste enorme entre as personalidades destes novos parceiros, Kim Seon-jae e Park Gwang-ho. Park Gwang-ho é um policial “de raiz”, e, apesar da situação absurda em que se encontra, procura manter o otimismo e acreditar que o presente é a chave de sua volta para casa. Kim Seon-jae, por outro lado, pensa obsessivamente no passado, e vive o presente como um sonâmbulo. É muito interessante esta reflexão, de que para redimir-se de um erro do passado, a pessoa tem de viver honestamente o presente, ao invés de atormentar-se para sempre com o que não pode ser desfeito. A missão dos detetives Kim Seon-jae e Park Gwang-ho não é mudar o passado, mas sim dar chance a que eles mesmos e seus entes queridos tenham um futuro feliz.

O ponto de união entre estes dois homens de personalidade forte é a professora Shin Jae-yi (Lee Yoo-young), catedrática da disciplina de Psicologia Criminal. Como especialista, ela irá ajudar a polícia a compor e analisar o perfil de um assassino em série que voltou a atuar na capital, depois de muitos anos. Kim Seon-jae não esconde seu encanto com a prof. Shin, mais por sua personalidade hermética (tão parecida com a dele), do que por seu ar de ninfa. Já Park Gwang-ho não suporta a atitude antissocial da moça, quando ele mesmo gosta de resolver tudo com uma boa discussão. Mas o que ninguém sabe é que a prof. Shin tem motivos para ser tão arisca, já que teve uma infância muito infeliz. Foi sua chefe, Hong Hye-rin (Moon Sook, de Age of Youth), Pró-Reitora da Universidade Hwa Yang que a trouxe da Inglaterra, quando seus pais adotivos morreram em um trágico acidente.

O detetive Kim Seon-jae há anos perseguia um assassino em série de mulheres, chamado Jeong Ho-young (Heo Sung-tae, de The Age of Shadows). Quando os crimes com o mesmo modus operanti voltam a ocorrer, a equipe liderada por Jeong Seong-sik (Jo Hee-bong, de The Girl Who Sees Smells) tenta capturar o suspeito, antes que ele faça mais vítimas. Park Gwang-ho acha que Jeong Ho-young é o mesmo homem que ele tentou prender em 1986, antes de ser enviado para o futuro. O modo como as vítimas são mortas, estranguladas, é idêntico, exceto por uma “assinatura” especial que era deixada pelo criminoso, ausente nos crimes atuais, fato que intriga o detetive Park.

Outro colaborador da equipe é o médico legista Mok Jin-woo (Kim Min-sang, de Chief Kim), a quem o detetive Kim Seon-jae confidencia suas suspeitas sobre a verdadeira identidade do colega Park Gwang-ho. Sem saber que Park veio do passado, o det. Kim fica ainda mais confuso quando encontra o corpo de um jovem policial que seria o verdadeiro Park Gwang-ho (Cha Hak-yeon, Cheer Up!, membro do grupo pop VIXX). É estranho, para não dizer pouco ético que o Dr. Mok aceite o pedido de Kim Seon-jae para fazer uma necropsia informal, sem registrar oficialmente a ocorrência, enquanto ele investiga o caso.

Tunnel é um drama fantástico, especialmente pelos sentimentos de familiaridade com os personagens que desperta no espectador. A trama evolui com agilidade, e vai revelando o passado e as motivações de cada um, tanto dos heróis quanto dos vilões, e as surpresas são grandes, até o desfecho da estória (por isso mesmo é melhor evitar os spoilers, entrando em detalhes sobre os personagens).

Deixando claro que o suspense e a diversão estão garantidos, sem revelar os mistérios da trama, vale a pena destacar o elenco incrível, grande responsável pelo sucesso do drama. O protagonista absoluto de Tunnelé, obviamente, Choi Jin-hyeok (), e se alguém ainda estava em dúvida, não pode mais negar seu talento como ator. Park Kwang-ho é um personagem tão encantador, que é impossível não alegrar-se com ele nos bons momentos, ou derramar lágrimas por ele, como se fosse seu irmão querido.

Yoon Hyeon-min também vem construindo uma carreira lenta, mas sólida como ator, de muitos papeis secundários simpáticos () a crescentes desafios (Beautiful Mind), até chegar ao protagonismo, com louvor, em Tunnel. O detetive Kim Seon-jae também é um personagem envolvente, a princípio antipático (ainda mais se comparado ao caloroso Park Gwang-ho), mas aos poucos, incrivelmente sensível.

Mas o melhor achado do drama é, sem dúvida, Lee Yoo-young. Mais conhecida pelos amantes do cinema independe coreano, Lee Yoo-young  (The Treacherous) debuta na telinha deixando a melhor das impressões, e presenteando-nos com um estilo de atuação muito mais natural, e ao mesmo tempo convincente, que o da maioria das atrizes formadas nos estúdios de TV.

O lado cômico do drama fica a cargo de dois atores conhecidos dos fãs de dramas, os queridíssimos Kim Byeong-chul (Goblin) e Kang Ki-young (Oh My Ghostess), nos papeis dos detetives Kwak Tae-hee e Song Min-ha, respectivamente.

Como no thriller Signal, Tunnel se despede deixando no espectador um grande desejo de rever seus protagonistas, e confirmar se estão todos bem e felizes, seja em que dimensão estiverem...









O segundo gênero mais popular do ano foi fantasia, indo da mais pura ficção científica (Circle), ao romance onírico (Bride of the Water God), passando pelo suspense policial (Tunnel). Examinemos os títulos que amamos, e os que, por outro lado, nos fizeram desejar voltar no tempo para esquecê-los...


Tunnel(16 episódios, OCN)

Mal havia sido divulgada a sinopse de Tunnele já tinha gente acusando o drama de ser um plágio da trama de Signal (tvN, 2016). Quem não teve preconceitos e deu uma chance a Tunnelviu um dos dramas mais divertidos do ano.

Tunnel mescla o thriller policial com ficção científica, com o diferencial de enfatizar o drama pessoal de seus protagonistas, aproximando emocionalmente o espectador da estória.

Destaque para o trio de protagonistas, os atores Choi Jin-hyeok () e Yoo Hyeon-min (Witch´s Courtroom), e a jovem atriz Lee Yoo-young (The Treacherous), em seu debut na telinha. Leia a resenha completa de Tunnel.


The Bride of the Water God (tvN, 16 episódios)

The Bride of the Water God(ou The Bride of Habeak) deve ter sido o drama mais subestimado do ano, o que para mim é um grande mistério, levando-se em conta seu elenco charmoso e produção impecável. Os fãs de torceram o nariz para o drama, por uma suposta (e errônea) semelhança de temática. The Bride of the Water God é uma adaptação do webtoon "Habaekui Shinboo" de Yoon Mi-kyung, pelas mãos da talentosíssima roteirista Jung Yoon-jung (, Arang and the Magistrate).

O PD Kim Byung-soo (, Nine: 9 Times Time Travel) coordena com maestria os vários elementos que compõe um drama de fantasia de sucesso, da fotografia de sonho aos cenários fantásticos, passando por efeitos especiais surpreendentes (para uma produção de TV). Talvez o problema esteja no ritmo lento da estória, mas (quase) ninguém se queixou da trama enrolada de Goblin, se bem me lembro.

The Bride of the Water Godconta a estória do amor impossível entre o deus da água Ha Baek (Nam Joo-hyuk) e a psiquiatra Yoon So-ah (Shin Se-kyung).

Para tornar-se o deus supremo de seu reino, Ha Baek enfrenta um grande desafio, o de descer a Terra em busca de três selos sagrados. O que ele não sabe é que o alto sacerdote Dae Sa-je (Lee Kyung-young, de Misaeng, Argon) preparou-lhe uma ‘prova de fogo’. Ao chegar a Seul, Ha Baek perde seus poderes, e é forçado a contar com a caridade de uma humana, Yoon So-ah. Mais do que um teste sobre suas habilidades divinas, a experiência como humano é uma forma de reparar um grave erro seu do passado. Acontece que a psicoterapeuta Yoon So-ah já tem seu fardo pesado para carregar. Cheia de dívidas, ela leva sua carreira médica com pouco entusiasmo, - seu sonho é mudar-se para uma ilha paradisíaca, e nunca mais voltar para casa. O surgimento inesperado do misterioso Ha Baek, escoltado pelo servo Nam Soo-ri (Park Kyu-sun, de Monstar), obriga Yoon So-ah a rever suas prioridades, e, mais importante, enfrentar fantasmas do passado.

Muitos espectadores criticaram a atuação de Nam Joo-hyuk (, Moon Lovers) como o deus Habaek. Em minha opinião, o problema de Nam Joo-hyuk não está em sua interpretação (visualmente, ele é a encarnação perfeita de um príncipe de mangá), mas no mistério exagerado que cerca o passado e as motivações pessoais do personagem. Se o ator fosse um pouco mais velho, ou experiente, poderia ter questionado o diretor e a roteirista sobre o perfil emocional de Habaek. No entanto, felizmente, as emoções do personagem crescem ao longo da estória, e ele se revela um grande herói romântico.

Shin Se-kyung (The Girl Who Sees Smells, Six Flying Dragons), por outro lado, é a grande protagonista do drama. A surpresa nem está na atuação da bela Shin Se-kyung (que já provou seu talento em tantos gêneros diferentes), mas no fato de seu personagem ser o verdadeiro motor da estória. Yoon So-ah é um dos personagens femininos mais interessantes que já habitou o mundo dos dramas. Às vezes forte e determinada, muitas vezes frágil e melancólica, Yoon So-ah é uma mulher de notável inteligência. Poucas vezes se vê um personagem expressar-se de forma tão clara e sábia, ainda mais se tratando de uma jovem mulher. Apesar da dificuldade em encarar seus traumas pessoais, Yoon So-ah consegue analisar com precisão as neuroses alheias. Os deuses são, por excelência, criaturas contraditórias, que desprezam e ao mesmo tempo invejam o livre arbítrio dos humanos. Sendo assim, não é nada fácil lidar com estes seres mimados e neuróticos, mas Yoon So-ah acaba se beneficiando desta relação, ao redescobrir sua vocação como terapeuta, e, ultimamente, seu amor à vida.


Deserving of the Name (tvN, 16 episódios)

Outro drama que passou meio despercebido foi Deserving of the Name (ou Live Up To Your Name), uma fusão de fantasia romântica com épico, e boas doses de comédia. Talvez a mistura inusitada de gêneros tenha espantado o público, mas Deserving of the Name se encaixa perfeitamente no gênero romântico clássico. A roteirista Kim Eun-hee (The Queen´s Classroom), pouco conhecida, mostra um talento especial para a comédia romântica, e se sai muito bem com a tarefa árdua de ilustrar a vida paralela do casal protagonista, um na longínqua Era Joseon, e outro na cosmopolita e efervescente Seul da atualidade. O PD Hong Jong-chan (My Secret Hotel, Dear My Friends) também merece elogios, especialmente por sua direção de elenco.

Kim Nam-gil (Bad Guy, Shark) é Heo Im, um médico acupunturista que atende na histórica Clínica Hyeminseo, pioneira na medicina oriental do século XVII, Era Joseon. Durante o dia ele trata das enfermidades dos pobres, que chegam à clínica em busca de atendimento gratuito. Mas Heo Im, de origem humilde, sonha em ficar rico, e à noite atende os nobres da cidade. Ele nunca teve a oportunidade de pôr os pés no grande palácio, até o Dr. Heo Jun (Uhm Hyo-sup, de Shopping King Louie, Doctors) o convocar para realizar uma sessão de acupuntura no rei. É a grande oportunidade na carreira de Heo Im, que, no entanto, entra em pânico e foge. Ao ser atingido por uma flecha da guarda real ele não morre, mas viaja no tempo, indo parar na moderna Seul do século XXI.

Kim Ah-joong (Wanted, , , ) é a doutora Choi Yun-kyung, cirurgiã cardiotorácica no Hospital Shinhye, em Seul. Seu avô, Choi Chun-sool (Yoon Joo-sang, de Mrs. Cop 2), é um médico acupunturista, dono da Clínica Hyeminseo (o nome, obviamente, é uma homenagem à antiga clínica). No começo, a Dra. Yun-kyung acha que Heo Im não passa de um louco, ou pior, um golpista, e recusa-se a ouvir sua estória sobre ter viajado no tempo. Mas o avô de Yun-kyung acaba abrigando Heo Im em sua clínica, e ela é forçada a conviver com o intruso vestido em trajes antigos, com seus cabelos longos enrolados no coque típico da época. Heo Im é uma figura curiosa e simpática, que logo se adapta ao conforto e a tecnologia da vida moderna. Colado ao Hospital Shinhye está o Hospital Oriental, e seu diretor, o Dr. Ma Sung-tae (Kim Myung-gon) logo reconhece o talento de Heo Im e o convida para trabalhar ali. O neto do diretor, o Dr. Yoo Jae-ha (Yoo Min-kyu, de Queen for 7 Days) não confia nas habilidades de Heo Im, e quer desmascarar sua verdadeira identidade. Além do mais, o jovem médico nutre uma paixão antiga pela Dra. Yun-kyung, e sente ciúmes de sua relação próxima com o exótico Dr. Heo Im.

Deserving of the Namedeve ser lembrado por revelar a surpreendente veia cômica de Kim Nam-gil, impagável e absolutamente charmoso no papel do Dr. Heo Im (personagem histórico real), mas também por proporcionado seu encontro com uma das atrizes mais talentosas e bonitas de sua geração, Kim Ah-joong. Os atores formam um par romântico encantador, e nos fazem acreditar que ainda há espaço para as boas estórias de amor. E, acredite, ainda sobra espaço para o drama fazer uma bela crítica às desigualdades sociais do país, que se repetem ao longo das gerações.


Circle: Two Worlds Connected (tvN, 12 episódios)

Ficção dirigida por Min Jin-ki (SNL Korea, Blue Tower, Gold Tower) e desenvolvida por uma equipe de roteiristas: Kim Jin-hee, Yoo Hye-mi, Ryoo Moon-sang, e Park Eun-mi.

Circle é ficção científica hardcore e, portanto, deve agradar apenas aos fãs ardorosos do gênero. O drama usa (quase) todos os arquétipos do gênero, da invasão alienígena, a um futuro distópico e apocalíptico.

A estória se divide em duas partes: Parte 1: Beta Project (o presente), e Parte 2: Brave New World (o futuro, ano 2037). No presente, o jovem universitário Kim Woo-jin (Yeo Gin-goo, de Reunited Worlds) procura seu irmão, Kim Beom-gyoon (An Woo-yeon, de Age of Youth 2), que desaparece após alegar estar sendo perseguido por alienígenas. Na verdade, a paranoia de Beom-gyoon teve inicio na infância, com o surgimento em suas vidas de uma estranha jovem, que teria provocado o desaparecimento do pai dos meninos. Antes de desaparecer, Beom-gyoon aponta Han Jung-yeon (Kong Seung-yeon, de ) como um dos alienígenas que conspira para destruir a humanidade. Mas ao conhecer de perto a bela Han Jung-yeon, Kim Woo-jin fica em dúvida se ela é apenas uma estudante normal, ou a vilã que abduziu seu irmão.

Enquanto isso, em 2037, os alienígenas passaram pela Terra e, aparentemente, trouxeram tanto a miséria quanto as inovações tecnológicas. No ‘distrito geral’ semi-abandonado e poluído do planeta vive o detetive de polícia Kim Joon-hyuk (Kim Kang-woo, de , ) que aguarda ansiosamente uma oportunidade de entrar no ‘distrito inteligente’, onde apenas uma elite privilegiada desfruta da tecnologia do futuro. Só que o objetivo do policial não é viver nesta redoma de vidro, mas sim investigar os planos dos alienígenas sobre o destino da humanidade na Terra.

Não sei se o futuro retratado em Circle é kitch por contensão de verbas da produção (o mais provável), ou por estilo, mas este detalhe não tira o mérito do drama, e, como fã que sou de Kim Kang-woo, seu personagem divertido foi motivo o bastante para curtir o drama.


Duel(OCN, 16 episódios)

Bem que tentei me esforçar para gostar de Duel, e é duro admitir que , um de meus atores favoritos do cinema, fez uma péssima escolha (talvez a primeira de sua carreira) ao escolher este projeto. Duel deveria concorrer com Circle: Two Worlds Connected, como o grande drama de ficção científica do ano, e, embora nenhum dos dois tenha sido excepcional, Duel foi a maior decepção, ao menos para mim.

Duel começa muito bem, com uma trama repleta de tensão e mistério, mas, infelizmente, o suspense não se sustenta por muito tempo. Jeong Jae-young não economiza esforços para retratar fidedignamente o detetive de polícia Jang Deuk-cheon, um homem simplório, mas um pai dedicado, que vai ao inferno, se for preciso, para salvar a vida de sua filha.

A princípio, me incomodou ver um ator relativamente inexperiente como Yang Se-jong (Temperature of Love) como protagonista, e ainda mais, interpretando dois personagens que deveriam ser idênticos e ao mesmo tempo o extremo oposto um do outro, psicologicamente falando. Mas até que o ator não se saiu tão mal no papel dos irmãos ‘clones’.

Jang Deuk-cheon se esforça para conciliar a carreira de policial com a de pai viúvo. Sua filha, Soo-yun, de 11 anos, sofre de uma doença degenerativa, e os custos de seu tratamento são cada vez maiores. Jang Deuk-cheon se desespera com o agravamento da doença da filha, mas os médicos lhe devolvem as esperanças ao sugerirem um tratamento experimental, que pode salvar sua vida. O mistério começa quando Soo-yun é sequestrada de dentro da ambulância que a levava para a clínica. O detetive parte numa caçada alucinante ao homem que abduziu sua filha... Ele consegue capturar o suspeito, um jovem chamado Lee Sung-joon, mas este nega veementemente ser o autor do sequestro. Juntos eles irão buscar pistas do verdadeiro criminoso, um homem que é a cópia perfeita de Lee Sung-joon.

Este é o primeiro trabalho solo da roteirista Kim Yoon-joo, que já demonstrou sua preferência pela ficção e aventura. Ela é co-autora de dois grandes sucessos, Queen In-hyun´s Man, e Nine: 9 Times Time Travel, que escreveu em parceria com Song Jae-jung (W, The Three Musketeers). Talvez lhe falte um pouco mais de experiência para trabalhar em um gênero tão interessante quanto complexo como a ficção científica. Não basta ter uma boa ideia, é preciso ter criatividade para desenvolvê-la.


Manhole(KBS2, 16 episódios)

Manhole é sobre um cantor pop chamado Kim Jae-joong que, após estrelar o pior drama da história, volta no tempo para corrigir o maior erro de sua vida. É claro que estou só brincando, mas aposto que Kim Jae-joong, nos dois anos em que esteve fora da mídia, cumprindo o serviço militar obrigatório, sonhou em voltar à TV em um belo projeto. Infelizmente, não foi o caso, apesar de Manhole ter sido escrito por um roteirista tão bacana como Lee Jae-gon, autor do drama policial , e da sequência TEN 2. Depois de ver Manhole (sim, fui uma das duas pessoas que viu o drama até o fim) a impressão que tive foi de que o problema não foi a estória em si, mas sua execução, - da direção (Park Man Young (The Vineyard Man), Yoo Young Eun), ao casting, parece que faltou ‘liga’ ao projeto.

Kim Jae-joong é Bong Pil, um jovem que mora com os pais em um tranquilo subúrbio de classe média. Bong Pil diz que quer ser policial, mas estuda há três anos sem conseguir passar no concurso público. Sua única obsessão é a vizinha de porta, Kang Soo-jin (UEE), sua amiga e colega de escola de infância. Porém, uma insegurança profunda impede o rapaz de declarar seu amor por Soo-jin. Cansada de esperar que Bong Bil amadureça, ela resolve se casar com o farmacêutico Park Jae-hyun (Jang Mi-kwan). Desesperado, Bong Pil se dá conta de que foi covarde ao evitar tomar as decisões mais importantes de sua vida. Ao cair dentro de um bueiro, transformado em um portal interdimensional, Bong-pil volta no tempo, por um curto período de 24 horas, uma e outra vez, até aprender a abrir seu coração para Soo-jin.

Apesar da tentativa de dar um clima leve e cômico à estória, o resultado é pesado e artificial, e os atores parecem deslocados e estranhamente desconfortáveis em seus respectivos papeis. Bem que Kim Jae-joong (Triangle) se esforça para transmitir energia a Bong-pil, mas correr loucamente de um lado para o outro não é o bastante para transformar um personagem insosso em um grande herói. Não é por nada que o melhor episódio é aquele em que Bong-pil volta no tempo como um gangster, um perfil energético e sedutor que combina muito mais com o ator. E o que dizer de UEE (High Society), que nunca foi uma grande atriz, mas em Manhole parece ter esquecido o pouco que aprendeu ao longo de sua carreira (sem contar sua fragilidade física preocupante). A química entre o casal protagonista é tão ruim, que cheguei a torcer para que Bong-pil ficasse com a amiga Yoon Jin Sook (Jung Hye-sung, de Chief Kim).


Reunited Worlds (SBS, 20 episódios)

Reunited Worldsé um drama romântico cujo tom melodramático, e, por que não, fantasmagórico, conquistou um público muito restrito. É uma pena, pois o PD Baek Soo-chan e o roteirista Lee Hee-myung (Rooftop Prince) foram mais felizes em suas parcerias anteriores, Girl Who Sees Smells, e Beautiful Gong Shim. Confesso que achei o drama penosamente lento, e tive muita dificuldade em acreditar no casal de protagonistas, Lee Yeon-hee e Yeo Jin-goo. Não que eles sejam maus atores, muito pelo contrário, - sou fã do jovem Yeo Jin-goo, especialmente de seu trabalho no cinema. Por outro lado, acho que há muita condescendência com Ahn Jae-hyun, e não consigo ver sua evolução como ator.

Jung Jung-won (Lee Yeon-hee, de ), 31 anos, teve de deixar os estudos e trabalhar duro para pagar uma pesada dívida de família. Ela trabalha como auxiliar de cozinha no restaurante de culinária francesa do chef Cha Min-joon (Ahn Jae-hyun, de Blood). Com tantos problemas pessoais e pouco tempo para realizar seus sonhos de juventude, Jung-won não se dá conta do interesse romântico de Min-joon por ela. Além do mais, Jung-won nunca superou a morte de seu amor de adolescência, Sung Hae-sung... até ele aparecer, milagrosamente, à sua porta, numa noite chuvosa.

Se Reunited Worlds sofre com o ritmo irregular, não se pode negar suas boas intenções, e quem curte dramas familiares certamente irá se emocionar com sua bela mensagem de união fraterna, e do quão importante é valorizar cada momento de convivência com aqueles que amamos.


Chicago Tipewriter (tvN, 16 episódios)

Chicago Tipewriterprovou que um drama televisivo pode desafiar o intelecto do espectador, sem deixar de ser divertido, ou emocionante. Infelizmente o drama não gerou o burburinho esperado, e a tvN produziu mais um cult a ser resgatado daqui a alguns anos...

Han Se-joon () é um escritor de bestsellersque sofre de um repentino bloqueio criativo, que ameaça sua carreira prolífica, e o deixa a beira da loucura. Daí que surge um auxilio inesperado, embora nada bem vindo, na figura do misterioso ghostwriterYoo Jin-o (Ko Gyung-pyo, de ).

Um drama belíssimo, com uma fusão perfeita de romance, fantasia e eventos históricos, embalados por uma trilha musical de sonho. Se você ainda não assistiu Chicago Tipewriter, é o melhor presente de Natal que pode dar a si mesmo! Leia a resenha completa.


The Best Hit (KBS2, 16 episódios)

Se alguém acha que o tema ‘viagem no tempo’ está esgotado ainda não viu The Best Hit, que encara o gênero com humor, irreverência, e uma boa dose de romance. Se falhou espetacularmente com Manhole, a KBS TV ao menos redimiu-se com esta comédia romântica deliciosa, sobre um cantor pop dos anos noventa que viaja ao presente, e descobre que o mundo mudou tanto, em tão pouco tempo... The Best Hit foi mais uma oportunidade para o ator escancarar todo seu talento cômico, e revelar-se um dublê muito convincente de ídolo pop. Leia a resenha completa .


While You Were Sleeping (SBS, 16 episódios)

A roteirista Park Hye-ryungosta mesmo de amaldiçoar seus protagonistas com poderes especiais (ou inconvenientes, conforme o ponto de vista), - em , Lee Jong-suk é um estudante que tem o dom de ouvir o pensamento das pessoas, já em Pinocchio, Park Shin-hye é uma repórter que, ironicamente, não consegue mentir. Em While You Were Sleeping, , o ator favorito da escritora, é um promotor de justiça que tem sonhos premonitórios. Este foi o drama que mais gostei da autora, depois do mini-drama Page Turner (KBS2, 2016). While You Were Sleeping, livre do melodrama excessivo de Pinocchio, equilibra bem o suspense com o romance terno do casal protagonista. A única coisa mais surpreendente que o roteiro ágil e divertido, foi a atuação convincente da eterna cantora pop Bae Suzy, criticada (com razão) por sua canastrice em projetos anteriores. Mordi a língua, mas fico feliz em ver a adorável Suzy amadurecer a olhos vistos no papel da repórter Nam Hong-joo. Não sei se ela teve uma epifania, apaixonou-se por Lee Jong-suk, ou resolveu fazer m curso sério de interpretação (o mais provável, né?), mas o resultado é louvável. Destaque especial para Jung Hae-in (como o policial Han Woo-tak), cujo incrível carisma deve catapultá-lo ao estrelato, merecidamente.









Chegamos à reta final da temporada 2017 de dramas coreanos, e acho que já podemos considerar que foi um bom ano, embora os enredos tradicionais (Whisper, Temperature of Love) tenham superado em muito os inovadores (Forest of Secrets, Save Me)... Continua em alta o gênero fantasia (parece que os roteiristas não se cansam das viagens no tempo, mas será que eles consultaram a audiência?), e o suspense (Lookout, Voice). O romance, a comédia e especialmente o épico foram os menos prestigiados. Aliás, o épico é um gênero que precisa passar por renovação com urgência, - esta tendência de “fusion fantasy-sageuk”, sinceramente, está começando a cansar.


Voice(OCN, 16 episódios)

Atualmente, o canal de TV OCN é a principal referência de qualidade no gênero policial/suspense. Com a direção de Kim Hong-sun (, Liar Game) e roteiro original de Ma Ji-won (My Wife is a Gangster 3), Voice tem todo o vigor e suspense que, em comparação, o remake coreano de Criminal Minds (tvN) não pôde alcançar.

O detetive Moo Jin-hyuk (Jang Hyuk, ) é um policial exemplar, até sua esposa ser morta brutalmente, o que o faz cair numa espiral de culpa e frustração por não ter sido capaz de evitar a tragédia. Kang Kwon-joo (Lee Ha-na, ) segue os passos profissionais de seu pai, e se forma com louvor na academia de polícia. Na central telefônica da delegacia, ela atende uma ligação, e acaba ouvindo seu pai ser assassinado covardemente. Abalada, ela resolve abandonar tudo para estudar psicologia criminal nos EUA. De volta à Coréia, ela é convidada a liderar uma equipe especial encarregada de atender ligações de emergência crítica, como tentativas de homicídio ou sequestro.

A originalidade na trama de Voice não está nos casos de polícia, mas na forma como a investigação é desencadeada - Lee Ha-na está fantástica no papel da policial que tem a capacidade única de ouvir frequências sonoras que um ser humano normal não consegue perceber. Sou fã número 1 de Jang Hyuk, mas este não é seu melhor papel, - seu tom de voz muito alto me deixava aflita, já que sua parceira de investigação tem uma audição tão sensível! Mas os dois tem uma boa química, e é impossível não desejar ver uma nova temporada do drama! Palmas também para o gatíssimo Kim Jae-wook (Temperature of Love), por sua ousadia ao encarnar um personagem tão psicótico...


Mistery Queen (KBS2, 16 episódios)

Para quem prefere um suspense mais “clássico”, no estilo sherloquiano de investigação, Mistery Queen é a pedida... Choi Kang-hee () e Kwon Sang-woo formam a dupla insólita, - uma dona de casa e um detetive de polícia – que se une para desvendar os crimes mais misteriosos. Com muito humor, e um tom ‘noir’, embalado por baladas maravilhosas, Mistery Queen é outro drama que gerou muita expectativa sobre uma possível segunda temporada. Vamos cruzar os dedos! Leia a resenha completa de Mistery Queen.


Suspicious Partner (SBS, 20 episódios)

Kwon Ki-yeong (, e, Protect the Boss) é um de meus roteiristas favoritos, por sua habilidade em abordar grandes temas, sem deixar de lado o romance. Seus casais protagonistas costumam viver paixões vibrantes, sempre com uma boa dose de humor. Eun Bong-hee (Nam Ji-hyun, Shopping King Louis) é uma estudante de direito nada brilhante, mas seu temperamento afável e otimista faz dela uma batalhadora incansável. No Ji-wook (Ji Chang-wook, Healer) é um jovem promotor conhecido por sua inflexibilidade e obsessão com o trabalho, - e é a encarnação perfeita do lindo nerd. Sendo assim, não é de admirar que Nam Ji-hyun esteja marcada para sofrer nas mãos do novo chefe No Ji-wook. Mas, como em toda boa comédia romântica, quanto maior o conflito, mais divertidas serão as batalhas verbais, os mal-entendidos, até a inevitável descoberta do amor... Infelizmente a trama perde muito de seu fôlego no terço final do drama, e o elenco também se mostra visivelmente cansado (principalmente Ji Chang-wook, talvez por estar às vésperas de seu retiro de dois anos no serviço militar). Mesmo assim, Nam Ji-hyun e Ji Chang-wook formam um casal adorável, e seu romance atribulado é motivo o bastante para conferir o drama.


Falsify(SBS, 16 episódios)

Para mim, não há cenário mais perfeito para um drama, ou filme, do que uma sala de redação de um jornal ou noticiário de TV. Intrigas políticas, pressões financeiras, fofocas de famosos, há tantos assuntos ‘suculentos’ a serem abordados neste espaço restrito... Sendo assim, foi um grande prazer assistir Falsify, um drama muito divertido, que conta a estória de jornalistas lutando para preservar a liberdade de imprensa, item tão desvalorizado nos últimos tempos. É em meio a uma reportagem bombástica que a vida de nossos protagonistas sofre uma grande reviravolta. A estrela do jornal diário Daehan é o repórter Lee Seok-Min (Yoo Joon-sang, de ), líder da equipe Splash. A equipe Splash é famosa por seu jornalismo investigativo, e seus grandes furos de reportagem. Lee Seok-Min une forças à promotoria especial de Seul para expor um escândalo de corrupção envolvendo empresários e políticos influentes. Com a morte misteriosa do principal delator (justamente o empresário corruptor) e do repórter Han Cheol-ho (Oh Jeong-se, de Missing 9), a equipe Splash é desmantelada pelo diretor do jornal Daehan, Goo Tae-won (Moon Sung-keun, um espetacular ator de cinema que nos honra com sua presença neste drama). Alguns anos se passam, e Han Moo-young (Namgung Min, de Chief Kim), irmão caçula do falecido Han Cheol-ho trabalha para o jornal undergroudPatriot News. Ele se une a Lee Seok-Min, agora um repórter desprestigiado, para investigar os poderes ocultos por detrás da manipulação da grande mídia (incluindo o Daehan News). Entra em cena a promotora Kwon So-ra (Eom Ji-won, de ) que irá dar o apoio legal aos repórteres para desvendar o mais surpreendente caso de corrupção que o país já conheceu.

Uma dupla quase novata, o PD Lee Jeong-heum e a roteirista Kim Hyeon-jeong-IV (que trabalharam juntos no mini-drama I've Got My Eye On You, 2015) é responsável por este belo thriller, cujo único defeito é pecar pelo excesso na hora de amarrar as pontas da trama. Ao tentar surpreender uma última vez o espectador com uma reviravolta pouco realista, a roteirista acabou se enrolando, quando poderia ter mantido a sobriedade e realismo (há tema mais atual do que a corrupção, ou o poder maligno das fake news?), emplacando um drama verdadeiramente memorável. Ainda assim, recomendo Falsify como um belo thriller, com um dos melhores elencos já reunidos, dos protagonistas até as pequenas participações especiais.


Forest of Secrets (tvN, 16 episódios)

A cada temporada revela-se um drama cult(em 2016 foi , lembra?), aquele que reune qualidades especiais em sua produção, que fogem do trivial. E este foi o ano do thriller policial Forest of Secrets, cuja roteirista (praticamente desconhecida), Lee Soo-yeon-I (The Great Seer, 2012), nos surpreendeu com uma trama muito bem lapidada. A direção primorosa do PD Ahn Gil-ho (Mrs. Cop, 2015) também contribuem para o tom mesmerizante do drama. O crème de la créme da TV coreana em 2017! Leia a resenha completa de Forest of Secrets.


Man to Man (jTBC, 16 episódios)

Man to Man pode ser definido como um drama com crise de identidade, - não sabe se quer ser um suspense, uma aventura de espionagem, ou uma comédia romântica. Imagine o agente 007 caindo de paraquedas em um filme do Mr. Bean, e você terá uma ideia do que estamos falando... Kim Won-seok-II (diretor e roteirista) é o responsável pela salada mista que é o roteiro de Man to Man (ele é co-roteirista de Descendants of the Sun, o que explica muita coisa).

Na verdade, a trama começa muito leve, com o agente secreto Kim Seol-woo (Park Hae-jin, Bad Boys) trabalhando disfarçado como guarda costas de um grande astro do cinema de ação, Yeo Woon-gwang (Park Sung-woong, Remember, Hidden Identity). Sua missão começa a dar muito errado quando ele conhece Cha Do-ha (Kim Min-jung, Gabdong), a super protetora assistente pessoal do ator Yeo Woon-gwang. Só que de “o espião que me amava” a trama dá uma volta de cento e oitenta graus e começa a ficar séria demais, renunciando ao clima romântico e cômico inicial. O que me fez ir até o final de Man to Man foi, em resumo, muito mais a simpatia e charme do elenco, do que a curiosidade sobre o desfecho da estória...


Strong Woman Do Bong-soon (jTBC, 16 episódios)

Com exceção de Age of Youth 2, 2017 não foi um grande ano para a jTBC TV. Assim como o acima citado Man to Man, Strong Woman Do Bong-soon é um drama que não soube definir seu gênero. O sucesso (parcial) de Strong Woman Do Bong-soon pode ser creditado unicamente ao casal de protagonistas, Park Bo-young e Park Hyung-sik. Infelizmente, para a maioria dos fãs sérios de dramas, um casal perfeito não equivale a um drama de qualidade... O ponto positivo, ao menos para mim, é dar protagonismo a este personagem magnífico, a menina superpoderosa Do Bong-soon. A roteirista Baek Mi-kyeong é conhecida por seus melodramas românticos (, My Love Eun-dong, Woman of Dignity), o que pode explicar, em parte, suas tentativas frustradas de injetar comédia em Strong Woman Do Bong-soon. O suspense e o romance bastavam para sustentar Strong Woman Do Bong-soon, com seu simpático e talentoso elenco. A pequenina e elétrica Park Bo-young é uma atriz maravilhosa (Oh My Ghostess, , ), que consegue transformar Do Bong-soon em um símbolo do empoderamento feminino. Ainda mais, ela consegue tirar o melhor, em termos de atuação, de seus pares românticos, e não foi diferente com Park Hyung-sik (High Society), simplesmente perfeito no papel do chaebol An Min-hyuk. Preciso fazer um pequeno parêntese para mencionar o ator An Woo-yeon, que interpreta Bong-ki, irmão de Do Bong-soon. Depois de vê-lo em , e no mais recente Age of Youth 2, acho que este ator ainda vai dar muito o que falar, por sua versatilidade, e capacidade de parecer tão diferente em cada papel.


Whisper(SBS, 17 episódios)

O reencontro do casal Lee Bo-young e Lee Sang-yoon (par romântico no belo melodrama My Daughter Seo-young) já era motivo o bastante para querermos conferir o drama legal Whisper. E o drama começa muito bem, com muito suspense e reviravoltas inteligentes ao final de cada episódio. Infelizmente, a trama logo perde o fôlego, em parte por culpa de um núcleo muito reduzido de personagens, e seus conflitos pessoais que se repetem infinitamente. E, apesar do casal protagonista poderoso, acontece um fenômeno já observado em outro drama similar, (SBS, 2015), onde o casal antagonista acaba por roubar a cena (Kwon Yool e Park Se-young).


Missing Nine (MBC, 16 episódios)

Nove funcionários da Legend Entertainment embarcam em um jato particular, rumo à China. Os passageiros são os músicos Seo Joon-o (Jeong Kyeong-ho), Choi Tae-ho (Choi Tae-joon), Ha Ji-a (Lee Sun-bin), Lee Yeol (Chanyeol), Yoon So-hee (Ryu Won), o gerente Hwang Jae-kook (Kim Sang-ho), e os assistentes Jung Ki-joon (Oh Jung-se), Ra Bong-hee (Baek Jin-hee), e Tae Ho-hang (Tae Hang-ho). O avião cai no mar, próximo a uma ilha deserta, longe do continente. Os nove passageiros sobrevivem, mas são forçados a lutar para sobreviver em um ambiente terrivelmente inóspito. Quatro meses depois, Ra Bong-Hee, a única sobrevivente resgatada com vida volta a Seul, amnésica, sem saber explicar o que aconteceu com seus amigos.

Assim como o avião da estória, Missing Nineé como um voo tranquilo e agradável, que, misteriosamente, sofre uma pane total, - só que no caso, os únicos que morrem são os espectadores, de tédio... É lamentável reconhecer, mas Missing Ninepoderia ter sido o drama cult do ano! Do instante em que o avião se acidenta até a volta dos sobreviventes (ou parte deles) à civilização, Missing Nine é um drama com uma estória fantástica, repleta de episódios de puro terror, alternados por momentos de humor catártico. Fora da ilha, o drama e seus personagens perdem o rumo (irônico, não é mesmo?). Jeong Kyeong-ho (, ) e Choi Tae-joon (Suspicious Partner) são dois atores incríveis, que interpretam personagens que são como o Yin e o Yang, duas energias opostas e ao mesmo tempo complementares, que impulsionam o destino dos demais personagens. Gostaria muito que aqueles que não viram o drama tivessem a oportunidade de desfrutar de suas emoções intensas e, sendo assim, fica a dica (meio pragmática, é verdade, mas que pode funcionar): assista os episódios que se passam na ilha, e depois pule para o último capítulo, só para dar adeus aos personagens.


Lookout(MBC, 16 episódios)

Vamos admitir, 2017 foi o ano do drama policial, do suspense e do thriller psicológico. Se fosse para recomendar três títulos essenciais da temporada seriam estes: Forest of Secrets, Tunnel, e Lookout.

O PD Son Hyeong-seok (, Two Weeks), com sua boa experiência em thrillers, dá a sustentação perfeita ao roteiro ágil e ao mesmo tempo dramático da roteirista novata Kim Soo-eun. Lookouté, em essência, um drama de ação, mas este diretor sabe privilegiar o trabalho dos atores, dando ênfase ao lado mais humano dos personagens. Leia a resenha completa de Lookout.









País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Romance, Comédia
Duração: 16 episódios
Produção: KBS2 TV

Direção: Lee Na-jeong, Kim Dong-hwi
Roteiro: Lim Sang-choon

Elenco: Kim Ji-won, Park Seo-joon, Song Ha-yoon, Ahn Jae-hong, Kim Seong-oh, Jin Hee-kyeong, Jo Eun-yoo, Son Byung-ho, Choi Woo-sik, Kwak Dong-hyeon, Pyo Ye-jin, Kwak Si-yang, Lee Jung-eun, Jeon Bae-su, Kim Gun-woo, Lee Elijah.

Resumo

Quatro amigos de infância batalham para sobreviver em empregos medíocres, sem deixar de sonhar com um futuro melhor...

Comentário

Onde está a tvN quando precisamos de dramas que contem estórias de gente como a gente? Se o caro leitor, como eu, curtiu a franquia “Answer Me...” deve sentir falta de dramas que retratem a vida como ela é, mas com aquela pitada de humor e irreverência, para não deixar o tema tão pesado, não é mesmo? Sendo assim, foi um grande prazer assistir este belo drama chamado Fight My Way, que revela mais um novo roteirista, Lim Sang-choon (Be Proud, Beck´s Back). O drama é dirigido pela jovem PD Lee Na-jeong (Oh My Venus, ), em parceria com Kim Dong-hwi (A World Without Simpaty).

Com uma fusão muito inteligente de comédia romântica e drama social, Fight My Way conta a estória de dois casais de amigos, Ko Dong-man e Choi Ae-ra, Baek Seol-hee e Kim Joo-man. Os quatro se conheceram na infância, numa pequena cidade litorânea e, adultos, foram morar juntos na capital. Num condomínio antigo de subúrbio, eles compartilham as alegrias e tristezas de uma vida independente, mas de muitos sacrifícios.     


Ko Dong-man (Park Seo-joon, de , Witch´s Love) queria muito ser lutador de taekwondo, mas, ao perder a luta que o alçaria à carreira olímpica, desistiu do sonho de ser um atleta de elite. Sem formação universitária, ele tem um emprego nada glamouroso, numa empresa de dedetização. 


Sua melhor amiga, Choi Ae-ra (Kim Ji-won, de Descendants of the Sun, The Heirs), também não teve sorte, e o desejo de ser uma apresentadora de TV nunca foi realizado. Ae-ra trabalha na recepção de um shopping center, e, apesar do salário minguado, ainda ajuda o namorado Kim Moo-gi (Kwak Dong-hyeon, de Moonlight Drawn By Clowds), que não trabalha, com a desculpa de estar estudando para um concurso público. O ator Kwak Dong-hyeon faz uma participação especial muito rápida, mas divertidíssima. O pai de Ae-ra, Choi Chun-gab (Jeon Bae-su, Forest of Secrets), pescador, dono de um restaurante modesto, foi abandonado pela mulher, e criou a filha sozinho.


Baek Seol-hee e Kim Joo-man namoram firme há seis anos. Apesar de Seol-hee morar com a amiga Ae-ra, passa mais tempo no apartamento de Joo-man, num relacionamento praticamente de casados. Aliás, o sonho de Seol-hee (Song Ha-yoon, de , Sweden Laundry), funcionária de telemarketing, é ser mãe e dona-de-casa. Um desejo que pode parecer modesto, mas é o direito de cada um escolher seu caminho para a felicidade. Joo-man (Ahn Jae-hong, de ), por outro lado, é gerente de uma empresa de vendas online, e trabalha duro para ser promovido, e poder ter um salário mais digno. A mãe de Seol-hee, Geum-bok (a sempre simpática Lee Jung-eun, de Oh My Ghostess) gosta do genro, mas sabe que a família dele não trata sua filha com o devido respeito. Uma jovem aprendiz, Jang Ye-jin (Pyo Ye-jin), começa a assediar Joo-man, e Seol-hee, que trabalha na mesma empresa, percebe que o noivo não se esforça o bastante para rejeitá-la. A partir daí o longo relacionamento do casal, que parecia tão sólido, entra em crise.


Hwang Jang-ho (Kim Seong-oh, de Warm and Cozy), ex-treinador de Ko Dong-man, o convida para assistir uma luta de MMA. Dong-man fica chocado ao ver que o astro da luta é Kim Tak-soo (Kim Gun-woo), seu antigo rival no ringue. Ao ver a fama que Tak-soo alcançou, Dong-man se dá conta de que perdeu anos lamentando os erros do passado, enquanto poderia estar lutando, e ganhando muito dinheiro com isso! Sou fã do ator Kim Seong-oh, que está realmente fantástico no papel do treinador/cozinheiro que é o maior entusiasta do discípulo Dong-man. Son Byeong-ho também rouba a cena no papel de Ko Hyeong-sik, o pai severo de Dong-man.


Enquanto isso, Ae-ra é cortejada por um ex-colega de escola de Joo-man, o médico Park Moo-bin (participação especial de Choi Woo-sik, de ). O novo interesse romântico de Ae-ra desperta o ciúmes de Dong-man, que finalmente se dá conta de seus verdadeiros sentimentos por ela. Mas a coisa esquenta mesmo quando a ex-namorada de Dong-man, Park Hye-ran (Lee Elijah, The Return of Hwang Geum-bok), recém-divorciada, quer reatar com o rapaz.


Hwang Bok-hee (Jin Hee-kyeong, de Mom) é a nova dona do condomínio, uma mulher bonita, mas misteriosa, que está sempre de olho nas idas e vindas de Ae-ra e sua turma. O filho da Sra. Bok-hee, Kim Nam-il (participação especial de Kwak Si-yang, de Chicago Tipewriter, ), estranhamente, também gosta de implicar com Ae-ra, cada vez que cruza com ela.


É divertido acompanhar a evolução do casal Ae-ra e Dong-man, de companheiros de travessuras na infância, a jovens adultos que apoiam um ao outro nos bons e maus momentos, até, inevitavelmente, se apaixonarem. E foi muito engenhosa a tática do roteirista de apresentar os episódios mais memoráveis da infância do casal, em flashbacks, no final de cada episódio. 


Depois de presenciar a atuação impactante de Park Seo-joon (e a transformação sensacional de seu físico), fica combinado que ele deve se dedicar exclusivamente a papeis pouco convencionais, e dar adeus aos herdeiros mimados, ou executivos esnobes.


O casal Seol-hee e Joo-man também conquistou a simpatia da audiência, pela abordagem delicada e realista dada ao seu relacionamento, reforçada pelas belíssimas atuações de Song Ha-yoon e Ahn Jae-hong (que tem uma carreira mais prolífica no cinema).


Fight My Way é uma tragicomédia suburbana, com personagens encantadores, que vivem sua realidade trivial como se estivessem dentro de um grande épico...









País: Japão
Gênero: drama médico
Duração: 10 episódios
Produção: TBS

Direção: Hirakawa Yuchiro, Kato Arata, Kimura Hisashi
Roteiro: Hashibe Atsuko

Elenco: Kimura Takuya, Takeuchi Yuko, Asano Tadanobu, Matsuyama Kenichi, Kimura Fumino, Nanao, Oikawa Mitsuhiro, Asano Tadanobu, Takenoya Saki, Tanaka Min.

Resumo

O Dr. Okita Kazuaki, radicado há dez anos em Seattle, volta ao Japão para encontrar tudo muito mudado no hospital em que se formou. Seu primeiro amor, a Dra. Mifuyu, casou-se com o renomado neurocirurgião Danjo Masao, um homem ambicioso, que planeja tomar o lugar do sogro na administração do hospital. Okita planeja uma breve visita, mas o destino lhe reserva surpresas inesperadas...

Comentário

A Life é uma boa oportunidade para apreciar o reencontro de Kimura Takuya e Takeuchi Yuko, treze anos depois do drama Pride. Só que o tempo passou, e a nova reunião tem um tom muito mais maduro e melancólico. Takeuchi Yuko, bonita como sempre, é a simpatia em pessoa, com seu sorriso luminoso e acolhedor. Kimutaku, mais velho, é verdade, mas com seu eterno charme matador, encarna um dos personagens mais discretos de sua carreira. Embora seja um pouco estranho ver uma atuação mais comedida do ator, tanto no gestual quanto em palavras, é sempre um prazer ver Kimutaku encarnar com naturalidade qualquer papel.


Não posso evitar um pequeno spoiler ao advertir o espectador de que o drama investe muito pouco no romantismo, para dar mais ênfase ao drama médico, e às intrigas do mundo empresarial hospitalar. Sendo assim, para quem curte um bom drama médico, A Life é uma boa pedida.



Kimura Takuya (, ) é o Dr. Okita Kazuaki, um cirurgião brilhante, exilado nos Estados Unidos. O Dr. Okita começou sua carreira em Tóquio, em um grande hospital dirigido pelo empresário Danjo Toranosuke (Emoto Akira). Na época, ele namorava a colega Dra. Danjo Mifuyu (Takeuchi Yuko, de ), filha do diretor. Seu melhor amigo era o Dr. Masao (Asano Tadanobu, ), que mais tarde tornou-se um prestigiado neurocirurgião.


O Dr. Okita está muito bem estabelecido em Seattle, até o dia em que recebe um chamado urgente de Tóquio. O diretor Danjo encontra-se gravemente doente, e quer que Okita volte ao Japão para operá-lo, pedido que ele aceita prontamente. Ao chegar a Tóquio, ele encontra tudo muito diferente, com seu antigo amigo Masao casado com Mifuyu, e tendo assumido a vice-direção do hospital. Masao não somente assumiu o sobrenome da esposa, Danjo, como ambiciona assumir a direção geral do hospital. Mifuyu, por outro lado, tenta equilibrar sem muito sucesso a carreira de cirurgiã pediátrica com a de mãe e esposa. Enquanto o Sr. Danjo e a filha Mifuyu lutam para manter o departamento de pediatria, o Dr. Danjo Masao trama pelas costas dos familiares o plano de extinção do mesmo. A visão do médico não é nada idealista, ele vê a medicina como um negócio como outro qualquer, cujo objetivo primordial é o lucro financeiro.



É claro que o Dr. Okita tem uma visão oposta ao do (ex) amigo, o que irá gerar muitos conflitos, sem contar o ciúme doentio de Masao sobre o antigo amor da esposa. Mesmo tendo um caso com Sakakibara Minori (Nanao, de ), consultora legal do hospital, Masao não admite que Mifuyu nutra algum sentimento pelo Dr. Okita. Mas o Dr. Okita não mexe apenas com os sentimentos do casal Danjo, todo o departamento de cirurgia do hospital é afetado pelo caráter forte e determinado do médico. Os mais influenciados pelo senso ético e talento extraordinário do Dr. Okita são o Dr. Igawa Sota (Matsuyama Kenich, de Futagashira) e a enfermeira Shibata Yuki (Kimura Fumino, de ). 


O Dr. Igawa é um cirurgião talentoso, mas pouco motivado, que não consegue se decidir entre a carreira médica, e a alternativa de assumir a direção do hospital da família. Mas o Dr. Okita acaba incentivando o jovem médico a fazer a escolha certa. Shibata Yuki também é afetada pela presença marcante do Dr. Okita, que apoia e elogia seu talento como enfermeira instrumentista.



A volta de Okita Kazuaki ao Japão, depois de tantos anos, também serve para que o médico reencontre seu pai, Okita Isshin (Tanaka Min), dono de um sushi bar, e que nunca demonstrou o orgulho devido pela carreira de sucesso do filho. A morte prematura da mãe de Okita foi o evento trágico e determinante para que ele decidisse ser médico. O reencontro e confronto dos traumas antigos entre pai e filho é um dos melhores momentos do drama.



A Life é um belo drama médico, naquele tom mais sóbrio, característico da cultura japonesa, mas que envolve reflexões muito pertinentes e, por que não, otimistas, sobre esta profissão tão importante quanto heroica que é a medicina.











País: Coréia do Sul
Gênero: Fantasia, Romance
Duração: 16 episódios
Produção: tvN

Direção: Kim Cheol-kyu
Roteiro: Jin Soo-wan

Elenco: Yoo Ah-in, Lim Soo-jung, Ko Gyung-pyo, Kwak Si-yang, Cheon Ho-jin, Jo Woo-jin, Yang Jin-sung, Jeon Su-kyeong, Jo Kyung-sook, Jeon Mi-sun, Choi Deok-moon.

Resumo

O único prazer de Han Se-joo é isolar-se em sua mansão para escrever romances de mistério. Mas sua tranquilidade acaba com a chegada de dois hóspedes inconvenientes, a jovem Jeon Seol, que se declara sua maior fã, e o escritor misterioso Yoo Jin-o. Uma velha máquina de escrever é a pista para descobrir o motivo desta reunião especial.

Comentário

É engraçado ver como certos canais de TV promovem muitos dramas com pompa e circunstância, enquanto que outros são deixados à própria sorte. Um exemplo claro é o carinho especial que a rede tvN teve na divulgação de , enquanto que houve uma preguiça evidente em apoiar Chicago Tipewriter. Não sejamos ingênuos, roteiristas celebridade como Kim Eun-sook geram uma exposição e um lucro internacional inigualável, por mais que se critique dramas fenômenos (leia-se medíocres) como The Heirs, ou Descendants of the Sun. Por outro lado, Jin Soo-wan é a autora de um dos maiores fenômenos de audiência da história dos dramas, o épico romântico The Moon That Embraces the Sun, e, portanto, merecia ter seu talento respeitado. O fato é que seu mais recente projeto, Chicago Tipewriter, teve uma audiência pequena (2,6% - média nacional total), embora razoável para os níveis da TV a cabo. Considerando-se a fama já mencionada da roteirista, a direção impecável, e o elenco maravilhoso, é lamentável que o drama não tenha tido uma maior repercussão. De qualquer modo, quem assistiu Chicago Tipewriter em tempo real encantou-se com o drama. Se você curte a cultura coreana, têm interesse pela rica história do país, e além do mais gosta de literatura e de dramas românticos, Chicago Tipewriteré simplesmente imperdível! Como o drama mistura romance, fantasia e épico, foi muito acertado escolher o PD Kim Cheol-kyu, já que ele tem experiência tanto com tramas históricas (Hwang Jin Yi), como com melodramas românticos ().


Fiquei agradavelmente surpresa com a beleza poética do texto da roteirista Jin Soo-wan (Kill Me, Heal Me)... Chicago Tipewriter é a estória de um jovem escritor de bestsellers, que vive como uma grande celebridade pop, com muitos fãs, mas poucos amigos. Han Se-joo (Yoo Ah-in) é conhecido em seu país como o “Stephen King coreano” e, como o famoso escritor norte-americano, desfruta de um imenso sucesso de público, embora não seja considerado um escritor brilhante pelos especialistas em literatura. Como toda celebridade, ele é um tanto paranoico, e mora sozinho numa mansão, cercado apenas de um grupo restrito de serviçais. Sem contar as saídas para promover os livros, ou assinar contratos de publicidade, Han Se-joo passa o resto do tempo escrevendo seus romances policiais, recheados de violência e terror. Apesar dos temas pesados de seus livros, o autor atrai especialmente o público feminino adolescente, fascinado com sua beleza e aura de mistério. Nem mesmo o irreverente corte de cabelos ao estilo militar de Han Se-joo consegue despistar suas fãs ardorosas.


Han Se-joo não sabe, mas sua maior (autodeclarada) fã, e também sua maior crítica, é uma garota tão excêntrica quanto ele, chamada Jeon Seol. Jeon Seol (Lim Soo-jung) tem um passado muito colorido, repleto de reviravoltas, digno dos melhores romances. Ela teve muitas chances de ser bem sucedida na vida, mas, estranhamente, fracassou em todas. Na juventude, Jeon Seol foi uma campeã de tiro ao alvo, mas uma fobia inesperada a fez largar o esporte. Formada em medicina veterinária, sofreu um novo trauma (sua confissão sobre o ocorrido é comovente), e desistiu da profissão. Agora ela trabalha como uma espécie de biscateira, fazendo entregas e outros pequenos serviços. Sua maior paixão é a literatura, e apesar de admirar Han Se-joo, ela considera suas obras populares um desperdício de talento. A chance de conhecer pessoalmente seu ídolo é ínfima, e, sendo assim, é com grande prazer que ela dá de cara com ele ao entregar uma encomenda em sua casa. Distraído com o aparecimento repentino de um enorme cão peludo à sua porta, Han Se-joo não consegue evitar a entrada da fã na mansão. Infelizmente Jeon Seol descobre que o charme do escritor se limita à escrita, já que ele abomina a presença de estranhos em sua casa, e não se impressiona nem um pouco com o entusiasmo de sua maior fã. Mais tarde, Han Se-joo abre o grande pacote entregue por Jeon Seol, e fica feliz ao ver o presente, vindo da América, uma bela máquina de escrever antiga, conhecida como Chicago Tipewriter.


Quando um fã, possuído por delírios psicóticos, invade a casa de Han Se-joo e ameaça matá-lo, é a destemida Jeon Seol que salva a vida do escritor. Infelizmente, o trauma bloqueia a mente de Han Se-joo, e ele não consegue mais escrever uma linha, para desespero de seu editor, Gal Ji-seok (Jo Woo-jin, de Goblin). Com data marcada para o lançamento do novo romance, o editor Gal sugere a Se-joo contratar um ghostwriter (autor que assume secretamente o papel do original). Aí é que a estória começa a ficar interessante, e a verdadeira personalidade de Se-joo começa a ser delineada. Ao contrário do que se poderia imaginar, Se-joo recusa terminantemente a ideia do seu editor, demonstrando não apenas seu orgulho, mas sua ética profissional e pessoal. Apesar de viver uma vida luxuosa, Se-joo nem cogita a possibilidade de enganar o público leitor, para manter a fama e a riqueza. O tempo passa, e seu desespero é cada vez maior, ao sentar-se dia a dia diante da tela em branco do computador. Até que certa manhã ele acorda e encontra um novo capítulo de seu livro, escrito à moda antiga, na velha máquina de escrever Chicago. Confuso, ele acha que provavelmente escreveu o texto sob efeito dos remédios... No dia seguinte, de novo aparece a pequena pilha de folhas, com mais um episódio, e ele começa a duvidar da própria sanidade, pois não se lembra de nada, embora ache a estória escrita muito familiar. O mistério é (em parte) revelado quando finalmente ele pega em flagrante o verdadeiro autor, sentado à sua mesa, batendo à máquina. Se-joo fica furioso ao entender que seu editor contratou, à sua revelia, um ghostwriter. O jovem, vestindo um terno elegante, mas um tanto antiquando, apresenta-se como Yoo Jin-o (Ko Gyung-pyo), e insiste em hospedar-se na casa de Se-joo.

Mas onde se encontra a família de Han Se-joo? Antes de alcançar a fama, ele passou por maus bocados. Com a morte da mãe (e sem conhecer o pai), Se-joo é encontrado por um antigo amigo dela, abandonado à própria sorte. Seu salvador é um escritor e intelectual famoso, Baek Do-ha (Cheon Ho-jin, de Six Flying Dragons), que o adota informalmente. Acontece que Se-joo é hostilizado pela mulher do escritor, a artista plástica Hong So-hee (Jo Kyung-sook, de All Kinds of Daughters-in-Law), no começo por ciúmes, e mais tarde, por inveja do talento do rapaz. O filho do casal, Baek Tae-min (Kwak Si-yang, de ), se apega a Se-joo como a um irmão, até chegarem à idade adulta, e ele também tentar seguir a carreira literária, mas sem o mesmo sucesso. Finalmente, uma amarga traição por parte desta família desestruturada faz com que Han Se-joo saia de casa para lutar sozinho por seus sonhos. E ele é muito bem sucedido, até que o destino o reune com sua maior fã, Jeon Seol, e o misterioso Yoo Jin-o. Se, por um lado, sua carreira entra em crise, ele descobre o quão solitária era sua vida antes de conhecer os dois.


A orfandade é um ponto em comum entre Han Se-joo e Jeon Seol, que foi abandonada pela mãe na infância, mas foi criada com muito afeto pelo pai (participação especial de Choi Deok-moon), até a sua morte prematura. Ao menos Jeon Seol teve melhor sorte, ao ser acolhida por duas mulheres maravilhosas, a médium Wang Bang-wool (Jeon Su-kyeong, de ), e sua filha, Ma Bang-jin (Yang Jin-sung de Bride of the Century). Ma Bang-jin é a irmã, amiga e confidente de Jeon Seol. A Sra. Wang sabe que Jeon Seol sofre, desde criança, de visões assustadoras, e que este é o motivo de sua mãe (participação especial de Jeon Mi-sun, de ) tê-la rejeitado.

Ao reunir-se com os escritores Han Se-joo e Yoo Jin-o, Jeon Seol descobre que suas visões não são delírios, mas lembranças nítidas de uma vida passada. Nos anos 30, em plena ocupação japonesa da Coréia, pequenos grupos reuniam-se para resistir aos desmandos do inimigo. Sin Yool (Ko Gyung-pyo) é proprietário de um cabaré chamado Carpe Diem, frequentado tanto pela elite, como por boêmios como o escritor Seo Hwi-yeong (Yoo Ah-in). Ryoo Soo-hyeon (Lim Soo-jung) é a órfã acolhida por Sin Yool, depois de ver seus pais serem mortos pelos soldados japoneses. Quando ela descobre que o cabaré funciona como fachada para Sin Yool e Seo Hwi-yeong planejarem a revolta contra os invasores, insiste em participar do grupo. Juntos, os três irão arriscas suas vidas, na luta pela libertação de seu país.


Muito melhor do que o triângulo amoroso entre Yoo Ah-in, Lim Soo-jung e Ko Gyung-pyo, é sua amizade profunda, que transcende tempo e espaço, e a magia que proporciona seu reencontro. Não é por nada que Yoo Ah-in (Six Flying Dragons, The Throne) é considerado o grande ator de sua geração. Invejado e admirado pelos colegas mais jovens, Yoo Ah-in é um ator que, apesar de metódico na construção de seus personagens, conquista o espectador por sua expressividade, e especialmente, por seu tom de voz profundo e envolvente, sua melhor qualidade. Ao assistir a obra prima Six Flying Dragons, não me cansava de admirar a capacidade dramática do jovem ator, e ficava sonhando em vê-lo nos palcos, como um Hamlet muito sexy (suspiros). Por falar em Six Flying Dragons (SBS, 2015), foi eletrizante ver o reencontro de Cheon Ho-jin e Yoo Ah-in, novamente como (quase) pai e filho.


Ninguém melhor que uma atriz profissionalmente madura como Lim Soo-jung (Time Renegades, Happiness) para fazer par romântico com Yoo Ah-in. É muito interessante a contradição entre seu olhar experiente, e sua figura frágil e voz adolescente. Os dois personagens por ela interpretados são tão complexos quanto fascinantes, especialmente Jeon Seol, um exemplo de mulher de fibra, que apesar dos traumas pessoais, tem um coração repleto de amor ao próximo. Um personagem lindo, que nos deixa muitos ensinamentos importantes sobre a vida.


Ko Gyung-pyo (Strongest Deliveryman, ), apesar de sua juventude e certa imaturidade como ator, consegue encarar bem o desafio de contracenar com seus pares mais experiente. Sin Yool é um personagem muito menos complexo, mas seu idealismo e sua paixão pelos amigos (menos do que pela causa) é comovente, e Ko Gyung-pyo, com seu ar juvenil, e voz macia, foi a escolha perfeita para o papel.

Admiro demais a roteirista deste drama, por não ter feito concessões ao abordar um tema tão delicado como a ocupação japonesa, e toda a crueldade a que foi submetido o povo coreano durante mais de três décadas (1910-1945). E mais ainda, por ter dado um desfecho tão bonito à estória, digno da grandeza de seus protagonistas. Agradeço a ela por ter compartilhado conosco este conto de amizade, heroísmo  e de amor além da vida...











País: Coréia do Sul
Gênero: Ação, Policial, Drama
Duração: 32 (episódios)
Produção: MBC TV

Direção: Son Hyeong-seok, Park Seung-woo
Roteiro: Kim Soo-eun

Elenco: Kim Young-kwang, Lee Si-young, Kim Tae-hoon, Kim Seul-gi, Key, Choi Moo-seong, Kim Sang-ho, Park Joo-hyeong, Kim Seon-young, Jeong Seok-young, Jeon Mi-seon, Song Seon-mi, Park Solomon, Kim Jung-young, Ham Na-yeong.

Resumo

“A dor da perda de um familiar é indescritível e deixa uma marca indelével em qualquer ser humano, e, se a vingança é um prato amargo, ao menos a justiça pode amenizar um pouco o vazio deixado pela ausência dos entes queridos”.

Comentário

Que momento fantástico vive a TV coreana, com esta nova geração de roteiristas talentosos e irreverentes, que estão conseguindo reescrever (literalmente) o caminho dos nossos tão amados dramas diários.

Lookout (ou The Guardian) é apenas mais uma das belas surpresas da temporada, ao lado de títulos como Tunnel, Suspicious Partner, ou Forest of Secrets. O gênero policial (englobando aqui ação, drama legal e suspense) nunca foi o ponto forte dos dramas coreanos, o que é até estranho já que no cinema esta temática sempre fez muito sucesso. Felizmente, com a renovação das equipes de escritores, os dramas policiais vêm ganhando em qualidade e, consequentemente, alcançando um maior espaço na grade de programação dos diversos canais de TV.

O PD Son Hyeong-seok (When It´s at Night, Two Weeks), com sua boa experiência em thrillers, dá a sustentação perfeita ao roteiro ágil e ao mesmo tempo dramático da roteirista novata Kim Soo-eun. Lookouté, em essência, um drama de ação, mas este diretor sabe privilegiar o trabalho dos atores, dando ênfase ao lado mais humano dos personagens.

Lookout é uma estória de embate moral entre a lei (os promotores e os políticos) e a ordem (a polícia). Se ambos têm a função de proteger o cidadão, nem sempre os nobres juramentos destes profissionais são cumpridos. E é nestas circunstâncias que aflora o desejo de justiça feita com as próprias mãos... Lee Si-young (Valid Love) é a detetive de polícia Jo Soo-ji, uma profissional que se dedica com fervor a combater o crime, mesmo que para isso tenha de negligenciar seus deveres de mãe de uma menina de sete anos. Jo Soo-ji é mãe solteira, e apesar de adorar sua filha Yoo-na (Ham Na-yeong), é obrigada a deixá-la a maior parte do tempo na companhia da avó (Kim Jung-young, de Queen for Seven Days). Sua superior, a chefe de esquadrão Lee Soon-ae (Kim Sun-young, de Shopping King Louie, Answer Me 1988) vive uma situação semelhante, tendo de criar sozinha uma filha adolescente, que se ressente com a ausência da mãe. Apesar do sacrifício de enfrentar a criminalidade todos os dias, ganhar pouco, e mal ver as filhas, as policiais parecem sentir muito orgulho do seu trabalho. Mas, infelizmente, uma tragédia familiar transforma a vida de Jo Soo-ji em um grande pesadelo. Quando vi o drama, não fazia ideia do que iria acontecer, portanto não sei se é adequado revelar os fatos que levam Soo-ji a tornar-se uma foragida da justiça, sem estragar muito do impacto dos eventos. Basta dizer que a detetive é apresentada a um grupo secreto que busca vingar crimes cometidos contra seus familiares, e que não foram devidamente punidos pela justiça. O tal grupo secreto foi reunido por um líder misterioso, cuja identidade é ignorada, embora todos sigam fielmente as suas ordens. Passa-se um ano da desaparição de Soo-ji, e ela continua no ostracismo, trabalhando com uma dupla de hackers, Seo Bo-mi e Kong Kyeong-soo. A princípio, parece que os jovens vivem escondidos por cometerem crimes cibernéticos, mas não é bem assim. Soo-ji e Kyeong-soo compartilham um apartamento em um prédio abandonado, e se comunicam com Bo-mi por câmeras de monitoramento, embora apenas ela possa vê-los, enquanto que eles apenas a ouvem. Seo Bo-mi (Kim Seul-gi, de Splash Splash Love, Oh My Ghostess) vive trancada num apartamento, em local conhecido apenas pelo líder misterioso. Logo ficamos sabendo que a família de Bo-mi foi morta brutalmente durante um assalto, alguns anos atrás, e ela se isolou do mundo, em parte devido ao trauma, mas mais por um motivo que será revelado mais adiante. Tudo que Bo-mi deseja é punir os assassinos de seus pais e sua irmã mais velha. Kong Kyeong-soo (Key, de Drinking Solo, membro do grupo de kpop SHINee) tem uma personalidade alegre, e uma autoconfiança invejável de suas habilidades de espião virtual. No entanto, seu ar despreocupado esconde o desespero pelo desaparecimento misterioso de sua mãe, e sua maior motivação é encontrá-la algum dia, sã e salva.

Aos poucos a pequena equipe percebe que, por trás de uma série de missões que eles vão cumprindo, paira a sombra de uma grande autoridade, o promotor chefe Yoon Seung-ho (Choi Moo-sung, de Heatless City, Answer Me 1988). Soo-ji também tem como alvo de sua vingança o promotor Yoon, e seu filho adolescente, Si-wan (Park Solomon, de Doctors). Como ex-policial, ela começa a ficar inquieta por não conhecer a identidade, ou muito menos as motivações da pessoa que está liderando suas ações. Uma noite, Soo-ji segue o colega Kyeong-soo até uma igreja, e começa a suspeitar que o belo padre Lee Kwan-woo (Shin Dong-wook, de Soulmates) tem alguma ligação com o líder misterioso. Só um parêntese para felicitar a volta do maravilhoso Shin Dong-wook às telinhas, após sete anos de uma ausência muito sentida pelos fãs.

Enquanto isso, Soo-ji tenta evitar ser capturada pelos próprios colegas policiais, e, especialmente pelo promotor encarregado de seu caso, Jang Do-han (Kim Young-kwang). Jang Do-han é um jovem promotor cuja carreira teve uma ascensão meteórica, em parte por sua inteligência, mas muito mais por sua capacidade inesgotável de puxar o saco dos superiores. No começo ele adula o promotor Oh Kwang-ho (Kim Sang-ho, de TEN, Missing Nine), mas seu objetivo malicioso é roubar sua vaga de assistente do promotor chefe Yoon.

A única pessoa que está ao lado da detetive Soo-ji é o promotor Kim Eun-joong (o “Sr. Covinhas” Kim Tae-hoon, de Fantastic), amigo de longa data, um profissional ético, entre tantos corruptos que o cercam. Pena que a inflexibilidade de Kim Eun-joong nem sempre funcione a seu favor...

O bom deste drama é que nenhum personagem é desperdiçado, - o elenco é relativamente grande, mas igualmente talentoso. Lee Si-young está muito a vontade (como era de se esperar para quem conhece seu perfil profissional e pessoal) no papel da policial durona com os bandidos, mas amável com a família e amigos. Jo Soo-ji despertou em mim uma simpatia enorme – sua vingança não é cega, ela se preocupa muito com as consequências de suas ações sobre a vida dos outros, e tem consciência de que, eventualmente, terá de pagar por seus atos ilegais. E o mais comovente é como ela tenta se colocar na pele dos colegas, e empatiza com o sofrimento deles, mesmo que em parte tenha motivos para sentir o oposto, especialmente sobre o líder do grupo. Ironicamente, a sede de vingança deste homem acaba por suavizar a ira de Soo-ji, e a faz refletir sobre o sentido que deveria dar à sua vida.

Quem acompanha e admira a carreira de Kim Seul-gi ficará satisfeito ao perceber como a atriz pode brilhar em papeis mais sérios, e, apesar de eu adorar seu lado cômico, é muito bom vê-la interpretar muito bem um personagem tão complexo e adorável como a hacker Seo Bo-mi. E Kim Seul-gi encontrou o par perfeito no ator (e ídolo pop) Key, com sua energia adolescente, mas sem perder o tom nas cenas mais dramáticas.

Os antagonistas de Lookout impressionam e perturbam o espectador, por representarem o mal de forma tão realista. Temos o policial que se corrompe e comete crimes brutais, pela simples ganância pelo dinheiro, o promotor e o político que são seduzidos pelo poder, e por fim, mas não menos assustador, o jovem que segue seus impulsos psicóticos, respaldado pela impunidade de seus atos.

Kim Young-kwang (Gogh, the Starry Night, D-Day, Plus Nine Boys, Hot Young Bloods) é o ator perfeito para interpretar personagens indecifráveis como o promotor Jang Do-han. Em Plus Nine Boysele tinha fama de mulherengo, mas curtia há séculos uma paixão não correspondida pela melhor amiga. Em Man Living at My House ele era o estranho que faz uma mulher se apaixonar por ele, apesar de ter roubado sua herança. E em Gogh, the Starry Night, Kim Young-kwang é o chefe carrasco que faz bater mais forte o coração de Kwon Yuri. Mas em LookoutKim Young-kwang usa todo o poder de seu ar naturalmente arrogante e debochado para encarnar o personagem mais interessante de sua carreira. Jang Do-han é um personagem com tantas facetas, que consegue nos surpreender com suas atitudes a cada novo episódio. Jang Do-han não é um personagem que se revela de uma hora para outra, é como se seu rosto estivesse coberto por várias máscaras, que vão sendo removidas, à medida que seus segredos vão sendo revelados. Mais do que por ter sido um grande thriller, Lookoutserá lembrado pela atuação gloriosa de Kim Young-kwang, que fez nascer mais um personagem marcante na crônica dos dramas coreanos.









País: Japão
Gênero: Drama, Família
Duração: 8 episódios
Produção: Asahi TV
Música tema: Everything, EXILE

Direção: Karaki Akihiro, Takahashi Nobuyuki, Ikezoe Hiroshi
Roteiro: Shimizu Yuki

Elenco: Takenouchi Yutaka, Watari Tetsuya, Uto Shusei, Ishida Yuriko, Gekidan Hitori, Sakura, Kaneko Noboru, Natsuyagi Isao.

Resumo

Kamikawa Ryohei é um executivo com um bom emprego e uma bela família... Até o dia em que ele resolve pedir demissão e é abandonado pela mulher, que o deixa responsável pelo filho pequeno.

Comentário

Dramas sobre crises matrimoniais são comuns, mas um que aborde o tema sob o ponto de vista masculino não é tão usual, como é o caso deste magnífico melodrama familiar, Kazoku.


Kazoku: Tsuma no Fuzai, Oto no Sonzai (Family: Absence of the Wife, Existence of the Husband) conta a saga de um homem que luta para conciliar a carreira profissional com as dificuldades de criar o filho pequeno sozinho. E a roteirista Shimizu Yuki (The Perfect Path for Two, Koi no Sanriku Ressha Kon de Iko!) narra com muita sensibilidade a estória do casal Kamikawa, e de seu adorável filho Yuto.


Kamikawa Ryohei (Takenouchi Yutaka) representa o estereótipo perfeito do homem japonês, educado, responsável, trabalhador, mas que vê a mulher mais como mãe de seus filhos e dona de casa, do que como companheira e amante. A prioridade de Ryohei é dar estabilidade e conforto à família, e ele acaba, inconscientemente, se distanciando da mulher, Satomi (Ishida Yuriko) e do filho. Enquanto isso, Satomi sofre em silêncio com a ausência do marido. Por ter perdido o pai muito jovem, Ryohei teve de aprender a ser independente e a resolver todos os problemas sozinho. Como de costume, Ryohei não conversa com a esposa sobre o estresse que sofre no trabalho e, certo dia, simplesmente avisa que mudou de emprego, e comprou uma casa nova e espaçosa para a família. Quando Ryohei não cumpre a promessa de ir a um concerto de piano do filho, Satomi resolve que é hora de cuidar da própria vida. Ela decide tentar retomar a carreira de arquiteta, e simplesmente sai de casa, deixando o filho Yuto (Uto Shusei) aos cuidados do pai. Sem ter noção alguma de como lidar com as necessidades diárias de uma criança, Ryohei se vê em grandes apuros, ainda mais que não há nenhum parente próximo para ajudá-lo. Mas, aos poucos a rotina começa fluir, quando ele matricula Yuto em um jardim de infância, lugar onde não apenas seu filho, mas ele próprio irá fazer grandes amizades. Para começar, a professora Kinoshita Miho (Sakura) é muito atenciosa com Yuto, e preocupa-se sinceramente com a situação da separação dos pais do menino.





Mas é o Sr. Saeki Shinichiro (Watari Tetsuya, de Lady Joker), um voluntário na escola infantil, que se torna o melhor apoio emocional para a família Kamikawa. O Sr. Saeki é um viúvo solitário, aposentado, que acaba fazendo amizade com Ryohei, e o ajuda muito na adaptação à vida de pai solteiro. Ele ensina Ryohei coisas triviais, mas ao mesmo tempo importantes no dia a dia, como preparar o lanche do filho, ou organizar prendas do bazar escolar. 



É bonito como o drama enfatiza como as pessoas mais velhas, com sua inestimável experiência de vida, podem contribuir com o bem estar da família e da sociedade em geral. Sendo assim, é tocante a amizade que se desenvolve entre o Sr. Saeki, o pequeno Yuto e Ryohei. E é o ator Watari Tetsuya, com sua postura elegante, que dá vida a este personagem tão digno, o Sr. Saeki.



Agora, um encanto mesmo é a relação maravilhosamente carinhosa entre Ryohei e Yuto. O amor entre pai e filho é expresso de forma tão natural, que é difícil de acreditar que não seja real. Takenouchi Yutaka é um ator especial, que, ao longo de sua longa carreira, nunca se aproveitou da própria beleza, procurando dar ênfase a uma atuação mais naturalista (A Long Vacation), e muitas vezes irreverente (BOSS). Certamente um dos melhores atores japoneses de sua geração.


Kazoku é uma pequena pérola, uma estória que nos faz rir e chorar, e ao mesmo tempo refletir sobre como é essencial cultivar o amor entre marido e mulher, entre pais e filhos, sempre com muito diálogo e respeito ao próximo.









País: Coréia do Sul
Gênero: drama, comédia romântica
Duração: 16 episódios
Produção: MBC

Direção: Jung Ji-in, Park Sang-hoon
Roteiro: Jung Hoe-hyun

Elenco: Go Ah-sung, Ha Suk-jin, Lee Dong-hwi, Hoya, Kim Dong-wook, Kim Byung-choon, Han Sun-hwa, Kwon Hae-hyo, Jang Shin-young, Oh Dae-hwan, Kim Hee-chan

Resumo

Após passar por uma centena de entrevistas de emprego, Eun Ho-won finalmente é contratada como estagiária de uma empresa de móveis. No entanto, ser efetivada como funcionária será um desafio ainda maior para a idealista Ho-won.

Comentário

Os “dramas de escritório” são tão comuns quanto esquecíveis, e poucos mesmo se destacam, como foi o caso do drama existencialista (tvN, 2014), ou da comédia aloprada Chief Kim (KBS, 2017). Sendo assim, Radiant Office acabou por ser uma das melhores e mais bem vinda surpresa da temporada. O drama traz um enfoque inteligente sem ser panfletário sobre a carência de oportunidades de trabalho para as novas gerações de cidadãos coreanos, - mas bem que esta estória poderia se passar em qualquer sociedade capitalista do mundo, incluindo o nosso país. A roteirista novata Jung Hoe-hyun(Granny is in 1st Grade) surpreende com um texto sensível, sem afetações, mas com referências culturais (cinema, literatura, etc.) que enriquecem muito a estória. O drama é dirigido a quatro mãos por Jung Ji-in (Shining Romance, Tomorrow Victory) e Park Sang-hoon (Beautiful You).

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a construção perfeita do caráter do personagem principal Eun Ho-won (Go Ah-sung). Parece que a era das gatas borralheiras está mesmo ficando para trás, e este tem sido um ano definitivo para cimentar estes personagens estereotipados e pouco críveis, em pleno século XXI. Eun Ho-won é uma mulher fascinante, com todas as inseguranças naturais à sua idade, mas com uma maturidade intelectual admirável. A verdadeira odisseia em busca por um lugar ao sol em um mercado de trabalho implacável faz de Eun Ho-won um exemplo de resiliência e, por que não, de esperança para a humanidade. Não são poucos os obstáculos a serem superados por nossa heroína, mas seu sorriso radiante e seu humanismo inabalável são, sinceramente, comoventes. Após a morte do pai, Ho-won tem de se virar sozinha para pagar os estudos e ajudar a mãe e o irmão mais novo. Rejeitada uma e outra vez nas seleções de emprego, Ho-won começa a se desesperar com a incerteza sobre seu futuro, e acaba “ensaiando” uma tentativa se suicídio, ao cair inadvertidamente de uma ponte, mergulhando nas águas frias do Rio Han. No hospital, ela acaba conhecendo dois jovens que passam pelo mesmo drama do desemprego. O mais velho, Do Ki-taek (Lee Dong-hwi, de , ) parece ser o mais aflito com sua situação, tanto pela idade, quanto por ter levado o fora da namorada. Jang Kang-ho (Hoya, Reply 1997, membro da boy band INFINITE), por outro lado, sofre com a pressão dos pais, de classe alta, para conseguir um bom cargo, em alguma empresa importante. Os três parceiros de infortúnio (que o povo da web apelidou carinhosamente de “suicide squad”) acabam se reencontrando, ao serem selecionados para cargos temporários na empresa de móveis Hauline. Entusiasmados com a possibilidade, mesmo que remota, de serem promovidos a funcionários da empresa, eles se submetem a todas as humilhações e frustrações típicas à posição de estagiário em um escritório.

O primeiro choque para Eun Ho-won é reencontrar-se com Seo Woo-jin, o homem que a havia rejeitado da forma mais cruel possível em sua última entrevista de emprego. Seo Woo-jin (Ha Seok-jin, de ) é o novo diretor de marketing da Hauline, e a última pessoa que Ho-won desejaria ter como chefe. No entanto, aos poucos, ela descobre que a ética profissional e a sabedoria do jovem e belo diretor podem ser grandes aliados no seu crescimento na empresa. Problemas muito maiores Ho-won e seus amigos irão enfrentar nas mãos do diretor de vendas Park Sang-man (o sempre divertido Kwon Hae-hyo, de Jealousy Incarnate), e de seu subordinado, o insuportável Lee Yong-jae (Oh Dae-hwan, Shopping King Louis).

Do Ki-taek, por sua parte, precisa conviver no escritório com sua ex-namorada, Ha Ji-na (Han Sun-hwa, de Marriage Not Dating). Ha Ji-na não fica nada feliz com a presença de Ki-taek, mas não pode evitar em recordar diariamente o quanto o rapaz faz falta em sua vida. Do Ki-taek e Ha Ji-na formam um casal tão improvável quanto admirável, e protagonizam alguns dos episódios mais emotivos do drama. Mais uma grande atuação de Lee Dong-hwi, tão hábil em dar vida a personagens da vida real, como o adorável Do Ki-taek.

O drama também aborda com realismo o problema do machismo e da consequência falta de oportunidades dadas às mulheres dentro das grandes corporações. É o caso da gerente de vendas Jo Suk-kyung (Jang Shin-young, My Heart Twinkle Twinkle), mãe solteira, funcionária dedicada, mas que não vê perspectiva de chegar um dia a um cargo de direção dentro da empresa.

Finalmente, temos o Dr. Seo Hyun (o ator de cinema Kim Dong-wook, de Along With the Gods, ), um personagem carismático, mas um tanto enigmático, que tem um papel central no destino do trio Ho-won, Ki-taek e Kang-ho. Infelizmente, que pese a grande atuação do charmoso Kim Dong-wook, o personagem do Dr. Seo foi o ponto fraco a denunciar a inexperiência da roteirista, que não soube aproveitar melhor todo o potencial do mesmo.

Mesmo assim, a roteirista Jung Hoe-hyun merece grandes elogios, especialmente, como já mencionei, por criar um personagem tão maravilhoso como Eun Ho-won. É claro que ela contou com a sorte de ter como protagonista a jovem, mas experiente, Go Ah-sung (The Host, A Melody to Remember, The King, Heard it Through the Grapevine). O talento de Go Ah-sung foi nutrido desde a infância, no cinema, mas a atriz vem migrando aos poucos para a telinha, e, felizmente, com a mesma energia e criatividade. O poder intuitivo de atuação de Go Ah-sung é tão grande que ela conseguiu despertar um lado surpreendentemente sensível no ator Ha Seok-jin. Confesso que nunca havia visto o ator tão descontraído e sereno em um papel, seu rosto se ilumina visivelmente na presença de Go Ah-sung. Esta é a magia dos dramas coreanos, - Radiant Office é mais um destes pequenos dramas, que consegue conquistar o coração do público, com um roteiro inteligente, e um elenco brilhante. Como diria Eun Ho-won, são estes pequenos milagres que fazem valer a pena estar vivo...









País: Japão
Gênero: drama
Duração: 10 episódios
Produção: TBS TV

Direção: Takemura Kentaro, Hori Hideki, Tsukahara Ayuko, Murao Yoshiaki
Roteiro: Takahashi Maki, Shimada Ureha, Yamamuro Yukiko

Elenco: Karina, Harada Mieko, Suzuki Ryohei, Endo Kenichi, Yamamoto Yusuke, Mano Erina, Miho Jun, Enami Kyoko.

Resumo

A vida tranquila de Serizawa Hitomi é abalada com a descoberta de uma doença grave e a volta da mãe, Kashiwada Kanako, desaparecida há anos.

Comentário

Apesar de gostar muito dos dramas japoneses, acabo assistindo muito mais dramas coreanos, por que será que isso acontece? Um dos motivos é uma certa dificuldade que tenho de escolher, entre tantos lançamentos, os que valham a pena ver, já que as críticas costumam ser muito superficiais ou incompletas. Tanto que me quase passou despercebido este drama maravilhoso, protagonizado por uma de minhas atrizes favoritas, Karina. O último filme de Karina foi Girls For Keeps, em 2012, e o último drama foi , em 2013, portanto, passado tanto tempo, é muito bom ver a atriz de volta, em plena forma.


Kekkonshiki no Zenjitsu niconta a estória de uma jovem que, às vésperas do casamento, é diagnosticada com um tumor cerebral. Apesar do tema pesado, os roteiristas conseguem fugir dos clichês típicos ao gênero. Abordando o assunto com sensibilidade e bom humor, Kekkonshiki no Zenjitsu ni é um drama que, ultimamente, celebra a vida.



Karina(, ) é Serizawa Hitomi, funcionária de uma empresa de empreendimentos imobiliários. Seu noivo é o médico Sonoda Yuichi (Suzuki Ryohei, de Hana-Kimi 2007, Inspector Zenigata), cujo único desejo é casar-se e seguir com seu trabalho na pequena clínica particular da família. Hitomi tem uma vaga lembrança da mãe, que a abandonou na infância. Apesar disso, ela foi criada com amor e atenção redobrada pelo pai, Serizawa Kensuke (Endo Kenichi, de , ), e a tia, Serizawa Saki (Miho Jun). A vida de Hitomi segue agitada, com o trabalho e os preparativos para o casamento com o Dr. Yuichi. Mas Hitomi começa a ter dores de cabeça crônicas e resolve fazer um check up, e o diagnóstico não poderia ser pior, um tumor cerebral.


Hitomi tem um caráter um tanto reservado e um espírito independente, e, sendo assim, acaba escondendo da família e amigos seu grave problema de saúde. É neste momento estressante na vida de Hitomi que sua mãe, Kashiwada Kanako (Harada Mieko, de Shinzanmono), reaparece, depois de tantos anos sem dar notícias. Com uma personalidade esfuziante, nada discreta mesmo, ela causa um grande choque na tranquila Hitomi. Quanto mais a mãe tenta se aproximar da filha, mais rejeição provoca nela e em seu pai, o Sr. Serizawa. Para tentar reconquistar a filha, Kanako muda de estratégia e procura a ajuda das pessoas que convivem com Hitomi. Kanako usa Maehara Shota (o gatíssimo Yamamoto Yusuke, de Hana-Kimi 2007, GTO), amigo de infância de Hitomi, para atrair a filha para um passeio. Ela também resolve aparecer de surpresa no encontro formal entre o pai de Hitomi e os pais do Dr. Yuichi. Acontece que a mãe de Yuchi, Sonoda Kyoko (Enami Kyoko) é uma mulher muito esnobe, que não gosta nada do comportamento pouco formal de Kanako. Além disso, ela tem planos de casar o filho com a jovem Hirose Mana (Mano Erina), herdeira do diretor de um grande hospital.



Aos poucos Hitomi vai descobrindo alguns fatos sobre a vida de sua mãe, uma fotógrafa internacionalmente conhecida, que volta ao Japão e, sem laços familiares, acaba por instalar-se num orfanato nos arredores de Tóquio, onde realiza um trabalho voluntário. O pai de Hitomi se recusa a falar sobre a ex-mulher, mas é intrigante como Kanako parece sentir-se no direito de impor-se sobre a filha, apesar de tê-la abandonado, e causado um grande trauma na família. Todos estes segredos vão se desvanecendo aos poucos, enquanto Hitomi descobre a importância de confiar e a apoiar-se nas pessoas que a amam, para enfrentar o grande sofrimento que a espera.



É verdade que Kekkonshiki no Zenjitsu nitem momentos melancólicos e até mesmo desesperadores para Hitomi, mas seu desejo inquebrantável de viver é emocionante, verdadeiramente admirável! E é graças à atuação preciosa de Karina que recomendo enfaticamente que assistam este belo drama...










País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Thriller
Duração: 16 episódios
Produção: OCN

Direção: Kim Sung-soo
Roteiro: Jung Yi-do ( baseado no webtoon de Jo Geum-san)

Elenco: Taecyeon, Seo Ye-ji, Jo Sung-ha, Park Ji-young, Jo Jae-yoon, Woo Do-hwan, Lee David, Ha Hoe-jung, Jung Hae-kyun, Yoon Yoo-sun, Jang Yoo-sang, Son Sang-kyung, Son Byung-ho, Jang Hyuk-jin, Kim Kwang-gyu, Choi Moon-soon, Go Joon, Jeon Yeo-bin, Lee Jae-jun, Choi Moon-soo.

Resumo

A adolescente Im Sang-mi e sua família se mudam para o interior. Abalados por um acidente trágico, eles são atraídos a uma seita obscura. Quatro jovens amigos investigam o envolvimento da seita no desaparecimento de Sang-mi.

Comentário

Quem gosta de suspense (ou ação, policial) já sabe que pode encontrar ótimos dramas deste gênero no canal de TV OCN. E a qualidade dos dramas da OCN só vem crescendo nos últimos anos, - de Cho Yongpara , por exemplo, a evolução é gritante! No entanto, a sofisticação dos novos dramas tirou um pouco do sabor cult que marcou as primeiras produções do canal. Sendo assim, foi uma grande alegria ver o thriller Save Me resgatar o lado mais underground da OCN.

Os “ilustres desconhecidos” responsáveis por este suspense eletrizante são o PD Kim Sung-soo (Genome Hazard, 2014) e o roteirista novato Jung Yi-do, que se uniram para adaptar o webtoon “Out of the World” de Jo Geum-san para a TV. É difícil explicar como uma estória tão emocionalmente desgastante possa ser atraente de se ver, exceto pelo fato de que, no instante em que conhecemos seus protagonistas, não podemos abandoná-los a própria sorte. Muito mais que uma crítica ao fanatismo religioso e aos falsos profetas, Save Me traz uma reflexão muito séria sobre a fragilidade mental do ser humano, que se deixa iludir tão facilmente, em troca de um pouco de paz espiritual. Ao invés de reprovar o comportamento de muitos dos personagens aqui retratados, devemos entender todo o sofrimento que os levou a trilhar o caminho errado.

Antes mesmo de mergulharmos na estória, somos conduzidos, através de estradas sinuosas e escuras, a uma paisagem sombria, - uma cidade sonolenta, cercada de montanhas cobertas de florestas selvagens. O cenário é um elemento essencial à trama, ao transmitir um clima de solidão e estranhamento ao drama. O Sr. Im Joo-ho (Jung Hae-kyun, , Doctors) e sua família saem da luminosa Seul em busca de novas oportunidades no interior. No entanto, não há nada de tranquilo ou bucólico na estranha cidade de Mujin, onde uma economia rural em franca decadência torna-se campo fértil para políticos corruptos, e todo o tipo de gente que se aproveita da fraqueza financeira e moral da população.

Sem dinheiro, a família de Seul se hospeda em um pequeno quarto cedido pelo dono da fazenda de gado onde o Sr. Im arruma um emprego temporário. E, como se não bastasse tanto infortúnio, o casal de filhos gêmeos do Sr. Im, Sang-mi e Sang-jin, também sofre para se adaptar na nova escola. Sang-mi (Seo Ye-ji, Last) é uma jovem inteligente e madura, que faz de tudo para proteger seu irmão, fragilizado por problemas de saúde. Mas, no primeiro dia de aula Sang-jin (Jang Yoo-sang, Angry Mom) já se torna alvo de bulling de um bando de alunos encrenqueiros.

Han Sang-hwan (Taecyeon, Bring it on, Ghost, ) é o único aluno a socorrer Sang-mi e seu irmão, ao presenciar uma cena de assédio contra eles na cafeteria da escola. O pai de Sang-hwan, Han Yong-min (Son Byung-ho, Fight My Way), é o governador do distrito, mas o rapaz não parece achar-se mais ou menos privilegiado por isso. O que ele gosta mesmo é de voar em sua motoca pelas estradas da vizinhança, na companhia de seus amigos de infância, Suk Dong-chul, Woo Jung-hoon e Choi Man-hee. A amizade entre os quatro adolescentes supre a carência de suas relações familiares conturbadas. Dong-chul, órfão de mãe, mal vê o pai, alcoólico, enquanto é sustentado pela avó, que vive de catar papel e sucata pelas ruas. Apesar de sua situação desesperançada, Dong-chul (Woo Do-hwan , Mad Dog, Man Living at My House) tem uma alma nobre, e um sentido inabalável de justiça. O simpático gordinho Man-hee (Ha Hoe-jung) também vem de um lar pobre, mas ao menos seu pai é dono de uma oficina mecânica. O baixinho nervoso Jung-hoon (Lee David, Bring it on, Ghost) não liga para os estudos e adora fazer vídeos estúpidos para a internet, para frustração de seu pai, o policial Woo Choon-gil (Kim Kwang-gyu, de Hospital Ship).

Infelizmente, um evento trágico na escola acaba por separar os amigos. Han Sang-hwan vai para a capital estudar direito, mas sua consciência o persegue por ter abandonado Dong-chul no momento em que mais precisava de sua ajuda. Três anos depois, Sang-hwan volta à sua cidade natal, para reencontrar Jung-hoon e Man-hee parados no tempo, seguindo a mesma vidinha de sempre, correndo com suas motos, jogando sinuca, e fingindo estudar. Mais tarde eles descobrem que Dong-chul também está de volta a Mujin, e trabalha como garçom numa boate.

Han Sang-hwan pergunta aos amigos o que aconteceu com a bela Im Sang-mi e sua família, mas ninguém sabe ao certo o seu destino. No alto de uma das montanhas que cercam a cidade, foi erguida uma catedral, sob o comando de um estranho líder religioso chamado Baek Jung-ki. O pregador Baek Jung-ki (Jo Sung-ha, The K2, The Himalayas), é uma criatura egocêntrica, com ares messiânicos, que se veste de branco da cabeça aos pés, incluindo uma cabeleira grisalha de gosto duvidoso. Ele denomina seus seguidores de apóstolos, e os mesmos o servem dia e noite, divididos entre orações, trabalhos de caridade e, principalmente, arrecadando doações monetárias para a igreja. O braço direito do pregador Baek é a apóstola Kang Eun-shil (Park Ji-young, de Falsify, ). O fervor religioso desta mulher mescla-se perigosamente com seu amor cego pelo pregador Baek. Muito mais pragmático, mas tão intimidador quanto seu mestre é o apóstolo Jo Wan-tae (Jo Jae-yoon, de Fantastic), encarregado das finanças e (sua verdadeira especialidade) da segurança da seita. Junto de seu irmão mudo, o gigante Jo Wan-duk (Son Sang-kyung), ele afasta os curiosos e persegue os “infiéis” com uma paixão aterrorizante.

Certa noite, Sang-hwan e seus amigos quase se chocam com a van da seita, e descobrem a verdade sobre o desaparecimento de Sang-mi, - e o que Sang-hwan vê nos olhos da jovem é o mais puro terror, - ele percebe seus lábios moverem-se lentamente, enquanto implora silenciosamente, “Salve-me”.

Imagine uma cidade pacífica onde se abre um legítimo portal para o inferno, - mas os demônios que saem dali não têm nada de sobrenatural. Segure a respiração, controle os nervos, pois Save Me te mostrará o que há de mais mesquinho e maligno na alma humana...









País: Coréia do Sul
Gênero: Suspense, Policial
Duração: 16 episódios
Produção: tvN

Direção: Ahn Gil-ho
Roteiro: Lee Soo-yeon

Elenco: Cho Seung-woo, Bae Doo-na, Yoo Jae-myung, Lee Joon-hyuk, Shin Hye-seon, Choi Byung-mo, Lee Kyu-hyung, Choi Jae-woong, Lee Kyeong-young, Yoon Se-ah, Lee Ho-jae, Seo Dong-won, Park Sung-geun, Jang Sung-bum, Park Yoo-na, Park Jin-woo, Jeon Bae-soo.

Resumo

O promotor de justiça Hwang Shi-Mok conhece a policial Han Yeo-Jin na cena de um crime, e os dois acabam envolvidos numa teia de corrupção nos altos escalões do governo.

Comentário

Dizem que nada de interessante pode sair ao ver um bando de homens de terno debatendo dentro de escritórios... Pois Forest of Secrets está aí para contrariar este pensamento. É bem verdade que Forest of Secrets está mais para drama policial, com pitadas de thriller, do que um drama político clássico. Poderíamos dizer ainda, que Forest of Secrets é tudo que Whisper (SBS, 2017) pretendeu ser, mas falhou, só para citar um drama recente do mesmo gênero.

O primeiro drama pré-produzido (filmagens de janeiro a maio de 2017) do canal tvN foi dirigido pelo PD Ahn Gil-ho (Rooftop Prince, Mrs. Cop) que, pese seu trabalho super competente, deve muito à direção de fotografia espetacular, e à edição exemplar. Para complementar, as trilhas incidental e musical dão emoção extra às imagens poderosas deste que pode ser o grande drama do ano.

Lee Soo-yeon, conhecida apenas por um trabalho anterior, o drama épicoThe Great Seer (SBS, 2012), surpreende com esta “tragédia grega” dos tempos modernos, Forest of Secrets. Precisamente como sugere o título dramático, a política é uma floresta de segredos, conspirações e negociatas, motivadas, obviamente, pela inesgotável ganância humana.

Em Forest of Secrets nós temos, basicamente, três núcleos de poder: a lei, representada pelos promotores de estado, a ordem, pela força policial, e as finanças, por meio dos grandes empresários, investidores e, como não poderia deixar de ser, os políticos.

A estória começa com um assassinato que, por sua brutalidade, parece indicar tratar-se de um crime passional, ou uma vingança pessoal. Mas este evento, trivial para a polícia, e de pouco interesse para a mídia, transforma-se em uma bola de neve, que vai destruir a vida de muitos, e arruinar a carreira de outros. Ao menos uma pessoa tem interesse nas atividades ilícitas do corretor assassinado, Park Moo-seong (Eom Hyo-seop, de The King Loves). O promotor Hwang Shi-mok (Cho Seung-woo, de , God´s Gift – 14 Days), por coincidência, é o primeiro a encontrar o corpo sem vida de Park Moo-seong, esfaqueado dentro de sua própria casa. A polícia logo enquadra o suposto culpado, e classifica o crime como latrocínio, mas o promotor Hwang começa a duvidar das provas apresentadas.

Quando a inspetora de polícia Han Yeo-jin (Bae Doo-na, de The Host, A Girl at My Door, Sense 8) conhece o promotor Hwang, fica chocada com sua frieza, sem contar com sua falta de traquejo social. Mas, apesar da primeira impressão negativa, ao ajudá-lo na investigação do crime, ela descobre que os dois têm ao menos uma coisa em comum, um inabalável senso de justiça. Mesmo antes de descobrir o motivo para o comportamento antissocial do promotor, ela confia intuitivamente em sua retidão moral. Não se sabe muito sobre o passado de Yeo-jin, mas fica claro que ela é uma profissional dedicada, e, acima de tudo, é uma pessoa generosa, especialmente com os fracos e oprimidos. Um exemplo é quando ela, espontaneamente, abriga em seu pequeno apartamento, a mãe de Park Moo-seong, uma idosa solitária, abalada com a morte inexplicável do filho. Não é dever de um policial cuidar dos familiares de uma vítima, mas este é um gesto natural para Han Yeo-jin. É bom demais ver Bae Doo-na, uma atriz veterana do cinema coreano, de volta à TV, e, ainda mais, num papel que faz justiça ao seu talento dramático.


Um gesto tão caridoso como o da policial certamente nunca passaria pela cabeça de Hwang Shi-mok, não porque ele seja uma má pessoa, mas pelo simples fato de não conseguir empatizar com outro ser humano. Depois de sofrer com distúrbios mentais graves durante a infância e início da adolescência, que lhe causavam dores de cabeça lancinantes, Hwang Shi-mok foi submetido a uma cirurgia radical, que lhe removeu parte do cérebro, e, consequentemente, lhe roubou a capacidade de sentir emoções profundas. Mas nada disso o impediu de tornar-se um profissional bem sucedido, muito pelo contrário. Quando um jornal publica a notícia bombástica relacionando o falecido corretor Park com a corrupção de funcionários públicos, o chefe da promotoria criminal, Lee Chang-joon (Yoo Jae-myung) escolhe o único promotor confiável do departamento para investigar o caso, Hwang Shi-mok. É uma situação desconfortável para qualquer pessoa, investigar os próprios colegas (ainda mais sob a suspeita de aceitar subornos), menos para Hwang Shi-mok, o único promotor com o caráter à prova de ambições materiais ou de poder.


Cho Seung-woo ‘veste’ o personagem Hwang Shi-mok com sensibilidade, mas acima de tudo, com a segurança digna de um grande ator acostumado a pisar em grandes palcos de teatro. Vejo-me, inconscientemente, analisando obsessivamente o rosto de Hwang Shi-mok, na busca de expressões que denunciem seus estados de ânimo. Vou fazendo anotações mentais de suas mudanças, assim como Han Yeo-jin, que rabisca desenhos das caretas de Shi-mok, como se ele fosse um personagem dos quadrinhos que ela tanto gosta. A cena crucial em que Shi-mok finalmente explode, é de partir o coração, e surpreende por acontecer no ambiente mais improvável possível.

O primeiro a cair na malha de Hwang Shi-mok é seu colega mais próximo, Seo Dong-jae (Lee Joon-hyuk), um jovem promotor que usa o poder do cargo para benefício próprio, enquanto bajula incansavelmente o chefe Lee Chang-joon. É com muito prazer que vemos Seo Dong-jae, que trata com tanto desprezo os colegas, não ser poupado pelos superiores, quando suas falcatruas são reveladas. No entanto, espantosamente, Seo Dong-jae não se entrega tão facilmente, o que o torna um dos personagens mais interessantes da trama, por sua capacidade inesgotável de reinventar-se. Quando eu pensava que o ator Lee Joon-hyuk (l, I Am Legend, The Spring Day of My Life) estaria, mais uma vez, desperdiçando seu charme em um papel menor, sou presenteada com uma atuação inesquecível. Não é que Seo Dong-jae seja um homem complexo, simplesmente nos custa a entender que ele é apenas um sobrevivente, que vive das migalhas do poder. A cada movimento de Seo Dong-jae, meu coração quase parava, temendo por sua segurança, mas especialmente a dos outros. Seu encontro com a promotora Young Eun-soo (Shin Hye-seon), num beco escuro, na calada da noite, é uma das cenas mais eletrizantes do drama... E pensando em retrospectiva, é uma espécie de presságio dos momentos sombrios que estão por vir.


Shin Hye-seon (Oh My Ghostess) também acerta em cheio no papel da promotora Young Eun-soo, uma jovem obcecada em restaurar a honra manchada de sua família. Seu pai, o ex-ministro da Justiça Young Il-jae (Lee Ho-jae, de Doctors), perdeu o cargo, ao ser acusado de receber propina. A única ambição da jovem Eun-soo é vingar os detratores do pai, e para isso, “gruda” no promotor Hwang Shi-mok, na tentativa de obter informações confidenciais sobre os casos de corrupção. Hwang Shi-mok, normalmente impassível, começa a demonstrar sinais de estresse com a obcessão da colega, ainda mais quando percebe que isso a expõe a um grande perigo. Pensando bem, nós, espectadores, somos muito parecidos com Hwang Shi-mok, a princípio indiferente com as pessoas que o cercam, mas aos poucos, conhecendo melhor cada uma delas, se envolvendo e se preocupando por seu bem estar.

O personagem mais enigmático do drama é o promotor chefe Lee Chang-joon, encarnado com maestria pelo carismático Yoo Jae-myung. É desconcertante como Yoo Jae-myung consegue tirar da cartola uma interpretação tão poderosa, depois de vir de papeis secundários muito mais leves e cômicos, como o pai submisso, em Strong Woman Do Bong-soon, ou o apresentador de TV egocêntrico, em . O promotor Lee Chang-joon é como uma torre sólida, confiável, mas cercada de uma névoa que não permite que se vejam os detalhes de perto. Quando Hwang Shi-mok finalmente consegue se aproximar da verdade, é com pesar que ele percebe tanto a grandeza quanto as falhas de caráter de Lee Chang-joon. O promotor chefe Lee Chang-joon é casado com a bela Lee Yeon-jae (Yoon Se-ah, de My Sassy Girl 2017), filha do empresário mais poderoso do país, Lee Yoon-beom (Lee Kyeong-young, de , Hidden Identity). A princípio Lee Chang-joon e o sogro parecem desfrutar de uma bem sucedida relação de simbiose do poder – enquanto ele passa informações privilegiadas para o sogro, este retribui com sua ascensão profissional meteórica. Aos poucos, no entanto, fica claro que há um desequilíbrio de forças, e o promotor parece mais um títere nas mãos do ganancioso empresário.


Quando Hwang Shi-mok começa a investigar a corrupção interna na promotoria, sua motivação secreta é descobrir quem está por trás do assassinato de Park Moo-seong, e da abdução de Kim Ga-young (Park Yoo-na), uma prostituta que se relacionava com homens poderosos. Assim, o promotor convoca um grupo de confiança, composto por seu casal de assistentes, Choi Young (Kim So-ra) e o Sr. Yang (Bae Hyo-won), a inspetora de polícia Han Yeo-jin e seu colega Jang Gun (Choi Jae-woong, de The Village: Achiara´s Secret), o ex-colega de escola Kim Jung-bom (Seo Dong-won, de Modern Farmer), além do promotor Yoon Se-won (Lee Kyu-hyung, de Goblin, Wise Prison Life). A pequena equipe se torna ainda mais unida, enquanto é hostilizada pelos colegas promotores e policiais, por realizar esta tarefa infame de auditoria interna. Quando o grupo se reúne para jantar, no terraço do apartamento de Han Yeo-jin, é um momento especial, único, antes da tempestade que se aproxima...

O enredo de Forest of Secrets não seria tão impactante se não fosse por estes pequenos detalhes – a amizade fugaz entre a equipe de Hwang Shi-mok, os flagrantes de solidão dos personagens, suas dúvidas, inseguranças e frustrações diárias...  Não é que Hwang Shi-mok seja o homem de lata do Mágico de Oz, - talvez ele seja uma representação, ou um símbolo, de toda a sociedade, insensível e impotente diante de tantas injustiças no mundo...









País: Coréia do Sul
Gênero: Comédia Romântica, Épico, Fantasia
Duração: 20 episódios (30 min. duração)
Produção: FNC Entertainment
Distribuição: Naver, Sohu, Netflix

Direção: Min Doo-sik
Roteiro: Kim Soo-jin

Elenco: Gong Seung-yeon, Lee Jong-hyun, Park Joo-hyung, Lee Jae-jin, Kim Yeon-seo, Ahn Bo-hyun, Lee Chul-min, Lee Yong-jik, Kim Jung-pal, Kim Chae-eun, Kim Bo-ra.

Resumo

Song Soo-jeong, uma atriz famosa por interpretar personagens de dramas épicos, é magicamente transportada à Era Goryeo. Ela se apaixona por On-dal, mas descobre que ele é um personagem importante da história, destinado a casar-se com a princesa Pyunggang e tornar-se um grande general.

Comentário

Tem horas que tudo que você quer é ver um drama mais leve, e, de preferência, que não tome muito do seu tempo. E os web dramas estão aí para isso mesmo, e de quebra podemos conhecer novos atores (muitas vezes novatos mesmo), roteiristas e diretores. O problema é que nem sempre os web dramas “concordam” com qualidade de produção, ou muito menos com boas atuações. Dei uma espiada, por exemplo, no recente Wednesday 3:30 p.m., e não consegui passar do primeiro episódio. Mas já tive ótimas experiências com o gênero, e um dos últimos foi com My Only Love Song, uma produção coreana distribuída com exclusividade para a mega produtora e distribuidora de conteúdo para a web, Netflix.

Sem esperar muito além de uma comédia romântica bobinha, fiquei encantada com a criatividade da estória, e, especialmente, com a competência do elenco. Um roteiro tão bom caberia muito bem em qualquer produção de um grande canal de TV. Por outro lado, uma produção mais modesta muitas vezes pode contar com uma maior liberdade criativa, não é mesmo?

Entre tantos títulos do gênero, o que me atraiu a ver especialmente My Only Love Song foi o nome da atriz Gong Seung-yeon. Esta jovem e belíssima atriz conseguiu o feito de chamar a atenção no épico Six Flying Dragons (SBS, 2015), entre tantas estrelas do drama, como seu par romântico na ocasião, Yoo Ah-in. E a carreira da moça vai de vento em popa, já que ela protagonizou, somente em 2017, além deste web drama, o drama Introverted Boss (tvN), a ficção científica Circle: Two Worlds Connected (tvN), e Are You Human, Too (KBS2, inédito).

Com uma carreira de ator muito menos impressionante, Lee Jong-hyun (mais conhecido como guitarrista e vocalista do grupo pop CNBLUE) não faz feio como par romântico de Gong Seung-yeon. Talvez a mágica da súbita boa atuação de Lee Jong-hyun (A Gentleman´s Dignity) esteja no seu encontro anterior com Gong Seung-yeon, no reality show We Got Married (MBC, 2015), onde o casal teve a oportunidade de aprofundar seus laços de amizade (e afinar sua química!).

O elenco mais velho é bem conhecido, e totalmente eficiente, dando o apoio necessário ao jovem elenco. A presença de caras (quase) novas como Lee Jae-jin (membro do grupo pop F.T. Island), Ahn Bo-hyun, ou Kim Yeon-seo são a prova de que os web dramas são uma ótima vitrine para o mercado das séries coreanas.

Gong Seung-yeon é a atriz Song Soo-jeong, uma celebridade pop, famosa por interpretar heroínas de dramas épicos. Temperamental e exigente, como toda a grande diva, Soo-jeong é mais temida do que respeitada por diretores, assistentes e colegas atores. Irritada com um dia de trabalho especialmente difícil, e com a especulação sobre sua vida pessoal por parte da imprensa, ela resolve fugir do set de filmagens.

Para desespero do diretor do drama (Lee Cheol-min, de Last) e de seu agente (Lee Yong-jik, de The Great Seer), Soo-jeong abandona as filmagens (no cenário real de um grande palácio), vestida a caráter, dirigindo uma Kombi. Sem saber ao certo para onde ir, ela segue as instruções do GPS, e dirige por muitos quilômetros, até se embrenhar por um caminho estreito, cercado por mato, e chocar-se, subitamente contra algo, ou alguém. Ao descer da van, ela dá de cara com grupo de soldados vestidos com trajes típicos de tempos muito antigos. Sem saber se o que está vivendo é sonho ou realidade, Soo-jeong é levada presa, junto de seu carro, que os estranhos parecem tratar como uma criatura misteriosa.

Na sede militar do vilarejo, Soo-jeong é postada ao lado de outros criminosos, e fica horrorizada ao perceber o que o destino lhe reserva. O único que parece intrigado com o comportamento da jovem é On-dal (Lee Jong-hyun). On-dal é um trambiqueiro conhecido da polícia, sempre envolvido em métodos escusos de ganhar dinheiro. Ele se diverte com a atuação de Soo-jeong, que insiste em ser a princesa Pyunggang, herdeira do reino Goryeo, à época. Ela acaba convencendo o magistrado (também interpretado por Lee Cheol-min) de que é mesmo a princesa desaparecida. Mas a mentira não dura muito tempo, e ela acaba fugindo com On-dal, com quem estabelece uma divertida relação de amor e ódio, no melhor estilo das comédias românticas clássicas.

Tudo se complica quando o casal se vê em uma nova missão, a de ajudar a verdadeira princesa Pyunggang (Kim Yeon-seo, de New Trial) a fugir de um casamento forçado com um nobre pernóstico, o general Go Il-yong (Park Joo-hyung). Park Joo-hyung (, Chief Kim) rouba a cena, como o homem mais desagradavelmente vaidoso e malévolo que a ficção épica já conheceu. É muito engraçado ver como comportamento bizarro do efeminado general Go Il-yong constrange até mesmo seus serviçais, em especial o assistente pessoal (interpretado por Kim Jung-pal, de ), que tem de aturar seus chiliques constantes. A única pessoa que consegue tirá-lo do sério é Soo-jeong, e, por isso, mesmo, a garota torna-se sua maior obsessão. E sabe que rola uma química muito boa entre os dois, com cenas cômicas impagáveis.

A princesa Pyunggang, filha única do rei Pyungwon (Lee Yong-jik, que também faz o papel de agente de Soo-jeong) passou a vida trancafiada no palácio, e, naturalmente, se vê encantada com a inédita liberdade de andar pelo mundo, e de conhecer um homem charmoso e rebelde como On-dal. Enquanto isso, o guarda-costas Moo-myung (Ahn Bo-hyun, de Descendants of the Sun) protege a princesa incondicionalmente, e sofre calado com seu amor impossível por ela.

Song Soo-jeong é um personagem surpreendente, por sua bravura, audácia e paixão pela vida. É impossível não comparar Song Soo-jeong com outro personagem que sofreu com um destino similar, a pobre Hae-soo, de Moon Lovers: Scarlet Heart Ryeo. Hae-soo é um personagem que me deixou muito deprimida, pois apesar de ter vivido alguns momentos de alegria, acabou se rendendo ao lado trágico de sua sina de ser prisioneira do passado. Felizmente, Soo-jeong é muito diferente – desde o princípio ela não se deixa intimidar, e impõe sua vontade diante das situações mais difíceis. É interessante que alguns flashbacks mostram como o caráter forte da garota se formou – uma órfã criada pela avó, Soo-jeong batalhou muito para chegar à fama como atriz. É por isso que ela combina tanto com On-dal, que também sofreu muito com o destino trágico de sua família, e vive única e exclusivamente com o objetivo de salvar sua mãe.

A fantasia tresloucada, o humor irreverente, e o romantismo épico fazem desta pequena pérola, My Only Love Song, uma grande pedida para uma maratona de fim de semana...









País: Japão
Gênero: Policial, Thriller
Duração: 10 episódios
Produção: Fuji TV

Direção: Suzuki Kosuke, Shiraki Keiichiro
Roteiro: Kaneshiro Kazuki

Elenco: Oguri Shun, Nishijima Hidetoshi, Tanaka Tetsushi, Nomagushi Toru, Araki Yuko, Nagatsuka Kyozo, Iida Kisuke, Mashima Hidekazu, Ishida Yuriko, Nozaki Moeka, Kaneko Nobuaki.

Resumo

Para enfrentar perigosos grupos terroristas que agem dentro do país, o governo forma um esquadrão especial, composto por cinco profissionais, cada um com uma habilidade especial.

Comentário

Crisis: Special Security Squad é um thriller policial, com enfoque no drama social contemporâneo. O drama aborda, com muita propriedade, uma das maiores aflições da sociedade moderna, o fantasma do terrorismo urbano, que pode atacar a qualquer hora, em qualquer lugar, deixando o cidadão em verdadeiro estado de paranoia.


Não costumo prestar muita atenção nos nomes dos diretores de dramas japoneses (ao contrário dos famosos PDs coreanos), mas admiro o trabalho da dupla de PDs de Crisis, Suzuki Kosuke (, ) e Shiraki Keiichiro (, ). E Kaneshiro Kazuki é um escritor muito talentoso, que transita bem entre o drama (Fly, Daddy, Fly), e o suspense (SP, Border).

O drama começa com os altos escalões do governo ordenando o diretor da agência de segurança nacional, Kaji Daiki (Nagatsuka Kyozo, de Onna no Kunsho), a formar um esquadrão secreto. O governo anda muito preocupado com o aumento no número de células terroristas, as quais vêm cooptando cidadãos, especialmente os mais jovens, por serem naturalmente mais influenciáveis, a cometer atos de violência contra a população.

O subdiretor Aonuma Yuukou (ator Iida Kisuke) escolhe cinco agentes, cada um com uma habilidade especial, para formar o grupo secreto que terá a missão de investigar, vigiar e capturar os bandidos, antes que cometam seus atos de terror. 


O líder do novo esquadrão é Yoshinaga Mitsunari (Tanaka Tetsushi, de Love Song) um agente muito bem articulado, especialista em interrogatórios, e em elaborar perfis dos criminosos. Kashii Yusuke (Nomagushi Toru, de Border) sabe tudo sobre artefatos explosivos, e tem a habilidade impressionante de detectar uma bomba apenas pelo olfato. A única mulher do grupo é a jovem Oyama Rei (Araki Yuko, de Code Blue 3), uma ex-hacker, um gênio dos computadores. 


Tamaru Saburo (Nishijima Hidetoshi), ex-membro das forças especiais da polícia, é um agente modelo, mestre em artes marciais, e no manuseio de armas. O último agente a entrar para a equipe é Inami Akira (Oguri Shun), um militar das forças especiais que é afastado do posto, com síndrome de estresse pós-traumático. Akira, apesar de ser um soldado treinado para eliminar friamente o inimigo, sofre com as consequências psicológicas de suas antigas missões, enquanto tenta esconder suas feridas emocionais com uma personalidade alegre e despreocupada...


... E ele acaba sendo o personagem que quebra o gelo, e dá a ‘liga’ à equipe, que apesar de pequena, tem pessoas tão diferentes umas das outras. Aliás, este é um dos motivos para o drama ter um charme especial, a sincronia perfeita que se estabelece no grupo, especialmente durante as missões. Cada um conhece e respeita as habilidades do outro, - com exceção de certos momentos em que os agentes Akira e Saburo fogem da regra, mais por ansiedade heroica, do que por egoísmo. Oguri Shun (Border, Rich Man, Poor Woman) e Nishijima Hidetoshi (, ) formam uma dupla fantástica, um bromance cheio de energia masculina, e um bocado de carinho no olhar 😂...


... Além da boa química entre os protagonistas, gostei muito das cenas de luta, os atores ‘se puxam’ e as coreografias são bem realistas. Mais ou menos a cada dois episódios um caso é investigado e resolvido, o que torna o enredo verdadeiramente eletrizante. 


Mas há uma estória que serve de pano de fundo, a de uma seita que esconde um grupo terrorista muito perigoso. Hayashi Satoshi (Mashima Hidekazu) é um agente infiltrado nesta seita. Nesta condição de agente secreto, ele não pode nem ao menos se comunicar regularmente com sua esposa, Chigusa (Ishida Yuriko, We Married as Job). Seu contato indireto com o marido é feito através do agente Tamaru Saburo, que parece curtir uma paixão secreta por Chigusa.


Apesar das cenas cruas e violentas, há espaço para refletir sobre a solidão dos protagonistas, que vivem uma vida secreta em todos os sentidos... Os dez episódios de Crisis passam voando, e é uma pena que a esperança de uma continuação (e a oportunidade de rever personagens tão carismáticos) se evapore, com um desfecho melancólico, embora totalmente coerente com a trama. De qualquer modo, é um belo drama, que já está na minha lista de melhores do ano!









País: Coréia do Sul
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 32 episódios
Produção: KBS2 TV

Direção: Yoo Ho-jin, Cha Tae-hyun
Roteiro: Lee Young-chul

Elenco: Yoon Si-yoon, Cha Tae-hyun, Lee Se-young, Kim Min-jae, Dong Hyun-bae, Yoon Son-ha, Lee Deok-hwa, Hong Kyung-min, Lim Ye-jin, Cha Eun-woo, Bona, Lee Han-seo.

Resumo

Yoo Hyun-jae foi um cantor pop famoso no início dos anos noventa, até sua desaparição misteriosa... Vinte e quatro anos depois ele reaparece diante dos amigos, sem tem envelhecido um dia sequer, para reivindicar seu lugar em um mundo que mudou tanto, em tão pouco tempo...

Comentário

O gênero comédia está em baixa nos dramas coreanos, e me pergunto o porquê desta súbita ausência de (bom) humor na telinha... É muito provável que tenha a ver com a oferta abundante de shows de variedade na TV coreana, incluindo 2 Days & 1 Night, estrelados exatamente pela equipe envolvida na criação e execução de The Best Hit. E, não por acaso, The Best Hit é (pausa para o suspense) uma comédia! O ator Cha Tae-hyunconvidou os parceiros de 2 Days & 1 Night, o PD Yoo Ho-jin, e o roteirista Lee Young-chul (High Kick!) para produzir pela primeira vez, juntos, um drama. The Best Hit soma a experiência da equipe de 2 Days & 1 Night nos reality shows, com a de Cha Tae-hyun e Yoon Si-yoon com os dramas. E apesar de a KBS ter tentado vender The Best Hitcomo um novo The Producers (KBS2, 2015), a única coisa em comum entre os dois projetos é a presença de Cha Tae-hyun. Enquanto The Producersprocurava abordar com realismo os bastidores do mundo do entretenimento, The Best Hit se apoia no mesmo tema, mas com ênfase no romance e na comédia.


Estamos nos anos noventa, e o Sr. Lee Soon-tae (Lee Deok-hwa, de Suspicious Partner) é o CEO da World Planning Entertainment, uma agência pequena, que se apoia unicamente no sucesso explosivo do duo pop Jay-2. Lee Kwang-jae (Cha Tae-hyun, de ) é o agente da dupla, formada pelos jovens Yoo Hyun-jae e Park Young-jae. Yoo Hyun-jae (Yoon Si-yoon, de ) é o verdadeiro talento da dupla, responsável tanto pela composição das músicas, quanto pelas coreografias de palco. Quando Yoo Hyun-jae resolve aceitar a oferta milionária de outra produtora musical, a World Planning Entertainment entra em colapso. Lee Kwang-jae ainda tenta convencer Yoo Hyun-jae a ficar na agência, mas o músico simplesmente desaparece, sem deixar pistas.

Vinte e quatro anos depois, Lee Kwang-jae assumiu a direção da World Planning Entertainment, a qual, no entanto, nunca recuperou-se da perda de seu grande astro. Em um modesto prédio, a produtora compartilha espaço com uma padaria, administrada pela ex-cantora pop dos anos 90, Hong Bo-hee. No segundo andar do edifício, Hong Bo-hee mora com Lee Kwang-jae, o Sr. Lee Soon-tae e sua netinha, Mal-sook (Lee Han-seo, de ). 


O filho de Hong Bo-hee, Lee Ji-hoon (Kim Min-jae, de Romantic Doctor, Teacher Kim) se acomoda num pequeno apartamento no terraço do prédio. Lee Kwang-jae, que ajudou Bo-hee, uma mãe solteira, a criar Ji-hoon, incentiva o rapaz a estudar para tornar-se um servidor público. No entanto, o sonho do rapaz é ser um astro pop, e ele treina secretamente em uma grande agência de talentos, a Star Punch Entertainment. Seu melhor amigo e colega é o raper MC Drill (Dong Hyun-bae, de Shut Up Flower Boy Band), que já está passando da idade de debutar como cantor pop.


O relacionamento entre o Sr. Lee Soon-tae e sua netinha Mal-sook é uma estória a parte – engraçado, encantador, e terrivelmente comovente...


Ao contrário de Ji-hoon, sua amiga de infância Choi Woo-seung (Lee Se-young, , Laurel Tree Tailors) adoraria passar em um concurso público. Ela divide os estudos com uma rotina cansativa em vários empregos temporários, enquanto sonha com uma vida melhor. Quando Woo-seung descobre que sua colega de quarto a está traindo com seu namorado, Yoon-gi (divertida participação especial de Lee Kwang-soo), fica sem namorado, e sem ter onde morar. Woo-seung acaba tendo que se acomodar, mesmo que temporariamente, no apartamento de Ji-hoon, que já está abrigando, escondido da família, MC Drill.


Recortando apenas as cenas do convívio forçado de Ji-hoon e seus amigos em seu minúsculo apartamento, já é o bastante para deliciar-se com momentos de pura comédia, e outros tantos de confraternização despreocupada...

Park Young-jae (Hong Kyung-min, de Love Can´t Wait), a metade menos talentosa da dupla Jay-2, casou-se com Cathy (Lim Ye-jin, de The Liar and His Lover), uma mulher muito rica, e bem mais velha, e tornou-se presidente da Star Punch Entertainment. O astro da companhia é o cantor pop MJ (Cha Eun-woo, membro da boy band Astro), mas o que ninguém sabe é que seu sucesso está amparado em composições inéditas de Yoo Hyun-jae. Não se sabe como, mas Park Young-jae tem em suas mãos o caderno original de composições de seu colega misteriosamente desaparecido em 1994.


Todos estes personagens, cujas vidas estavam intimamente relacionadas no passado, são surpreendidos com a volta de Yoo Hyun-jae, não por ele estar vivo, mas por continuar tendo 23 anos de idade! Um ano antes de desaparecer da face da terra, Yoo Hyun-jae, de posse de uma pequena fortuna, deixava o apartamento em que vivia (no terraço da World Planning Entertainment), com destino incerto. No entanto, um tornado gigante o captura (como a Dorothy, de O Mágico de Oz) e o transporta para o futuro, no ano de 2017.


Estranhamente, a reação das pessoas ao reaparecimento de Hyun-jae não é de surpresa ou de alegria, mas de contrariedade e até mesmo de enfado. Mas este é o efeito inicial, pois a presença fulgurante, cheia de energia do rapaz, é contagiante... Lee Kwang-jae tenta enviar o amigo de volta ao passado, com medo de que Hong Bo-hee entre em choque ao vê-lo – Bo-hee e Hyun-jae teriam namorado no passado, e ela nunca superou seu desaparecimento. Ji-hoon se ressente do talento natural, no canto e na dança, de Hyun-jae, sem saber que ele é um cantor que foi tão famoso no passado. Mas o pior para ele é ver Choi Woo-seung cada vez mais atraída pelo charmoso Hyun-jae.


Mas não é só Choi Woo-seung que se rende aos encantos do ídolo pop Yoo Hyun-jae – e não é apenas por culpa do carisma do personagem, mas especialmente pela presença brilhante de seu intérprete, Yoon Si-yoon. É impressionante como o drama ganha outro ritmo, outro clima mesmo, com o surgimento de Yoon Si-yoon. Por mais que se simpatize com Lee Ji-hoon (inteligente, educado, bonito), é impossível resistir à irreverência, bom humor e, enfim, à personalidade magnética de Hyun-jae. É meio irônico o fato de Yoon Si-yoon interpretar um astro pop, não tendo o mesmo background do colega Kim Min-jae (que tem uma voz incrível, por sinal), e conseguir nos convencer de sua superioridade artística (!) E quem acha que Yoon Si-yoon é um ator monocromático, que só sabe fazer comédias, pode comprovar sua versatilidade em papeis dramáticos, como, por exemplo, no belíssimo épico Mirror of the Witch. Aliás, o elenco de The Best Hit é tão enxuto quanto talentoso, e o clima de intimidade natural entre os atores é visível. É óbvio que a direção de Cha Tae-hyun, e sua amizade antiga com Yoon Si-yoon fizeram de The Best Hit um drama que transpira amor e energias positivas. Se você, como eu, anda sentindo falta de dar boas risadas, sem deixar de se emocionar em outros bons momentos, The Best Hit é o drama que faltava.










País: Coréia do Sul
Gênero: Policial, Drama
Duração: 16 episódios
Produção: KBS2 TV

Direção: Kim Jin-woo-I, Yoo Yeong-eun-I
Dir. Fotografia: Kim Kyung-ho, Han Joo-yeol
Roteiro: Lee Seong-min-II

Elenco: Choi Kang-hee, Kwon Sang-woo, Lee Won-geun, Shin Hyun-bin, Ahn Kil-kang, Kim Min-jae, Yoon Hee-seok, Park Byeong-eun, Jang Gwang, Jeong  In-gi, Yang Ik-joon, Jeon Soo-jin, Kim Hyeon-sook.

Resumo

Uma dona de casa e um detetive de polícia formam uma dupla insólita, que se envolve em muitas confusões, enquanto resolve os crimes mais complicados.

Comentário

Só o fato de trazer um personagem feminino como protagonista, não de um drama romântico, mas de um thriller policial, já é um enorme feito da parte de Mistery Queen. Os exemplos de dramas policiais estrelados por mulheres são poucos, - Mrs. Cop, Mrs. Cop 2, , são os títulos que me vem à mente – isto nos dramas coreanos, pois nos dramas japoneses posso citar um número bem maior... Até pensei que Mistery Queen fosse um remake de um drama japonês, o que não é o caso, – a roteirista de Mistery Queen é a novata Lee Seong-min-II – já que os japoneses são grandes aficionados dos romances policiais, e de detetives em geral. Sendo assim, foi uma surpresa muito agradável acompanhar a estória de Yoo Seol-ok, uma dona de casa que sonha em vestir um uniforme de polícia, e usar seu talento único para resolver quebra-cabeças criminais. Yoo Seol-ok segue os passos das grandes mulheres detetives da literatura, com a amabilidade de uma Miss Marple, e um desejo de viver grandes aventuras de uma Modesty Blaise.

E o papel de Yoo Seol-ok cai como uma luva para a naturalmente exótica Choi Kang-hee (, Glamorous Temptation). Yoo Seol-ok perdeu os pais na adolescência e foi adotada pela melhor amiga de sua mãe, Park Kyeong-sook (Park Joon-geum, de ). Seol-ok acaba entrando para a família oficialmente ao casar-se com o filho mais velho de Kyeong-sook, Kim Ho-cheol (Yoon Hee-seok, de The Joseon Shooter). Se, por um lado, Seol-ok ganhou uma nova família, por outro, o casamento prematuro a prendeu a uma rotina tediosa de dona de casa, atendendo aos caprichos da sogra impertinente e da cunhada mimada, Kim Ho-soon (Jeon Soo-jin, Descendants of the Sun). O marido, Kim Ho-cheol é um promotor de justiça respeitado no trabalho, mas que trata Seol-ok com uma frieza e condescendência lamentáveis, embora ela pareça não se importar muito com a ausência física e emocional do marido. Mas Seol-ok encontra uma forma de fugir da prisão doméstica no restaurante da amiga Kim Kyeong-mi (Kim Hyeon-sook, Rude Miss Yong-ae). Numa sala nos fundos do restaurante ela monta um QG para seus estudos de casos criminais. Mas a sede de aventura de Seol-ok é grande e logo ela se envolve nas investigações da estação de polícia do bairro, comandada pelo jovem Hong Joon-oh (Lee Won-geun, de Cheer Up!). As coisas se complicam quando Seol-ok e Hong Joon-oh atrapalham uma tocaia da equipe de combate às drogas, liderada pelo detetive Ha Wan-seung. Kwon Sang-woo (Medical Top Team), encarna com irreverência e charme máximo o detetive de polícia Ha Wan-seung, um homem que persegue os criminosos com uma dedicação obsessiva, quase suicida. Mas, se na superfície Ha Wan-seung é um bruto, no fundo ele tem um coração enorme, e a coragem nobre de um verdadeiro herói. O pior pesadelo de Ha Wan-seung é seu pai, Ha jae-ho (Jang Gwang, de Moonlight Drawn By Clouds), um poderoso e calculista advogado, que faz de tudo bloquear a carreira policial do filho. O velho tenta forçar Ha Wan-seung a casar-se com uma advogada de seu escritório, Jeong Ji-won (Shin Hyun-bin, de Madame Antoine), como se assim pudesse convencê-lo a mudar de vida. Mas o grande objetivo de Ha Wan-seung é prender o mafioso Jang Do-jang (Yang Ik-joon, de It´s Ok, That´s Love), suspeito de ter matado sua antiga namorada. O único apoio de Ha Wan-seung está no seu chefe de equipe, o detetive Bae Gwang-tae (Ahn Kil-kang, de ).


Se a princípio Ha Wan-seung trata Yoo Seol-ok como uma ahjumma excêntrica, não demora muito para que ele perceba o potencial da dona de casa para resolver os crimes mais complexos, e com uma facilidade fora do comum. É inevitável que o casal se reuna para perseguir bandidos, mesmo antes de descobrir sua ligação profunda com um evento trágico do passado de ambos.

O enredo de Mistery Queen é muito envolvente, já que a trama central não ofusca em nada as subtramas, que são os crimes da vizinhança que a “Sherlock de saias” Seol-ok investiga a cada dois ou três episódios. O único grande problema do drama (big spoiler!) é deixar pendente exatamente o mistério central, que é a circunstância da morte dos pais de Seol-ok, e o desaparecimento da noiva de Ha Wan-seung. A desculpa da produção de projetar uma segunda temporada não convence, já que o canal KBS não costuma dar chance para dramas que não sejam garantia de sucesso. Só o tempo dirá se poderemos ver o desfecho da estória, ou se este será o único mistério sem resolução da detetive Seol-ok. Mesmo assim não posso deixar de recomendar calorosamente este drama, com a direção primorosa do PD Kim Jin-woo-I (Healer, ), a fotografia espetacular, ou ainda, a melhor trilha musical da temporada.









País: Coréia do Sul
Gênero: romance, drama
Duração: 16 episódios
Produção: MBC TV

Direção: Lee Dae-young
Roteiro: Bae Yoo-mi

Elenco: Kim Ha-neul, Kim Jae-won, Jung Sung-hwan, Kim Yu-mi, Moon Ji-yoon, Kim Hae-sook, Park Won-sook, Shim Yang-hong, Kim Young-gun, Han Ye-jin, Kang Rae-yun, Seo Hyeon-gi.

Resumo

Chae-won e Gwan-woo se conhecem na primavera, à sombra das cerejeiras em flor, e se apaixonam à primeira vista. Mais tarde, o jovem casal se descobre na posição de professora e aluno, e seu amor é desafiado pela oposição da família e o preconceito da sociedade.

Comentário

Romancenão é um grande clássico do gênero e muito menos tem um elenco espetacular, mas, passados 16 anos, vale a pena voltar a este drama, tanto para refletir sobre seu tema polêmico, quanto sobre o destino de seus atores.

A roteirista Bae Yoo-mi (Shall We Kiss First, Twinkle, Twinkle) introduz a estória no formato de comédia romântica, mas logo em seguida cai no lugar comum do melodrama. É realmente uma pena, pois o enredo repleto de clichês faz de Romance um drama mais datado do que sua idade real, enquanto poderia ter se tornado uma referência, pelos temas interessantes que aborda, especialmente o amor “proibido” do casal protagonista. A direção burocrática do PD Lee Dae-young (Father I’ll Take Care of You) também não ajuda muito, mesmo com algumas belas paisagens primaveris ilustrando o romance de Chae-won e Gwan-woo.

No entanto, apesar de todas suas fraquezas, o drama surpreende pela ousadia ao enaltecer o romance entre uma professora e seu aluno, algo difícil de imaginar no mundo atual, governado pela intransigente patrulha do politicamente correto. É claro que, para os padrões ocidentais, um jovem de 19 anos apaixonar-se por uma mulher apenas seis anos mais velha, não chega a gerar grande polêmica. Mas na sociedade (até hoje) conservadora coreana, os romances de ‘noonas’ ainda são temas ardentes nos dramas. É verdade que neste drama há um contexto que, se não isenta, ao menos justifica a inocência das intenções do casal. Quando Choi Gwan-woo e Kim Chae-won se conhecem, ele mente sobre sua idade, e ela sobre sua profissão. Depois de se envolverem num acidente de trânsito bizarro, o casal se reencontra no festival de primavera da bucólica cidade litorânea onde Gwan-woo mora. Choi Gwan-woo se apaixona a primeira vista por Kim Chae-won, e, mesmo percebendo a diferença de idade entre os dois, não resiste ao seu ar juvenil e comportamento despreocupado. Ao ver que Gwan-woo faz parte de uma banda de rock, Chae-won presume que o rapaz é um estudante universitário, o que ele confirma, sabendo que ela sairia correndo se soubesse a verdade. Por sua parte, Chae-won acaba mentindo ser uma secretária, ao ser informada por Gwan-woo de seu desprezo profundo pela profissão de professor. E é assim que a jovem professora e o estudante secundarista se apaixonam profundamente, sem perceber a grande desilusão que sofreriam muito em breve.

E não são pequenas as adversidades que este belo casal terá de superar para viver um grande amor. Ao mudar-se para Seul, Choi Gwan-woo se matricula justamente na escola onde sua amada Kim Chae-won dá aulas de literatura. Chocada com a situação, a princípio a professora Chae-won tenta se afastar de Gwan-woo, mas é difícil resistir às investidas do rapaz. Mas o pior está por vir, quando ambos descobrem que suas famílias estão ligadas por uma trama financeira que levou à falência a empresa do pai de Gwan-woo.

Romance é um destes raros dramas em que o protagonista masculino não é um herdeiro mimado, - Choi Gwan-woo é um personagem magnífico.  Mesmo antes da morte do pai, Gwan-woo já era um rebelde, ao rejeitar o poder em nome do sonho de ser um músico. Quando a família se vê arruinada, é ele que assume a responsabilidade e trabalha incansavelmente para mantê-los unidos. Dói ver como Gwan-woo, um adolescente normal, do dia para a noite tem de se comportar como um adulto maduro, tendo todo o peso do mundo sobre seus ombros. E não é fácil suportar a depressão da mãe e a inconformidade dos irmãos com sua mudança radical de vida. Mas Gwan-woo luta bravamente para torna-se um homem respeitável, e assim, reconquistar o amor de Kim Chae-won.

Kim Jae-won (Can You Hear My Heart, Father I´ll Take Care of You, Hwajung), como o estudante Choi Gwan-woo, é simplesmente adorável, e seu talento natural parecia ser uma aposta certa de um futuro brilhante como ator. No entanto, não foi o que se viu, e embora ele siga na carreira, é de forma muito mais modesta, e o grande sucesso nunca se concretizou. É difícil saber o que aconteceu, se foi o fato de ele ter se casado muito cedo, ou apenas escolhas erradas de projetos, - o fato é que, assistindo sua belíssima atuação em Romance, é impossível não lamentar que ele não tenha brilhado mais na TV ou no cinema.

Kim Chae-won (Kim Ha-neul), felizmente, também não é uma garota mimada, talvez porque apesar da mãe, Yoon Mi-hee (a sempre divertida Park Won-sook, Dear My Friends) ser uma empresária ambiciosa, o pai, Kim Dae-geon (Shim Yang-hong, Gourmet), é um intelectual, professor universitário. Chae-won ama ser professora, e se preocupa sinceramente com o bem estar de seus alunos, mesmo que role de vez em quando uma ‘bela’ palmatória (as cenas de alunos sendo punidos fisicamente dentro da escola são triviais, mas não menos chocantes nos dias de hoje). Infelizmente, no final das contas, Chae-won se revela uma pessoa muito mais imatura que seu jovem amor, Gwan-woo. Entende-se que, para que se crie o conflito, o romance deve ser mesmo polêmico, mas não dá para acreditar que Chae-won não pudesse segurar as pontas apenas alguns meses, até que Gwan-woo atingisse a maioridade, e concluísse os estudos. Este, sem dúvida é o ponto mais frágil da estória, e que transforma a simpática Chae-won num personagem muitas vezes exasperante.


Examinando em retrospecto a carreira da atriz Kim Ha-neul, admiro e respeito cada vez mais suas escolhas de papeis, sempre inteligentes e desafiadoras. Com raras exceções (como em A Gentleman´s Dignity), Kim Ha-neul nunca se inclinou aos personagens frágeis e românticos, - mesmo a ingênua Chae-won é um personagem corajoso e passional. Ela já foi uma mulher cega (no ótimo thriller Blind), uma atriz egocêntrica em On Air, ou uma esposa infiel em , - personagens marcantes, únicos.

Dos demais atores de Romance, apenas os mais velhos seguem em alta, como é o caso da sempre fantástica Kim Hae-sook (Judge vs Judge, My Father is Strange), aqui muito jovem e elegante,como a sofrida Lee Yeong-suk, mãe de Gwan-woo. Outro veterano sempre presente na telinha é Kim Young-gun (The Lady in Dignity, ), aqui no papel do pai de Eun-seok, Lee Yeong-gyoo.

Entre os jovens, Jung Sung-hwan (Only My Love), como Lee Eun-seok, o pretendente de Chae-won, consegue arruinar todas as cenas em que aparece, uma das piores atuações jamais vistas em um drama. Não tive o azar de ver se o rapaz aprendeu a atuar, mas não faço questão de tirar a dúvida. Kim Yu-mi, por outro lado, convence, como a irmã ambiciosa de Gwan-woo, Yun-hee, e lembro-me bem de sua bela participação no drama . A atriz Han Ye-jin é Yoon Ji-soo, a chatíssima colega apaixonada por Gwan-woo. Anos depois de casar-se e ser mãe ela está de volta o com o melodrama romântico Let´s Watch the Sunset. Meu drama favorito de Ye-jin é Terroir, com o saudoso Kim Joo-hyeok.

Enfim, se Romance não é um drama imprescindível, é uma oportunidade de ver um casal encantador, e comprovar como Kim Ha-neul amadureceu para tornar-se uma atriz tão bonita quanto talentosa.








Já faz um tempo que escrevi uma postagem () onde me propunha a imaginar alguns atores e atrizes que ainda não haviam se encontrado na telinha, mas que fariam, eventualmente, o par romântico ideal... Infelizmente, até hoje, nenhuma de minhas sugestões tornou-se realidade, nem mesmo a tão esperada reunião entre Yoon Eun-hye e Hyeon Bin. O tempo passou, novas caras surgiram, e ficou ainda mais divertido tentar adivinhar quem será o casal perfeito do próximo drama romântico...



O casal que poderia estar no topo da minha lista de “desejáveis” é Park Bo-younge . Estes dois atores tem muito em comum: jovens, bem sucedidos no cinema, e há pouco tempo também na TV. Ambos têm um charme meio ‘geek’, que os faz parecer mais acessíveis e simpáticos ao público do que outros atores de sua geração. Acho mais possível que o casal se encontre no cinema, do que na TV. Na verdade, é difícil imaginar um ator que resista aos encantos da adorável Park Bo-young... 


... Mas dá para fantasiar com algumas alternativas: Kang Dong-won (mas acho que só seria possível no cinema), Byeon Yo-han, Yoon Shi-yoon, ou ainda Yoon Yeon-seok. Seria interessante ver um reencontro de Bo-young com Song Joong-ki (), só que desta vez numa comédia romântica. O mesmo vale para Kim Young-kwang, seu antagonista em .


Por falar em , apesar de sua dedicação “calorosa” às protagonistas, acho que o ator ainda está para encontrar sua cara metade em um drama romântico. Uma atriz que aprendeu recentemente a atuar (oops!), , faria um belo par com o rapaz. 


A atriz , combinaria muito bem, ao menos fisicamente (por sua altura), com o ator. Com , faria o par perfeito numa comédia romântica!


Park Mi-young e já se encontraram em editoriais de moda, e fazem uma dupla espetacular. Park Mi-young é uma atriz que parece ter uma personalidade cálida e amorosa, e, talvez por isso, costuma ter uma ótima “química” com seus atores coadjuvantes. Ela teve sucesso contracenando com atores um pouco mais jovens, como Ji Chang-wook, ou Yoo Seung-ho, mas acho que ela poderia arriscar sem medo uma parceria com um ator mais velho. Um par que nunca imaginaria funcionando, mas que mostrou ter um belo potencial (embora não tenha se concretizado na ficção) foi o de Park Mi-young com Kim Myeong-min, no drama


Este drama me fez querer ver a atriz num drama romântico com algum ator um pouco mais velho que ela (que tem 30 anos). Quem sabe poderia ser Lee Sang-yoon, ou Lee Jeong-jin.


Meu drama romântico favorito até hoje é , pois o amor maduro do casal Kim Seon-a e Cha Seung-won é insuperável! Mas nem por isso deixo de sonhar em ver o querido Cha Seung-won em um novo melodrama, mas teria de ser uma atriz sexy e madura... 


... Ele faria um belo par com a elegante , ou ainda com Kim Seong-ryeong, cujo senso de humor e irreverência que tem tudo a ver com Cha Seung-won. Kim Hyeon-joo, uma atriz tão bonita quanto simpática, faria um par maravilhoso com o ator.


Lee Joon-ki é um ator fantástico, um verdadeiro cavalheiro, mas, em minha opinião ainda não encontrou a atriz ideal como par romântico (ao menos nos dramas, porque na vida real ele teve mais sorte, né?). Aos 35 anos de idade, está na hora de o ator apostar em papel mais “adulto”, quem sabe, com um drama romântico contracenando com uma atriz da mesma idade, ou um pouco mais velha. Cada vez mais os produtores impõem atrizes mais novinhas a Lee Joon-ki, e o resultado tem sido, sinceramente, constrangedor. 


Há tempos que penso que seria muito bom ver este ator, com sua postura pessoal tão serena, contracenar com uma atriz poderosa, tipo Kim Ha-neul, , , ou ainda, Jeong Yoo-mi ().


Gong Hyo-jin é uma das atrizes mais complicadas na hora planejar um ‘omiai’ fictício, já que ela é famosa por pender mais pra o lado dos coadjuvantes do que do protagonista. Jang Hyeok e Cha Seung-woo são apenas dois exemplos de atores super charmosos que falharam miseravelmente em conquistar o coração da atriz, ao menos na telinha. Gong Hyo-jin tem uma ‘vibe’ meio hippie/rebelde, que combinaria melhor com um ator mais cool, tipo , ou Eom Tae-woong.


... Ou atores um pouco mais jovens, como Yoo Ah-in, ou Kim Jae-joong. também seria uma escolha interessante – ele foi o par surpreendentemente perfeito para outra ‘descolada’, a atriz Jeong Ryeo-won (Bubblegum).

É um exercício divertido e de possibilidades infinitas este de “casamenteira” de personagens de dramas... Pena que o que conta mesmo na seleção de elenco é a agenda dos atores, e a pressão de suas agências... Por outro lado, os atores e atrizes têm nos surpreendido mais com seus romances reais, do que com os fictícios, não é mesmo?









País: Coréia do Sul
Gênero: Fantasia
Duração: 16 episódios
Produção: tvN

Direção: Lee Eung-bok
Roteiro: Kim Eun-sook

Elenco: Gong Yoo, Kim Go-eun, Lee Dong-wook, Yoo In-na, Yook Sung-jae, Lee Il, Jo Woo-jin, Kim Sung-kyum, Kim Min-jae, Kim So-hyeon, Kim Byung-chul.

Resumo

Goblin é a estória fantástica de um corajoso general da era Goryeo que é amaldiçoado com a imortalidade.

Comentário

Como motivo de comemoração de seus 10 anos no ar, o canal tvN investiu em uma produção luxuosa, o drama de fantasia Goblin: The Lonely and Great God, criação da roteirista mais badalada do momento, Kim Eun-sook. Depois do mega sucesso de público Descendants of the Sun (2016), era enorme a expectativa sobre o próximo projeto da escritora Kim. E, ao menos para a tvN, o resultado foi mais do que satisfatório (com uma média final de 13,7 %, um número significativo para a TV à cabo). Concluído o drama (e passada a comoção sobre o mesmo), podemos refletir com calma sobre seus os pontos positivos e negativos.


Para começar, foi uma surpresa agradável ver a autora voltar a um de seus temas favoritos, a fantasia... Recordemos que seu primeiro sucesso foi o drama romântico Lovers in Paris (2004), que se revelou, no último instante, como um drama de fantasia (e com um dos finais mais controvertidos da história dos dramas coreanos). Em seguida a escritora Kim voltou ao “trivial” com o drama romântico/político (2009), com uma trama linear, mas ao mesmo tempo mais eficaz do que muitos de seus projetos seguintes, como Heirs (2013), ou (2012). Antes destes dois últimos ela escreveu Secret Garden (2010), que lhe rendeu a fama de autora pop, graças à influência e às recorrentes citações de seus diálogos e cenas divertidas (sendo a mais citada, a do beijo na cafeteria, como esquecer?). O certo é que a escritora Kim tem um talento especial para gerar burburinho com cenas marcantes e originais, e com a escolha certeira do elenco em seus dramas românticos. Não se sabe de algum ator ou atriz que tenha rejeitado um convite para estrelar um drama assinado por Kim Eun-sook. Sendo assim, antes mesmo de sua estreia, Goblin já gerava manchetes com a notícia da presença de Gong Yoo no drama. Quatro anos foi tempo demais para os fãs de Gong Yoo, que aguardavam ansiosamente sua volta à TV.

Para concretizar sua visão grandiosa de um drama meio épico, meio fantasia romântica, a autora trouxe consigo o PD Lee Eung-bok (, ) seu parceiro de sorte em Descendants of the Sun. Se em Descendants of the Sun a direção do PD Lee não me impressionou especialmente, em Goblin ele parece ter bebido uma poção especial, que o tornou um diretor muito mais habilidoso. Aliás, a direção teve um papel crucial neste drama, já que as imagens, na maior parte do tempo, tiveram um peso maior que as palavras. Vale uma ressalva para o uso excessivo de imagens de banco de dados (recurso preguiçoso e meio cafona) e a repetição “ad nauseum” de certas cenas. Para ser mais específica, a cena crucial do enfrentamento do general Kim Shin com o rei é repetida tantas vezes que acaba por perder o impacto inicial, sem acrescentar nada à trama. Falando em edição, o drama perde muito em ritmo, do episódio 8 ao 12 (tendo provocado inclusive uma queda na audiência), e os longos capítulos de 1h30 se arrastam, com uma trama que anda em círculos, apoiada unicamente na atuação brilhante do elenco. Uma redução para 12 episódios beneficiaria muito o drama.


Goblin é o drama que restaurou minha fé no talento de Kim Eun-sook – apesar de todos os defeitos, para mim, este é seu melhor drama desde Secret Garden. Quem não gosta de dramas lentos e de enredo sem grandes reviravoltas deve sentir-se frustrado, mas o elenco charmoso, a fotografia e a cenografia tem poder o bastante para enganchar o espectador. Do episódio 13 ao 16 a estória volta a ficar interessante, e o desfecho é satisfatório (levando-se em conta tropeços da escritora em dramas anteriores).

A roteirista Kim tem uma criatividade e tanto para inserir um personagem da mitologia nórdica (goblin) em um reino asiático distante, e criar uma estória original, embora um tanto confusa... Sim, porque se você ainda não se aventurou no conto de fadas pós-moderno que é Goblin, não espere por grandes revelações sobre a origem dos personagens, já que eles mesmos vivem alienados sobre seu propósito no mundo. São tantas perguntas sem respostas... Por exemplo, por que o bravo general Kim Shin é punido pelos deuses e transformado em um goblin (na mitologia nórdica, uma espécie de gnomo maligno e ganancioso)? Será que ele merecia um destino tão cruel, pesadas as circunstâncias da época? Por que o rei Wang Yeo não deu ouvidos à sua jovem rainha, e ordenou sua morte e de sua família, mesmo sabendo que estava sendo traído por seu mentor, Park Joong-hoon? Como o Goblin conseguiu acumular riquezas ao longo de mais de 900 anos, fundar uma empresa (presidida pelo velho Yoo Shin) sem saber usar um smartphone? Ah, certo, a situação gerou piadas divertidíssimas entre o Goblin e seu amigo Anjo da Morte.


Apesar de sempre me incomodar com problemas de edição, seja no cinema, ou em dramas, a verdade é que não acho que o ritmo lento de Goblinseja um grande problema, já que muitos dos momentos mais mágicos e românticos do drama foram aqueles em que os personagens refletiam sobre as pequenas alegrias da vida... Como quando o Goblin começa a se apaixonar por Ji Eun-tak, e quer muito acreditar que a garota é sua noiva prometida, mas não sabe como expressar seus sentimentos... Ou quando o Ceifador encontra-se pela primeira vez com a bela Sunny, e seus olhos se enchem de lágrimas involuntárias... É curioso quando os personagens (ou os atores que os interpretam) tornam-se maiores do que a estória. É fácil perceber, pelos comentários gerados a cada episódio, que o drama enganchou o público pelo grande charme do elenco, especialmente Gong Yoo e Lee Dong-wook. Não é por nada que o ‘bromance’ entre a dupla gerou mais frisson que o romance entre o Goblin e Eun-tak. Gong Yoo (, Coffe Prince, BIG) é indiscutivelmente um grande ator e, melhor ainda, do tipo que sabe usar seu charme para encantar seu par romântico, o que não foi diferente com Kim Go-eun, que interpreta a jovem Ji Eun-tak. Mas, sou obrigada a reconhecer que não consegui sentir aquela “faísca” entre o casal principal, apesar das atuações convincentes de ambos. Kim Go-eun (Cheese in the Trap, Canola, Eungyo) é uma atriz encantadora, mas, não sei bem porque, não me convenceu no papel de Eun-tak. Talvez o problema seja o personagem, e não a atriz... Eun-tak é uma cinderela moderna, que sonha em entrar em uma boa universidade, e ter uma vida melhor. Ao cruzar com o Goblin, ela conclui, pragmaticamente, que encontrou um bom patrocinador para seus estudos. É interessante que ela não se apaixone imediatamente por este homem bonito e maduro, embora, mais adiante, entendamos que sua percepção sobre ele era muito mais profunda. É chato admitir, mas Eun-tak é o personagem mais importante, mas ao mesmo tempo o que menos me agradou no drama. O perfil adolescente de Eun-tak (o sorriso ingênuo, a voz infantil) não parece se encaixar com o passado do personagem, com todo o sofrimento que ela carrega consigo. Entendo que Eun-tak tenha conseguido conquistar o Goblin com esta alegria juvenil, mas eu teria preferido uma heroína mais madura, com um humor mais ácido.


Se o romance entre o ‘Dokkaebi’ e Eun-tak não me convenceu, a estória de amor de Lee Dong-wook (o anjo da morte) e Yoo In-na (a bela e solitária Sunny) é (literalmente) épica! Impossível não sofrer junto com este casal, e seu amor impossível... Parece que Lee Dong-wook (, ) solicitou pessoalmente à escritora Kim a chance de interpretar o mensageiro da morte. Sou uma grande admiradora do ator, especialmente por sua vontade em buscar novos desafios, sem apegar-se a estereótipos, e não se acomodar em papeis de galã. A verdade é que Lee Dong-wook rouba a cena, por sua entrega total ao papel, e também porque a estória do personagem é tão mais rica e complexa que a do Goblin. Mas, surpresa mesmo fiquei com bela atuação de Yoo In-na (Queen In-hyun´s Man, My Secret Hotel, ), sensível, discreta, na medida certa para a importância do papel.  Confesso que já havia abandonado a esperança de ver Yoo In-na como mais do que uma celebridade supervalorizada. Tenho muita curiosidade sobre o milagre operado sobre sua capacidade de atuação: será que foi a influência do elenco competente (seu encantamento na presença de Lee Dong-wook é óbvio), a orientação do diretor, ou simplesmente o efeito natural da maturidade? Seja como for, espero que este tenha sido o primeiro de novos e grandes papeis para a charmosa Yoo In-na.



Falando em bons atores, não posso deixar de mencionar o maravilhoso elenco jovem. Yook Sung-jae, de quem sou fã desde Who are You: School 2015 esbanja charme e fofura no papel de Yoo Duk-hwa. E o casal real Kim Min-jae () e Kim So-hyeon (Let´s Fight Ghost, Page Turner, ) deixa sua marca, apesar da aparição relâmpago. Acho Kim So-hyeon uma grande atriz, e fiquei imaginando se ela não seria mais adequada para o papel de Eun-tak...

Concluído este belo drama de Kim Eun-sook fico muito curiosa sobre seu próximo projeto, e espero que ela tome seu tempo para nos trazer mais uma estória tão mágica e surpreendente quanto a saga de Goblin.









País: Coréia do Sul
Gênero: Ação, Policial, Comédia
Duração: 109 min.
Distribuição: Lotte Ent.

Direção e Roteiro: Kim Joo-hwan

Elenco: Park Seo-joon, Kang Ha-neul, Park Ha-sun, Sung Dong-il, Bae Yoo-ram, Go Joon.

Resumo

Dois alunos da Academia de Polícia de Seul testemunham o sequestro de uma jovem e decidem investigar o caso por conta própria.

Comentário

Midnight Runnersé um filme de ação com boas doses de comédia, que usa a fórmula infalível “dupla policial em apuros”, que fez tanto sucesso no cinema norte-americano dos anos 90.

O filme já começa muito bem quando somos apresentados aos novos recrutas da polícia coreana, e acompanhamos sua puxada rotina escolar, de perfil militar. Ao contrário do que seria natural esperar, a dupla protagonista tem motivos muito prosaicos para escolher uma carreira tão desafiadora. Kang Hee-yeol (Kang Ha-neul), com sua inteligência excepcional, poderia ter entrado em qualquer grande universidade, mas optou por ser um policial (segundo ele mesmo), apenas para fugir do lugar comum. Park Ki-joon (Park Seo-joon), por outro lado, escolheu este caminho simplesmente por não ter condições financeiras de cursar o ensino superior. Sendo assim, seria razoável imaginar que os dois garotos iriam passar maus bocados durante o treinamento na academia. No entanto, para nossa surpresa, parece que a dupla possui o dom natural para combater o crime. A princípio, o brigão Ki-joon implica com o colega nerd Hee-yeol, mas da convivência forçada nasce uma bela amizade (ainda mais quando Ki-joon descobre que Hee-yeol é filho de um açougueiro 😂).


Em sua primeira noite de folga, os amigos combinam ir a uma boate, coisa que nunca fizeram na vida. Infelizmente, eles não conseguem se integrar bem no ambiente festivo, - em cena hilária, uma garota fica pouco impressionada ao ser informada por Ki-joon que ele é um aspirante a policial, e faz questão de ressaltar que ele será pobre para o resto da vida, rerere. Após a incursão fracassada na boate, eles bebem soju em um boteco, onde refletem pela primeira vez sobre seu futuro como agentes da lei. A rotina na academia não é nada inspiradora e eles sentem que não estão aprendendo nada de útil ali.
Saindo do bar eles avistam uma bela jovem caminhando sozinha na rua, e resolvem segui-la, tentando armar-se de coragem para abordá-la para conversar.
Subitamente, uma van para em um beco escuro e a garota é violentamente abduzida. Eles tentam correr atrás do carro, mas o perdem de vista. Sem conseguir a ajuda da polícia, eles resolvem investigar o crime sozinhos, e se deparam com uma gangue perigosa, que age no bairro chinês, onde nem mesmo a polícia costuma se aventurar.

Park Seo-joon (, A Witch´s Love, ), em seu primeiro papel protagonista no cinema, arrasa como o ‘esquentadinho’ Ki-joon, e mostra ao mundo seu talento para a comédia (o que não é surpresa para quem conhece o rapaz dos dramas na TV). E Kang Ha-neul (, , ), já veterano do cinema, passeia com tranquilidade no papel do tímido Hee-yeol. O elenco é bem enxuto, mas vale a lembrança de Sung Dong-il(), como o Prof. Yang Sung-il, e Park Ha-sun (Drinking Solo), como a policial e treinadora da academia Lee Joo-hee. Inesquecível mesmo é a cena eletrizante de luta entre Go Joon (Save Me) e os jovens policiais.


O diretor e roteirista Kim Joo-hwan (Goodbye My Smile, Koala) apresenta o drama policial clássico para esta nova geração de cinéfilos, com muita leveza, numa linguagem ágil e cômica, mas nunca vazia. Na corrida contra o tempo para salvar a vida de uma jovem desconhecida, Ki-joon e Hee-yeol reafirmam sua vocação, aprendem muito sobre integridade profissional, solidariedade e, acima de tudo, vivem um bromance de sonho 😍!